quarta-feira, novembro 15, 2006

Enquanto isso, na Venezuela..

Segundo pesquisa, Chávez teria o dobro de votos de opositor

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, obteria mais que o dobro de votos de seu principal rival nas eleições de dezembro, Manuel Rosales, sobre quem tem uma vantagem de 30 pontos, segundo uma pesquisa divulgada na terça-feira.

O levantamento, da fundação espanhola Centro de Estudios Políticos y Sociales (CEPS), mostrou que o presidente tem 57,8 por cento das intenções de voto contra 26,9 por cento de Rosales.

A pesquisa, realizada em colaboração com a empresa local Veneopsa, foi feita entre 26 de outubro e 1o de novembro, com 2.964 entrevistados em todo o território nacional, e tem margem de erro de 2,4 por cento.

Ambos os candidatos melhoraram em relação ao levantamento anterior do CEPS, entre 9 e 21 de outubro, em que Chávez obteve 55,8 por cento enquanto Rosales tinha 25,9 por cento.

As principais pesquisas publicadas até agora dão uma ampla vantagem ao carismático presidente venezuelano, que goza de altos níveis de popularidade no país graças a seus numerosos programas sociais dirigidos aos menos favorecidos.

Rosales, licenciado temporariamente de seu cargo de governador do Estado de Zulia, conseguiu unir em torno de sua candidatura a maior parte da oposição e fazer uma frente comum para tentar desbancar Chávez.

da Agência Reuters

terça-feira, novembro 14, 2006

Bush toma surra em eleição plebiscitária sobre sua guerra

Os Republicanos tinham 232 deputados e desabaram para 196. Os Democratas aumentaram de 203 para 230 e há ainda 9 cadeiras indefinidas

Numa eleição que se tornou um verdadeiro plebiscito sobre a guerra de George W. Bush no Iraque, seu partido, Republicano, sofreu uma avassaladora derrota, perdendo para os democratas o controle da Câmara federal e do Senado, e a maioria do número de governos estaduais. “Uma surra”, teve de admitir o próprio Bush. Antes mesmo do final da apuração, Donald Rumsfeld, notório arauto e principal organizador da invasão do Iraque como chefe do Pentágono, renunciou. 79 milhões de americanos foram às urnas.

Estavam em disputa nas eleições intermediárias de sete de novembro todos os 435 postos na Câmara federal (deputados), 33 dos 100 assentos do Senado e 36 dos 50 governos estaduais. O Partido Democrata, há 12 anos sem maioria na Câmara, e que precisava aumentar sua atual bancada em no mínimo 15 deputados para chegar a 218 cadeiras e conquistar o controle da casa, conseguiu o dobro disso. Os republicanos, que tinham 232 deputados, desabaram para 196, enquanto os democratas subiram de 203 para 230. Há nove cadeiras sem definição ainda.

SENADO

No Senado, os democratas elegeram seis senadores a mais, chegando, com dois independentes que os apóiam, aos 51 postos indispensáveis para o controle. Em Virgínia e Montana houve uma disputa muito apertada, mas após horas de expectativas a Associated Press anunciou a vitória democrata. Antes, os republicanos tinham 55 senadores e os democratas e um aliado independente tota-lizavam 45.

Com as vitórias em Ohio, Nova Iorque, Maryland, Arkansas, Massachussetts e Colorado, derrotando oponentes republicanos, os democratas também passarão a ter maioria de governos estaduais pela primeira vez em 12 anos. Incluindo os que já tinham, e os recém-conquistados, os democratas ficam com 28 governos estaduais, comparados com 22 em mãos dos republicanos. Inverteu-se a situação: antes eram os republicanos que controlavam 28 governos estaduais

Os Democratas elegeram deputados e senadores por todo o nordeste e meio-oeste dos EUA – em Nova Iorque, Rhode Island, Connecticut, Pennsylva-nia, Ohio e Indiana – quase transformadas em áreas inacessíveis aos republicanos. Também ganharam cadeiras nos tradicionais baluartes republicanos nas Montanhas Rochosas e nas Grandes Planícies. Nesse processo, o Partido Republicano foi virtualmente empurrado de volta aos seus redutos no sul, com a exceção da Califórnia, essa graças à encenação de Arnold Schwarzenegger.

“VENTO FORTE”

Como se lamentou o derrotado senador republicano Jim Talent, do Missouri, “não foi por falta de esforço, o vento contrário é que estava muito, muito forte este ano”. Aliás, o vento soprava desde Bagdá, desde Abu Graib, e não teve Bush, nem Karl Rove, que desse jeito. O repúdio aos crimes de Bush no Iraque era tal que os candidatos republicanos fugiam de serem vistos ao seu lado como o diabo foge da cruz. Mas não adiantou: foram varridos assim mesmo. Até o seu irmão governador da Flórida evitou participar de um comício que Bush fizera questão de montar, alegando falta de espaço na agenda. E quanto mais Bush, arrogantemente, se lançou a fazer campanha, mais votos os republicanos foram perdendo.

Em seu discurso na comemoração da vitória democrata, a líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi, afirmou que “os americanos foram muito claros – é necessária uma mudança de direção no Iraque”. Ela acrescentou que “não podemos continuar nessa direção, que tem sido catastrófica”. Uma hora depois de seu discurso, Rumsfeld renunciou. Como assinalou o presidente do partido Democrata, Howard Dean, ao saudar a queda do criminoso de guerra, “o povo americano falou”. Ele apontou que a renúncia devia “ser seguida por uma mudança verdadeira de direção no Iraque e na política externa americana”. E, como clamaram as urnas, o nome da mudança é a retirada das tropas do Iraque.

A derrocada eleitoral de Bush e sua política também repercutiu no exterior. “Essa é a conta para a Casa Branca pelo seu desastre no Iraque”, afirmou o deputado alemão Jürgen Trittin. “O ciclo da guerra preventiva, do unilateralismo, acabou em grande fracasso. Essa é a verdade e como ela é percebida pela opinião pública americana”, destacou o chanceler italiano Massimo d’Alema.

ANTONIO PIMENTA
Fonte: Jornal A Hora do Povo

Governo do Paraná vai desapropriar área da Syngenta

Empresa foi denunciada por fazer plantio ilegal de transgênicos no Estado, algo que não pode fazer na Suíça, seu país de origem; no local, será instalado centro de estudo de técnicas agroecológicas

Luís Brasilino,
da Redação

O governo do Paraná vai anunciar a desapropriação da área de 300 hectares da Syngenta em Santa Teresa do Oeste (no oeste paranaense). Em março, 600 militantes da Via Campesina ocuparam o terreno para denunciar o descumprimento de leis federais e estaduais por parte da transnacional suíça de agrotóxicos e transgênicos.

A empresa, uma das maiores indústrias de sementes do mundo, realizava experimentos com milho e soja geneticamente modificados na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu.

Isso caracteriza crime grave contra a biossegurança, pois representa risco de contaminação genética. Além disso, o Parque do Iguaçu foi reconhecido, em 1986, como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco (entidade da Organização das Nações Unidas para educação, ciência e cultura).

"(A punição) É uma das maiores conquistas da luta pela defesa da biodiversidade em todo o mundo", revela Maria Rita Reis, assessora jurídica da ONG Terra de Direitos. Ela destaca o caráter simbólico da decisão já que "a existência de um campo de experimentação de transgênicos em uma zona de amortecimento é uma grande ameaça à biodiversidade".

Tanto é que, no dia anterior à ocupação da Via Campesina, 13 de março, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia multado a Syngenta em R$ 1 milhão pelo crime. À época, Marino Gonçalves, então superintendente do Ibama paranaense, revelou que o plantio da transnacional colocava em risco a produção orgânica na região, a saúde humana, animal e das plantas.

Entretanto, a Syngenta não pagou e nem recorreu da multa. Para Maria Rita, a transnacional preferiu ignorar a determinação do Ibama e centrar seus esforços num trabalho de bastidores. "Com isso, conseguiram do governo federal uma medida provisória reduzindo os limites das zonas de amortecimento. Também houve uma campanha midiática; vários jornais criticaram a ocupação e a multa em editoriais", afirma.

Da cobertura da mídia corporativa, vale destacar matéria do jornal O Estado de São Paulo do dia 3 de julho, onde a legislação brasileira de proteção ambiental é ridicularizada e a ocupação tratada de forma pitoresca. Com o título "A invasão que não chega ao fim", o texto contém ameaças da transnacional de reduzir investimentos no Brasil e, em especial, no Paraná; além de um outro texto no qual um executivo brasileiro relata as dificuldades de explicar a legislação do Brasil para seus superiores na matriz suíça.

Oito meses de luta

Paralelamente às ações da Syngenta, cerca de 100 famílias permaneceram na área, que passou a se chamar Acampamento Terra Livre. No local, a Via Campesina deve instalar um campo de pesquisa e um banco de sementes crioulas, seguindo a mentalidade de que os grãos não podem ser considerados uma mercadoria já que constituem a base da sobrevivência humana.

Os acampados estão perto dessa conquista, já que a desapropriação faz parte das atribuições de governos estaduais quando está em jogo a utilidade pública, caso da área em Santa Tereza do Oeste ameaçada de contaminação pela Syngenta. "Trata-se de uma compra forçada, pelo valor de mercado", esclarece Maria Rita, da Terra de Direitos.
Fonte: Brasil de Fato

Barjas assinou com Vedoin contratos das ambulâncias

“É um fato inédito em milhares de convênios que a CGU auditou”, onde o fornecedor aparece também como procurador do licitante, afirma o ministro Jorge Hage

As mentiras do ex-ministro da Saúde e prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB), durante o seu depoimento à CPMI das Ambulâncias, na terça-feira, complicaram ainda mais a sua situação. Ele tentou negar a sua relação com o empresário Abel Pereira – acusado pelos donos da Planam de ser o operador de Barjas junto aos sanguessugas – dizendo que não recebera contribuições de Abel para sua campanha a prefeito. Mas, pressionado pelos deputados, voltou atrás e admitiu parcialmente a doação de R$ 15 mil, o que também não é verdade. De acordo com o TRE, as empresas da família de Abel Pereira - Construtora e Pavimentadora Cicat Ltda., Construtora e Pavimentadora Concivi Ltda. e Cicat Construção Civil e Pavimentadora Ltda - doaram R$ 45 mil, e não R$ 15 mil, para a campanha que o levou ao cargo de prefeito em 2004.

PROMISCUIDADE

Barjas disse também que nunca teve qualquer relação com a família Vedoin. No entanto, no mesmo dia, a Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou documentos mostrando que em, pelo menos, sete contratos de aquisição de ambulâncias aparecem lado a lado as assinaturas de Barjas (como ministro) e de Darci Vedoin como procurador das prefeituras junto ao Ministério da Saúde. Segundo o ministro Jorge Hage (CGU), “é um fato inédito em milhares de convênios que a CGU auditou”, onde o fornecedor aparece também como procurador do licitante. Barjas Negri tentou minimizar o fato, dizendo que assinou o documento antes do representante da prefeitura (Vedoin). “Não há nenhum cabimento. Seria uma irresponsabilidade o ministro [da Saúde] assinar antes. Ele normalmente assina depois”, contestou Hage. “Veja a que ponto chegava a certeza da impunidade, a promiscuidade completa. O próprio empresário (Vedoin) que vai fornecer o bem – e ele já sabe que vai fornecer – é ele quem assina o convênio com o ministro da Saúde (Barjas)”, afirmou Hage.

Entretanto, não foram só as assinaturas que embaraçaram a vida de Barjas. A data em que foram efetuadas também, pois todos os sete contratos foram firmados no dia 20 de dezembro de 2004, ou melhor, onze dias antes do final da gestão de Barjas Negri no Ministério. A explicação, ele mesmo deu na CPMI: “questão de prioridade”.

Documentos em poder da CPMI mostram que, neste mesmo período, no final de dezembro e início de janeiro, Abel Pereira efetuou nove ligações para a sede da Planam em Cuiabá. Foi também no final da gestão, entre 12 e 24 de dezembro, que Abel conseguiu que Barjas Negri liberasse, em tempo recorde, R$ 500 mil para a ampliação de um hospital na cidade de Jaciara, interior do Mato Grosso. Em apenas 12 dias, Abel conseguiu que o projeto fosse cadastrado, aprovado, assinado e tivesse o dinheiro liberado pelo companheiro Barjas Negri. A liberação dos recursos foi feita no dia 24 de dezembro de 2002, véspera de Natal. A obra foi executada por uma empresa de Abel e os equipamentos hospitalares foram fornecidos pelo grupo Planam. Na CPMI, Barjas disse que esse teria sido um dos poucos contatos que teve com Abel Pereira.

PROPINA

Porém, mesmo que as datas, as ligações, as assinaturas, a liberação dos recursos e os personagens fossem considerados uma ingrata coincidência do destino, para Barjas, é menos provável que os cheques depositados pelos donos da Planam para as contas indicadas por Abel também o sejam. Segundo os Vedoin, 15 cheques, que totalizam R$ 601 mil, foram repassados para o empresário Abel Pereira por conta de seu trabalho de agilizar e intermediar as liberações de recursos junto ao ministro Barjas Negri. Os depósitos foram feitos, coincidentemente, em datas próximas aos fatos relatados acima.

Ainda no depoimento, Negri tentou culpar as prefeituras pelo superfaturamento das ambulâncias, mesmo que os recursos tenham saído do caixa central do Ministério da Saúde. Não explicou, porém, por que a maioria das prefeituras são do PSDB e do PFL, como apontou o CGU, e por que os Vedoin precisaram de Abel Pereira para agilizar a liberação dos recursos, fato reafirmado por Luiz Antônio Vedoin em depoimento no Conselho de Ética da Câmara na mesma terça-feira. De acordo com o levantamento da CGU, quase 40% dos municípios envolvidos eram administrados pelo PSDB (128) e PFL (107).

A Controladoria divulgou ainda que entre os anos de 2000 e 2004, a Planam recebeu R$ 78,9 milhões do Ministério da Saúde pela venda dos veículos. Deste total, R$ 56,5 milhões (71,52%) foram liberados entre 2000 e 2002.

As alegações de Barjas não deixaram os deputados da CPMI satisfeitos. O deputado Eduardo Valverde (PT/RO) apresentou um requerimento para uma acareação entre o ex-ministro, os donos da Planam e o empresário Abel Pereira. “Existe uma dúvida agora: quem está falando a verdade?”, questionou Valverde. “O sr. Vedoin, que apresentou documentos (sobre um suposto esquema de pagamento de propina na assinatura de convênios entre o Ministério da Saúde e prefeituras), ou os dois ex-ministros (Barjas Negri e José Serra) dizendo que não, que aquilo não é verdade e o que havia era uma liberação republicana de acordo com a lei?”.

CONTRATOS

Outro momento nervoso do depoimento foi quando a relatora, Vanessa Grazziotin (PcdoB/AM), questionou Barjas sobre os contratos irregulares que ele acumula no Tribunal de Contas do Estados de São Paulo (TCE) de quando foi presidente da CDHU (102, segundo denúncia do HP) e sobre a acusação dos Vedoin de que Abel Pereira, ligado a Negri, cobrava de 3 a 6,5% de propina para liberação de recursos do MS para a compra de ambulância. Barjas se esquivou, alegando que a pergunta tinha conotação política e que os Vedoin estavam sendo pagos para acusá-lo.

No mesmo TCE, Barjas acumula outras oito condenações por contratos ilegais firmados na prefeitura de Piracicaba. Um dos contratos irregulares foi assinado com a Construtora e Pavimentadora Concivi Ltda, de Abel Pereira. As três empresas de Abel – que hoje é tratado como seu xará foi por Caim – acumulam contratos para executar 37 obras, orçadas em R$ 10,4 milhões na prefeitura de Piracicaba.

No mesmo dia do depoimento de Barjas, também estava marcado o depoimento do ex-ministro José Serra, que não compareceu e não encaminhou explicações para os parlamentares. Barjas foi secretário-executivo de Serra e assumiu o ministério quando este saiu para concorrer à Presidência em 2002. Notícias veiculadas na imprensa, davam conta que o governador eleito de São Paulo estava em Nova Iorque.

ALESSANDRO RODRIGUES
Fonte: Jornal Hora do Povo

Lula invitó en Venezuela a ''soñar con la integración'' suramericana


Lula ofreció un discurso emotivo en el que manifestó su satisfacción por el proceso de integración que se lleva a cabo en el bloque suramericano

El mandatario brasileño, destacó que la construcción del punte "Orinoquia" va a permitir que en Suramérica se sueñe con la integración y destacó que esta iniciativa se extenderá al resto de los países del sur.

El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de visita en Venezuela para inaugurar el segundo puente sobre el río Orinoco, al sureste de venezolano, destacó este lunes que obras como ésta permite ''soñar con la integración''.

''Obras como ésta las queremos hacer en conjunto con Bolivia, Paraguay, Uruguay, Chile, Ecuador porque van a permitir que en Suramérica soñemos con la integración'', destacó el jefe de Estado brasileño

Durante el acto de inauguración de la importante obra de infraestructura, que se realiza en el estado venezolano de Bolívar, en el sureste del país, Lula manifestó su alegría por la concreción del puente , y destacó su convencimiento de que ''hoy más que nunca'' vale la pena luchar por la integración suramericana.

''Me voy hoy de Venezuela más convencido de cuando vine aquí hace algunos años, de que valió la pena, valió la pena creer en la alianza entre Brasil y Venezuela, valió la pena creer en la integración de Suramérica'', subrayó Lula.

En una emotiva intervención, el mandatario brasileño alertó que hay sectores que pretender crear diferencias entre él y Chávez, pero aseguró que la amistad entre ambos jefes de Estado no se debilitará por intrigas.

''No se preocupe presidente Chávez, de vez en cuando intentan hacer intrigas entre Chávez y Lula, intentan crear diferencias entre nosotros, pero aprendí desde niño a conocer a las buenas personas, no apenas por las palabras, sino por la mirada y el corazón'', señaló al referirse a su amistad con el mandatario venezolano.

Compromiso con los más pobres

Lula resaltó que el hecho de haber sido reelecto con 61 por ciento de los votos, incrementa su compromiso con el pueblo brasileño, en especial con los más pobres.

Así mismo, aseguró que ahora y como nunca antes, existe en Venezuela un gobierno que se preocupa por los desposeídos.

''No tengo duda que aquí en Venezuela no había un gobierno que se preocupara tanto por los pobres, como los ha hecho el gobierno del presidente Chávez'', aseveró el jefe de Estado brasileño.

Precisó que tanto para él como para su homólogo Chávez, los pobres no son sólo un número estadístico, sino personas con derechos que deben ser atendidos.

''Quiso Dios que tuviéramos una América Latina y una sóla América diferente. Ya no es sólo el presidente Chávez, ya no es el presidente Lula, otros presidentes electos democráticamente'', como Michelle Bachelet en Chile, Néstor Kirchner de Argentina, Evo Morales de Bolivia o Tabaré Vázquez de Uruguay, también están en la misma búsqueda de la integración.

Enfatizó en la necesidad de que todos los presidentes de América Latina trabajen en el tema de la integración ''como nunca antes'', e impulsar el desarrollo de la región.

Lamentó que algunos medios de comunicación venezolanos, se dieran a la tarea de ''agredir'' al presidente Chávez, algo que destacó también ocurrió en Brasil.

''Nunca había visto a un medio de comunicación que agrediera tanto a un presidente, como lo han hecho algunos medios de comunicación venezolanos'', contra Chávez criticó el gobernante.

Chávez promete que visitará Brasil tras elecciones de diciembre

El presidente venezolano, por su parte, se mostró satisfecho por la inauguración de esta obra, la más importante que se ha construido en los últimos años en la región latinoamericana.

Chávez prometió a su homólogo que, en gesto de reciprocidad, Brasil será la primera nación que visitará luego de los comicios del próximo 3 de diciembre, en las que aspira reelegirse.

"El 7 de diciembre, estaré en Brasilia. El primer país que visitaré reelecto será Brasil, para seguir uniendo a suramérica, (esto) es vital para la unión de Suramericana", sostuvo el Jefe de Estado, quien destacó que Venezuela es la primera nación a la que ha viajado Lula da Silva tras alcanzar su reelección, el pasado 29 de octubre.

Además de destacar el impacto positivo que tendrá en las poblaciones fronterizas el II Puente sobre el río Orinoco, Chávez confirmó que en la jornada de este lunes visitará con Lula da Silva la Faja Petrolífera del Orinoco, donde ambas naciones tienen inversiones conjuntas para la certificación de reservas de crudo en el Bloque Carabobo 1.

El Jefe de Estado venezolano recordó que la Faja Petrolífera del Orinoco es hasta ahora "la reserva más grande" de crudo de este planeta, y que sólo en el Bloque Carabobo 1 se estiman que hay cerca de nueve mil millones de barriles recuperables.

"Eso es sólo en un bloque, pero allí (en toda la Faja) hay cerca de 300 mil recuperables", sostuvo el presidente Chávez, quien precisó que se podrá recuperar alrededor de 20 por ciento.

El gobernante también prometió que estos recursos energéticos estarán al servicio de la región suramericana y servirán para impulsar la integración.

Lula arribó en la noche de este domingo a ciudad Guayana, en el centro este de Venezuela, para participar este lunes de la inauguración del segundo puente sobre el río Orinoco.

En su primer viaje al exterior desde su reelección, Lula fue recibido junto a su delegación por el mandatario venezolano, Hugo Chávez, quien a su llegada a la zona informó que el próximo 7 de diciembre viajará a Brasilia luego de su reelección como jefe de Estado, ''éste será mi primer viaje como presidente reelecto'', dijo.

Según informó la cancillería venezolana, además de acudir a la apertura de la gigantesca obra que ayudará a fortalecer el comercio entre ambos países, los líderes progresistas también tienen previsto visitar la faja petrolífera del Orinoco, donde la petrolera estatal de Brasil, Petrobrás, participa en la certificación de reservas de crudo.

Orinoquia estrecha integración entre Brasil y Venezuela

El II Puente sobre el río Orinoco es una de las obras de ingenierías más importantes que se construye en América Latina, que unirá poblaciones entre Brasil y Venezuela.

Con la edificación de este puente, en el que se invirtieron mil 220 millones de dólares, se espera aumenten las relaciones comerciales entre Brasil y Venezuela, especialmente en el área forestal y petrolífera, así como el intercambio del turismo de playa entre estas dos naciones.

El puente se llamará Orinoquia, en homenaje a la voz aborigen que identifica a la zona en la que se encuentra el tercer río más caudaloso del mundo.

La obra carretero-ferroviario tiene tres mil 156 metros de longitud y un viaducto que mide 758 metros, mientras que la vialidad abarca 230 kilómetros repartidas en tres regiones venezolanas.

La nueva vía conectará los estados brasileños Amazonas y Roraima con los puertos de exportación de venezolanos.

La ejecución de esta obra mixta, con cuatro canales vehiculares y uno de vía férrea, se prolongó cinco años, en los que se generaron alrededor de 20 mil empleos, directos e indirectos.

En la edificación del puente, que estuvo a cargo de la empresa brasileña Odebrecht, asesoraron expertos en ingeniería de Dinamarca, Inglaterra y Alemania.

La misma empresa Odebrecht prevé construir un tercer puente sobre el río Orinoco, entre los estados Guárico y Bolívar, a un costo estimado de 991 millones de dólares, que debe estar listo en 2010, de acuerdo con las agencias internacionales de noticias.

El primer puente sobre el río Orinoco, de mil 678 metros de longitud, fue inaugurado en 1967.

Luego de la inauguración de la obra, y después de su visita a la faja petrolífera del Orinoco, el presidente Lula da Silva ofrecerá una conferencia de prensa y regresará a Brasilia este mismo lunes.
TeleSUR 13/11/06

Lula inaugura obras com Chávez e recebe a crítica da oposição

Por Redação, com ABr e sucursais - de Caracas e Ciudad Guayana

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela, encontraram-se nesta segunda-feira para uma série de compromissos políticos e econômicos de interesse dos dois países. O dia começou com um café da manhã de trabalho, em Ciudad Guayana. Em seguida, Lula e Chávez participaram da inauguração da II Ponte do Rio Orinoco. Em seguida, Lula e Chávez inauguraram as reservas da faixa petrolífera de Carobobo I na Faixa do Orinoco, realizadas conjuntamente pelas empresas Petrobras e PDVSA. Logo depois, o chefe do governo brasileiro falou aos jornalistas e embarcou de volta a Brasília.

De acordo com o Itamaraty, a II Ponte do Rio Orinoco foi construída por uma empresa brasileira e será um importante corredor de transportes, que facilitará o acesso às regiões central e oriental da Venezuela. A construção contribuirá para incrementar o comércio bilateral, que ultrapassou US$ 3 bilhões no período de janeiro a setembro de 2006, e para estabelecer rota de exportação ligando Boa Vista e Manaus ao Mar do Caribe.

Disputa eleitoral

A visita de Lula à Venezuela foi criticada pela oposição ao governo de Hugo Chávez. Daqui a três semanas, no dia 3 de dezembro, será realizada a eleição. Hugo Chávez concorre novamente ao cargo. O candidato da oposição, Manuel Rosales, diz que a visita de Lula tem caráter eleitoral. Como no Brasil, o presidente da República venezuelano pode se reeleger apenas uma vez. A diferença é que cada mandato tem duração de seis anos.

O convite de Hugo Chávez ao presidente brasileiro foi feito há dois meses. Mas como a Lei Eleitoral brasileira não permite inauguração de obras, Lula preferiu adiar o encontro, que acabou recaindo sobre o período eleitoral venezuelano. Os 23 Estados, o Distrito Capital (que comprende a capital Caracas) e as 72 ilhas venezuelanas são divididos em nove regiões. O principal produto de exportação é o petróleo.

A cidade de Guayana, onde o presidente brasileiro chegou, na noite deste domingo, é considerada uma das mais modernas do país já que abriga as maiores empresas de exploração de ferro e alumínio, os dois principias produtos de exportação depois do petróleo. É sede também da Central Hidroelétrica de Hurí, a segunda maior represa do mundo.

Fonte: Correio do Brasil

segunda-feira, novembro 13, 2006

Jabor, Mainardi e Jô

Conheço muito bem o Diogo Mainardi. É um “mané”, como se diz aqui no Rio. Ele, o Diogo, nasceu em São Paulo, mas vive entre Veneza, São Paulo e Rio. Ele sempre mete o malho no Brasil mas quando está em Veneza e uma das suas crias que tem paralisia cerebral precisa de atendimento médico, ele volta correndo para o Rio atrás do médico especialista que atende sua cria. Aqui em Ipanema, sou vizinho dele e do Ali Kamel e, ultimamente, quando estou correndo na orla da praia, tenho visto o baixinho do Diogo, com seus 1,67m de altura, mais triste e cabisbaixo. Aliás, ele sempre foi triste e cabisbaixo.

O Diogo tentou ser cineasta, assim como o Jabor e fracassou; assim como o Jabor, tentou ser escritor e fracassou; Tentou, assim como o Jabor, incorporar o espírito do Paulo Francis no Manhattan Connection e fracassou; Paulo Francis! Sai que esses corpos não te pertencem! Diogo e Jabor tentaram ser jornalistas e fracassaram. Ele, o Diogo, assim como o Jabor e o Jô Soares se acham intelectuais, mas todos os três só têm o segundo grau. O Jabor se diz advogado, mas só assistiu algumas aulas no primeiro semestre e desapareceu da faculdade.

O Diogo diz que cursou algumas aulas de economia na Inglaterra e abandonou para ler os livros do Gore Vidal, emprestados pelo Ivan Lessa. Tá. E daí?

O Diogo agora está fazendo dobradinha com o Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. O Marcelo Madureira, que na década de 70, fazia parte do Diretório Central dos Estudantes da PUC-Rio, e que fracassou quando administrava o bandejão da Universidade e foi expulso da administração pelas várias bobagens que fez.

A Cora Rónai que também critica o Lula pela baixa escolaridade, também não tem curso superior e foi levada pelo Millôr Fernandes quando ela tinha 17 anos de idade para trabalhar n´O Globo. Diz ela que o Millôr se baseou “somente nos textos dela” como critério para empregá-la no jornal.

O Jô costuma dizer que o curso que ele fez na Suíça não é reconhecido no Brasil, mas nunca diz que curso é esse que ele fez por lá. O Jô é filho único de um casal de grã-finos que morava no Copacabana Palace. Durante a ditadura, ele se auto-exilou em um hotel 5 estrelas no Chile, para ficar bem com a classe artística.

De famílias de posses, os três sempre tiveram condições para estudar, mas nunca estudaram e se acham no direito de criticar e humilhar o Lula, como fez o Jô, semana passada, no seu programa durante a entrevista com a Miriam Leitão.

Saber mais é fácil. Saber melhor, só a vida ensina.

Esses três só fazem sucesso em uma parte da classe média e “nouveau-riches” que se acham cultos e clássicos por ler livros do Sidney Sheldon, Veja, assistirem ao Jô, Manhattan Connection e por ter descoberto, recentemente, a culinária japonesa e que não conseguem perceber que o programa do Jô explora um filão já esgotado e que é uma imitação barata de um programa norte-americano, desde a aparência dos músicos, cenário e até a claque.

A classe média tem grande poder de mobilização, mas suas aspirações a levam a vacilar nos momentos mais importantes. Foi assim em 1917, na Rússia, ou em 1964, no Brasil. Basta a simples ameaça de se afastar dos ricos sua maior aspiração e se aproximar dos mais pobres seu maior pesadelo para que a classe média, mesmo a mais radicalizada, se apavore e afine a valentia.

O discurso da classe média é extremamente moralista, marcado com o ferro e o fogo do preconceito de quem ainda não se definiu como classe, e sectário na medida em que o cartão de crédito começa a zerar.

É isso que faz a aliança de setores das elites com uma parcela alienada da classe média, que se informa pela televisão, entrega sua emoção às telenovelas e sua formação a porta-vozes do pensamento conservador, aos quais se abrem muitos dos principais meios de comunicação. Não lhes importa que a política econômica venha tendo êxito que os beneficia.

Ricos e intelectuais não lêem a Veja, Jabor ou assistem ao Jô e ao Manhattam Connection.

Os verdadeiros ricos e intelectuais, mas nem todos os seus herdeiros, se preocupam com os mais pobres e não humilham.

Stanley.

http://oposicaonoparedao.blogspot.com

A mídia perdeu as eleições

MARCOS ROLIM/ Jornalista

Há um interessante debate no país sobre a conduta da mídia nas últimas eleições que, infelizmente, ainda não mereceu a atenção de muitos veículos de comunicação. Compreende-se. Certos grupos podem oferecer destaque a qualquer assunto, por mais irrelevante que seja, mas não julgam pertinente debater seus próprios compromissos ou condutas. O Observatório Brasileiro de Mídia realizou estudo sobre a posição de 14 colunistas, de cinco entre os mais importantes jornais brasileiros: Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Correio Braziliense, quanto aos quatro principais candidatos à Presidência, apontando que o número de menções negativas a Lula foi quase quatro vezes superior às menções críticas para Geraldo Alckmin. Merval Pereira e Miriam Leitão, ambos da Globo, foram os recordistas nas críticas a Lula e, ao mesmo tempo, os que mais isentaram Alckmin. A Globo, aliás, arquivou reportagens sobre o envolvimento de tucanos com a máfia dos sanguessugas e só foi superada no quesito parcialidade pela fábrica de maldades em que se transformou a (ex) revista Veja. Alguns dos melhores jornalistas brasileiros, como Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim, têm insistido nesta crítica. Nassif publicou em seu blog um texto cujo título é "Réquiem do jornalismo"; enquanto Amorim escreveu em seu site "Conversa afiada" artigo em que condena o que chamou de "golpe de Estado que levou a eleição para o segundo turno".

A conduta da imprensa brasileira ao longo de toda a campanha não considerou importante avaliar até que ponto o candidato Alckmin, por exemplo, poderia sustentar a idéia de um "Brasil decente". Se a ética política foi um tema central no debate eleitoral e se Lula tinha muitas explicações a oferecer neste ponto, tudo se passou como se Alckmin estivesse imune às demandas por moralidade e fosse, implicitamente, uma resposta a elas. O resultado foi que a classe média ouviu uma história pela metade. Por isso, a interpretação dos resultados eleitorais que deram a Lula uma votação consagradora foram, quase que naturalmente, associados à ignorância e ao clientelismo. O fenômeno, entretanto, é bem mais complexo. Cito, neste particular, a opinião do diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, que disse: "(...) Ganhou o voto de quem se sentiu satisfeito com o que está vivendo e convencido de que os pecados de Lula e do PT só serão resolvidos quando todo o sistema político mudar. Ganhou, portanto, um voto concreto e informado, o inverso do que imaginam alguns analistas, que mais tendem a repetir estereótipos que a criticá-los" (...). "Tenho acompanhado a eleição desde muito cedo e com diversos instrumentos de pesquisa. É, para mim, muito claro que foram os eleitores de "classe média", de maior escolaridade e renda, muitos vivendo em cidades grandes e modernas, os que mais tenderam a ser 'manipulados'. Foram eles os que mais se revelaram propensos a votar segundo a informação recebida, de maneira acrítica e, muitas vezes, superficial. Ou seja, cada vez que alguém se inflamava contra a ignorância dos pobres, dirigia mal suas baterias".

Nesta discussão, não seria demais lembrar Paulo Virilio, para quem a mídia contemporânea é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra. Tudo se passa, então, como se a crítica à imprensa fosse, em si mesma, um "atentado à liberdade de expressão". Algo que o filósofo resume com uma única palavra: cinismo. A mesma conduta, aliás, dos que hoje silenciam sobre a absurda condenação de Emir Sader. (A propósito, os que não sabem sobre o que ocorreu com Sader, podem encontrar informações em http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirSecao&id_secao=13).

Enfim, para futuras eleições, será que a mídia (impressa e eletrônica) adotará comportamento verdadeiramente jornalístico, de modo a extrair dos candidatos o sumo do que efetivamente tenham para apresentar como programa de governo? Ou ainda estaremos, para sempre, condenados a votos oriundos de "crenças", "simpatias", "rancores", "assistencialismos", "promessas vãs", "elite vs. povo", "direita vs. esquerda" e outros clichês que mobilizam "torcedores" e potencializam a "cegueira" de parte a parte, fazendo da escolha verdadeiro "arrastão"?

Em nome de uma suposta (e sagrada) liberdade de expressão, a mídia tudo podia. Por que esse princípio sacramentado [o da liberdade de expressão] não serve também para proteger Emir Sader do mandonismo dos "donos do poder" (como dizia Faoro)? Eles tudo podiam em nome da tal liberdade de expressão, ou de imprensa - como, às vezes, preferem. A seu bel-prazer, a mídia caluniava, mentia, distorcia, manipulava - note que me utilizo aqui do tempo pretérito, como que a marcar o passado e sinalizar o porvir, o daqui para frente. Também a seu bel-prazer, elegia governadores, prefeitos, deputados, presidentes (quem não se lembra do "fenômeno" Collor?) etc - elegia até um poste, dizia-se. Também a seu bel-prazer cassava os mandatos de governadores, prefeitos, deputados, presidentes (Collor, também nesse caso, nos serve como exemplo) etc. Construía e destruía famas, reputações. A mídia tocava a sua flauta, e nós, os ratinhos enfeitiçados, a seguíamos diligentes, comportados - muitas vezes, rumo a nossa própria desgraça. Impunha-nos suas verdades. Não mais. A grande mídia, e é essa a grande novidade, já não mais detém o monopólio da opinião pública. Já não nos guia em direção ao precipício, como se cegos fôssemos.

domingo, novembro 12, 2006

Anistia a grande empresa zera déficit de SP

Grande parte do R$ 1 bilhão arrecadado veio de companhias supostamente envolvidas em esquema de exportação fictícia

Desconto de até 90% em multas e juros devidos deve permitir a José Serra iniciar o seu governo com dinheiro em caixa

FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL

No final de outubro entrou nos cofres da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo ao menos R$ 1 bilhão devido à lei da anistia, que permite descontos de até 90% nas de multas e nos juros para quem tem dívidas de ICMS. Boa parte dos recursos veio de grandes empresas devedoras.
Com esse dinheiro em caixa, o Estado elimina a possibilidade de encerrar o ano com déficit nas contas, de ao menos R$ 500 milhões a até R$ 1,2 bilhão, como chegou a ser previsto.
Grande parte do R$ 1 bilhão foi paga à Fazenda paulista por empresas supostamente envolvidas em esquema de exportação fictícia de soja e derivados -sugerido por consultorias de planejamento tributário- para obter créditos de ICMS.
Em julho e agosto do ano passado, a Folha noticiou que o rombo causado aos cofres públicos com as falsas exportações de soja e derivados era de cerca de R$ 2 bilhões. Cerca de dez empresas teriam se beneficiado desse esquema.
A Folha apurou que as redes Pão de Açúcar e Casas Pernambucanas pagaram cada uma -e de uma só vez- cerca de R$ 100 milhões à Fazenda para quitar débitos de ICMS.
Também teriam pago ou feito contatos para o pagamento de dívidas tributárias em atraso a Bausch & Lomb, a Sucos Del Valle, a Tigre Tubos e Conexões e a Beraca Sabará.
Essas empresas se beneficiaram no passado com créditos de ICMS devido à exportação fictícia de soja. Até o final do ano há descontos escalonados de multas e juros para saldar dívidas em atraso de ICMS.
As empresas que rechearam os cofres do fisco paulista com R$ 1 bilhão fizeram questão de deixar expresso nas guias de recolhimento de imposto que o fato de pagarem as dívidas de ICMS não significava reconhecimento de eventual prática de ato ilícito para escapar do pagamento de impostos. Informaram ainda à Fazenda paulista que não estavam renunciando ao direito de obter o dinheiro de volta, se ficar comprovado que as operações de exportação de soja e derivados que deram créditos de ICMS são lícitas.
Essas operações são possíveis, segundo informam agentes da Fazenda paulista, desde que sejam de fato realizadas -e não aconteçam só no papel, como apontaram as investigações do fisco estadual.
O pagamento de R$ 1 bilhão fará com que o Estado termine o ano, na pior das hipóteses, com déficit zero em suas contas. A expectativa era a de que a anistia possibilitasse a entrada de R$ 500 milhões nos cofres da Fazenda, não de R$ 1 bilhão. Isso sem contar os pagamentos de dívidas de ICMS que devem ocorrer neste mês e em dezembro. "O Serra [José Serra, governador eleito] vai pegar o Estado de São Paulo redondinho, com sobras em caixa", disse o consultor tributário Clovis Panzarini.
Na sua análise, o governo paulista errou nas projeções para este ano e, por conta disso, corria o risco de fechar 2006 com déficit da ordem de R$ 1,2 bilhão. Previa uma inflação ao redor de 5% e um crescimento do PIB de 4%. "A inflação e o PIB vão ficar em 3%. O governo precisou fechar a torneira."
A lei da anistia veio para ajudar a equilibrar as contas. "Significa que o governo tem responsabilidade fiscal, só que não pode dar anistia com regularidade. O perdão fiscal tem de ser feito de forma ajuizada para não prejudicar os bons pagadores", disse Panzarini.
A decisão do governo de conceder anistia para empresas envolvidas no esquema de exportação fictícia de soja vai na contramão do que pensava a Fazenda paulista em 2005. "Não há hipótese de falar em anistia", disse, em julho daquele ano, Eduardo Guardia, então secretário da Fazenda.

Fonte: Folha on line

sábado, novembro 11, 2006

Crise neoliberal gera movimentos sociais no Brasil

Por Artenius Daniel

Os primeiros a ficarem conhecidos foram os Sem-Terra. Depois vieram os Sem-Teto. Logo apareceram os Sem-Emprego, os Atingidos por Barragens e muitos outros. Apesar de figurarem quase sempre negativamente na chamada grande imprensa e na opinião de alguns setores da sociedade, os movimentos sociais não param de crescer no Brasil. Num país campeão em desigualdade social, todas as entidades que lutam por mudanças na sociedade brasileira são "Sem", de alguma forma: "Sem aquilo o que reivindicam".

Segundo João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), a diversificação das lutas populares é o reflexo de um modelo econômico e social falho. Em entrevista ao portal EstudanteNet, ele disse que o crescimento no número de entidades é importante.

"É extremamente positivo, o aumento significativo desses movimentos mostra o fruto da crise neoliberal. O aumento da pobreza e a crise do sistema político-partidário também influenciam esse processo", acredita.

Mais de 300 entidades foram convocadas para plenária da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), criada em 2003 por entidades como MST, CUT, UNE, UBES, MMM, UNEGRO, tem o objetivo de articular as diversas tendências das lutas populares em torno de bandeiras em comum.

João Paulo explica que a plenária é um momento para a unificação: "Acredito que a CMS tem dado unidade ideológica aos movimentos, caso contrário, pode haver pulverização da luta e o enfraquecimento da classe trabalhadora".

Ele acredita que o crescimento do movimento social precisa acontecer independentemente da luta política. "Acho que, historicamente, nós vamos precisar de partidos fortes para cuidar da questão partidária e movimentos sociais fortes cuidando da vida social. Os movimentos devem ter total autonomia em relação aos partidos", avalia.

América Latina

Fortalecer a agenda de atuação dos movimentos sociais é muito importante nesse momento, segundo a opinião de Nalu Faria (foto), da coordenação brasileira da Marcha Mundial das Mulheres (MMM). Em conversa com nossa reportagem ela disse que "os movimentos precisam valorizar suas datas mais importantes, como o oito de março, o grito dos excluídos, o grito de moradia, e outras".

Para ela, a luta dos movimentos sociais brasileiros precisa se integrar também à dos outros países latino-americanos e a plenária da CMS é também um momento de integração do continente:

"Temos consciência de que não vamos conseguir desenvolvimento sozinhos. Precisaremos discutir a América Latina e espero que isso esteja na pauta da Plenária da CMS. Temos a Cumbre de Los Pueblos que acontecerá em breve e precisamos debater esse assunto", explica.

Bandeiras

Para o líder do MST, o encontro no fim de semana deverá definir pelo menos três bandeiras principais de todo movimento: "Acredito que poderiam ser Educação, Política Econômica do Governo e um tema que acabou surgindo que são os Meios de Comunicação", resume.

Na opinião da diretora de Relações Internacionais da UNE, Lúcia Stumpf, a Plenária da CMS servirá para definir o posicionamento dos movimentos sociais no próximo mandato do presidente Lula: "Acho que a CMS tem que ter um papel muito protagonista nesse segundo mandato. Está mais do que na hora de as mudanças importantes serem implementadas no Brasil", convoca.

A diretora da UNE disse que o movimento estudantil levantará as questões sobre educação que julga mais importantes nesse momento. "Vamos tentar amplificar a campanha contra os abusos nas mensalidades, que é uma pauta urgente emergencial, mas vamos discutir, principalmente, a ampliação do acesso ao ensino superior, a criação de mais vagas para o Prouni, mais universidades e mais concursos para professores e funcionários do ensino", ressaltou.

Suplicy lê e apóia manifesto a Emir Sader, no Senado

Da Redação - Carta Maior

BRASÍLIA - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) fez um apelo à Justiça brasileira pela revisão da sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que condenou o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Emir Sader, também colunista da agência Carta Maior, em processo por injúria movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC).

Além de ler em Plenário o "Manifesto em Solidariedade a Sader", Suplicy registrou seu apoio ao documento, que já reúne mais de 11 mil assinaturas. Segundo o petista, as adesões ao manifesto podem ser feitas pelo seguinte endereço eletrônico: www.petitiononline.com/emir/petition.html

As informações são da Agência Senado.

Deputados de Santa Catarina aprovam apoio a Emir Sader

Júlio Garcia (PFL), presidente da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, deu o voto decisivo para aprovar a moção de repúdio ao resultado da ação de Jorge Bornhausen, presidente do PFL, movida na Justiça contra o sociólogo Emir Sader.

Rafael Sampaio – Carta Maior

SÃO PAULO – A reação à condenação do sociólogo e colunista de Carta Maior Emir Sader no processo de injúria movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) obteve uma amplitude inédita. Além das mais de 10 mil assinaturas de intelectuais, artistas, personalidades e ativistas, agora são os próprios companheiros de partido do senador que se manifestam contra a sentença, informa o website do jornalista Paulo Henrique Amorim.

O deputado estadual Júlio Garcia (PFL-SC) e presidente da Assembléia Legislativa catarinense ajudou a desempatar a votação de uma moção de repúdio à ação de Bornhausen, aprovada na terça-feira (7). Os parlamentares haviam se dividido entre 10 favoráveis ao repúdio e 10 contra, causando empate na votação. Faltava um voto de Minerva, que veio do presidente da Casa.

A moção deve ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). De acordo com seu conteúdo, Emir Sader é um intelectual “reconhecido nacional e internacionalmente na luta que empreende na defesa dos direitos humanos e na construção de uma sociedade justa e igualitária”.

Outro trecho da nota afirma que a decisão tomada pelo juiz da 22a Vara Criminal de São Paulo ocasiona “sérios e irreparáveis prejuízos à academia científica brasileira”. Por fim, o texto aprovado manifesta sua “indignação perante a exagerada e desproporcional decisão tomada pelo juiz, a qual constitui uma afronta ao princípio da liberdade de expressão”.

Outros apoios
Na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a deputada Inês Pandeló (PT) repudiou a decisão do juiz Rodrigo César Muller Valente, que condenou o professor Emir Sader a um ano de detenção, em regime aberto. A pena pode ser convertida em serviços prestados à comunidade e na perda do cargo de professor da UERJ. Ela informa que ainda cabe recurso dessa sentença, que julga arbitrária e antidemocrática.

Fonte: Agência Carta Maior

Carta de deputado ao PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Belo Horizonte, 10 de novembro de 2006

Ofício 2006

Exmo Senhor,

Foi com muita satisfação que li, no jornal Folha de São Paulo do dia 4 de novembro de 2006, declaração de Vossa Excelência de que o inquérito sobre o “caso Eduardo Azeredo” está em fase final, tendo previsão de apresentação de denúncia para o período entre os dias 20 e 30 deste mês.

Nestes oito anos de mandato como deputado estadual em Minas Gerais, venho acompanhando e denunciando a utilização de “caixa dois”, o uso irregular de verbas públicas e de recursos provenientes de empréstimos bancários obtidos tendo como aval contratos estaduais, na campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo. É nesta condição, e na de vice-presidente da Assembléia Legislativa Mineira, que torço pela real presteza na apuração do referido caso, o que culminaria com a apresentação da denúncia na data por Vossa Excelência prevista.

Além disto, caro procurador-geral, ressalto-lhe — a despeito da certeza de Vossa ciência —, a importância da descoberta da origem de todo o “mensalão”, a qual tornaria completo todo o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público.

Aproveito a oportunidade para informar-lhe que vasta documentação sobre o caso, obtida em minha atuação como deputado, foram entregues por mim aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e à Polícia Federal, os quais já devem, portanto, constar nos autos do inquérito. Cabe informar, ainda, que um resumo de todas as informações por mim obtidas foi encaminhado ao presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral e ao relator, deputado Osmar Serraglio. Abaixo, remeto-lhe igual conteúdo, colocando-me à disposição para relatá-los em detalhe, e pessoalmente, caso Vossa Excelência julgue necessário. Reitero que possuo documentos comprobatórios, os quais entreguei ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, ao Ministério Público Federal, e à Polícia Federal e que colocarei a Vossa disposição se preciso for.

1. No ano de 1996, após o misterioso falecimento de um dos sócios, Sr.Maurício Moreira da Silva, e a entrada de Marcos Valério e Clésio Andrade para a sociedade, a agência SMP&B Propaganda passa a ser denominada SMP&B Comunicação. Com esta mudança, a empresa deixou de ser exclusivamente uma elaboradora de propagandas e passou a atuar na obtenção de recursos para campanhas eleitorais;

2. Entre os dias 25 de maio e quatro de setembro de 1998, o governo do Estado promoveu a transferência de três milhões de reais para a empresa SMP&B, com conta no Banco Rural. O dinheiro foi repassado através de dois órgãos da administração indireta do Estado de Minas Gerais, as estatais COPASA e Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig). A referida importância foi utilizada para patrocinar o evento denominado “Enduro da Independência”, realizado pelo Estado com os trabalhos da SMP&B. O Ministério Público Estadual entrou com ação civil pública por atos de improbidade administrativa contra o Sr. Eduardo Azeredo e outros dez réus, que foi acolhida e tramita, agora, no Superior Tribunal Federal. Não houve licitação e não há comprovação de serviços de publicidade prestados ;

3. O Sr. Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha de Azeredo, moveu contra ele, em 2004, uma ação por danos morais e materiais sob a justificativa de que teria contraído dívidas para cobrir gastos da campanha de 98. Nesta, Mourão afirma que "no epílogo da campanha existia uma dívida de mais de R$ 20 milhões". Na Justiça Eleitoral, o então candidato declarou o gasto de R$ 8,5 milhões, não tendo apresentado dívida alguma. Dá-se então, como assumiram o próprio senador Eduardo Azeredo, presidente do PSDB Nacional, e Nárcio Rodrigues, que preside o estadual, o uso inequívoco de um imenso caixa dois via empresas de Marcos Valério. A pendenga só teve fim depois que Marcos Valério pagou a dívida do senador com o tesoureiro. O pagamento foi feito por meio do cheque número 7683, de 700 mil reais, emitido por Marcos Valério em 18 de setembro de 2002. O dinheiro saiu de uma conta mantida pelo casal na agência Assembléia do Banco Rural em Belo Horizonte. Nos autos do processo que corre na Justiça há um recibo de Mourão acusando a quitação do débito. Coincidentemente, o acerto que Valério fez com Mourão em nome de Azeredo ocorreu numa época em que o senador e o publicitário andaram se comunicando regularmente (53 ligações telefônicas segundo a quebra de sigilo telefônico de Valério). Apesar do acordo firmado em 2002, Cláudio Mourão voltou à carga contra o senador este ano, ingressando no STF, em 28 de março, com uma ação de indenização por danos materiais e morais. O novo processo de Mourão teve um desfecho igualmente suspeito. Misteriosamente, o ex-tesoureiro retirou a ação, numa decisão tomada em 12 de agosto, semanas após o surgimento dos documentos que apontavam as primeiras ligações de Azeredo com Marcos Valério.

4. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) efetuou diversos pagamentos a SMP&B Comunicação em 1998 e em 1999, no valor total de R$ 2.182.512,72. Ressalta-se, aqui, o realizado no dia 21 de outubro de 1998.

Data Valor em Reais
19/06/98 R$ 57.500,00
04/08/98 R$ 75.000,00
07/10/98 R$ 65.613,25
21/10/98 R$ 1.673.981,90[1]
09/12/98 R$ 53.713,05
18/12/98 R$ 121.000,00
05/02/99 R$ 60.704,52
07/11/99 R$ 75.000,00

5. Em 22 de outubro a SMP&B, data, portanto, posterior ao depósito do dia 21, efetuou vários pagamentos a políticos ligados ao ex-governador Eduardo Azeredo. Os mesmos são comprovados por doc's do Banco de Crédito Nacional e totalizam R$1.162.459,28. Ressalta-se também que foram feitos, através de doc's do Banco Rural, no dia 28 de setembro de 1998, à véspera do primeiro turno, depósitos que totalizam R$718.025,00, a pessoas também ligadas ao PSDB, PFL e aliados, com dinheiro proveniente da conta da SMP&B. Os destinatários dos valores foram apresentados por Marcos Valério, no dia 9 de agosto deste ano, à CPI do Mensalão. Ou seja, dia 21 a Cemig repassa a SMP&B R$ 1.673.981,90 e a empresa, no dia seguinte, o distribui a políticos para ajudar na campanha de segundo turno de Azeredo. Pelo menos os deputados federais Romeu Anízio e Custódio Mattos foram beneficiados, além de Paulo Abi-Ackel, filho do relator da CPI do Mensalão, Ibraim Abi-Ackel, e outros deputados estaduais;

6. O Sr. Nilton Monteiro, que participou, à época, da campanha de Azeredo, denuncia que o valor total das contas da mesma chegou a R$ 53 milhões. Ele apresentou os doc's bancários dos repasses aos políticos ligados a Azeredo; uma lista manuscrita, que foi assumida pelo ministro Walfrido Mares Guia, ex-vice-governador de Minas Gerais e uma lista (periciada pela Polícia Federal e com autenticidade confirmada) que envolve outros possíveis beneficiários do caixa dois e que, segundo ele, pode ter veracidade comprovada pelo Sr. Cláudio Mourão. O próprio Marcos Valério disse em seu depoimento à CPI que existem, além dos já apresentados, nomes "graúdos" de outros receptores dos recursos.

7. O Sr. Rogério Tolentino integrou a corte do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE). Após sua saída do TRE, tornou-se advogado de Marcos Valério e sócio do mesmo na empresa "Tolentino e Melo Assessoria Empresarial". Especula-se que ele tenha agido, enquanto juiz eleitoral, influenciado por suas relações com Valério, inclusive na votação da prestação de contas da campanha do ex-governador, o que, se comprovado, poderia vir a anulá-la;

Para tentar esclarecer os fatos, apresentamos na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pedido de instalação de uma CPI para apuração de contratos firmados entre as empresas SMP&B Comunicações e DNA Propagandas e outras agências com órgãos públicos em Minas Gerais. A mesma não pôde ser instalada por não termos conseguido recolher o número de assinaturas necessárias, pois os deputados do PSDB, PFL e aliados não quiseram aderir. Além disto, toda a documentação foi entregue ao Ministério Público Estadual, para o promotor Dr. Leonardo Barbabela, ao Ministério Público Federal, nas mãos do Dr. Eduardo Morato Fonseca e à Polícia Federal.

Na ALMG, apresentei requerimento e ofício pedindo informações à Cemig e ao atual presidente, Djalma Morais, referentes aos pagamentos feitos a SMP&B em 1998 e 1999. Em sua resposta, a Cemig afirma ter utilizado os valores acima descritos como pagamento de peças publicitárias da estatal. Com minuciosa apuração, constatamos que uma das gráficas utilizadas, a Graffar, é de propriedade de “laranjas”.

[1] Valor dividido em quatro pagamentos distintos, efetuados na referida data.

Sem mais para o momento, coloco-me à disposição.


Atenciosamente,



Rogério Correia

Deputado Estadual – PT

II Vice Presidente ALMG


EXMO. SR.

ANTÔNIO FERNANDO SOUZA

PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

sexta-feira, novembro 10, 2006

Promotor de Justiça pede anulação da sentença contra Emir Sader

Recurso do promotor de Justiça Renato Eugênio de Freitas Peres, do Ministério Público de São Paulo, diz que o processo movido pelo senador Bornhausen contra o professor Emir Sader sequer deveria ter sido acolhido em tribunal.

Flávio Aguiar – Carta Maior

SÃO PAULO – O promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, Renato Eugênio de Freitas Peres, entrou com recurso junto ao juiz de Direito da 22ª Vara Criminal de São Paulo, Rodrigo Cesar Muller Valente, que condenou o professor Emir Sader a um ano de detenção e a perda do seu cargo na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), pedindo anulação da sentença.

O parecer emitido pelo promotor historicia o caso desde o seu
início. Para pedir a anulação da sentença, o promotor afirma que há incongruência, inadequação e inconsistência na decisão. Começa dizendo que a sentença contra o réu destoa completamente de outras sentenças, praticadas inclusive na 22ª Vara, em face de acusações muito mais graves, como tráfico de entorpecentes, furtos qualificados e outros.

“Assim vislumbra-se que no presente caso o professor universitário querelado foi condenado com pena de igual duração àquela que alguns juízes pretendem conferir a traficantes. Houve um tempo que chamavam situações como esta, no direito, de teratológicas”, escreve o promotor. “Mas não é só”, continua. “Como pode agora um professor universitário ser condenado por expressão de opinião?”

Manifestando perplexidade, o recurso diz que “em quinze anos de carreira” o promotor nunca teve conhecimento de uma condenação por crime contra a honra, inclusive na 22ª Vara. E reclama que já apresentou seus argumentos por ocasião desse julgamento em primeira instância, mas que pelo visto “sequer foram apreciadas as questões suscitadas”, motivo pelo qual vai reapresentá-las. E diz: “É sabido que muitos Juízes dizem que sequer lêem o que escreve o Ministério Público”.

A partir daí o promotor declara que a queixa-crime sequer deveria ter sido recebida em juízo, em primeiro lugar por não ser precisa na qualificação do suposto crime cometido, se era de injúria, calúnia ou difamação. Acrescenta que o juiz acabou desconsiderando as acusações de “calúnia” e de “difamação”, só aceitando a de “calúnia”, e que nisto houve erro de juízo. Ou seja, o recurso desqualifica a própria conceituação com que o juiz encarou o processo.

Depois, o parecer aponta uma série de erros cometidos pelos acusadores e pelo próprio juiz. Não houve oferecimento de oportunidade de retratação, obrigatório pela Lei de Imprensa que foi o instrumento da condenação. Deveria também haver oferecimento de oportunidade de reconciliação entre as partes, de explicações, não houve intimação das testemunhas de defesa, enfim o processo teria se tornado um rosário de equívocos, o que justifica o recurso:

“Por todos estes motivos, opina a Promotoria de Justiça no sentido de que seja declarada a nulidade do processo, com rejeição da Queixa-crime (por inépcia e falta de condições processuais, leia-se adequação do pedido)”.

Mas o parecer não pára por aí. Além de considerar os erros processuais, entra no mérito da questão. E é taxativo: “trata-se aqui de uma disputa ideológica. Nenhuma das partes é um criminoso”. E vai ao âmago do problema, quando diz que se o professor chamou o senador de “racista”, “não há controvérsia sobre o fato de que o Exmo. Senador da República lançou mão da expressão 'a gente vai se ver livre desta raça'”.

“Assim só podemos concluir que efetivamente o Excelentíssimo Senhor Senador tem o hábito de utilizar o conceito de raça, ou algum conceito de raça. E infelizmente ele o fez num contexto em que manifesta a expectativa de '...se livrar da tal raça'”. Pergunta o parecerista: como deveria reagir alguém que ouvisse tal frase, e fosse “de origem diversa daquela do ex-governador 'Barriga-verde'”? Deveria ouvir calado o que também pode ser caracterizado como uma “ofensa”.

Diz ainda que os advogados do senador argumentaram que ele sentiu-se ofendido por adjetivos como “repulsivo, racista, fascista, mente suja, abjeto, mesquinho, desprezível”, mas que de toda essa coleção só a expressão “racista” poderia ser objeto de querela judicial; e que as demais denotam a existência de um debate “acalorado”, como as que são características daqueles entre “direita esquerda”.

Diante do argumento da acusação de que o réu deturpou o sentido da expressão “raça” usada pelo senador, diz que “até mesmo pela confusão resultante, temos que concluir então que a declaração permite o mau entendimento”. Conclusão: “não há prova de dolo criminal”, ou seja, de intenção criminosa.

Por fim, o promotor arremata dizendo que o efeito colateral da aplicação da sentença, de perda do cargo de professor em universidade pública é “exacerbada” e que “a aparência da peça nos remete às condenações da época do regime militar. Até as personagens no palco são as mesmas”. “Há apenas uma diferença: na época do governo militar havia sursis”, isto é, a possibilidade da suspensão da pena. Agora, nem isto houve.


Opinião da Carta Maior
O resumo desta consistente peça jurídica é o de que tudo isto, a queixa-crime, o julgamento, a pena, a perda do cargo público, é um completo absurdo de qualquer ponto de vista que se queira examina-lo, é uma tentativa de cercear o debate político. E que apoiar esta verdadeira comédia de erros, como fizeram várias vozes na mídia impressa e audiovisual, é um atentado à liberdade de expressão. Resta saber se o mesmo eco vai ser dado, nesta mídia, a este parecer exarado a partir do Ministério Público. Quanto a nós outros, lembremo-nos: agora foi o professor Emir. Amanhã, pode ser qualquer um.

Resposta de Marcelo Tas à Veja

Depois que Veja atacou infantilmente- desculpem novamente essa, crianças- esse blog com mentirinhas maldosas na semana passada, alguns colegas jornalistas me procuraram em solidariedade mas avisaram: se quiser mande a carta com o desmentido, mas saiba desde já que eles não vão publicar.

Como sou um otimista, quando criança acreditava em coelhinho da Páscoa e até na própria Veja, escrevi e enviei a carta, segurando minha indignação para não perder a elegância e a possibilidade de diálogo diante do agressor.

Mas, como previsto pelos colegas, Veja me ignorou. Não publicou a carta na edição desta semana que está nas bancas.

Para quem chegou agora, vai aqui novamente a nota de Veja caluniando esse humilde blog (confesso que muito me emocionou constatar que os ilustríssimos jornalistas de Veja lêem o meu blog) publicada na coluna "Veja essa", assinada por um tal Julio Cesar de Barros, na página 61, da edição da semana passada.

É triste constatar que uma revista que se diz defensora da liberdade de expressão e dos valores democráticos mostre na prática que sua real vocação é exatamente o contrário. Na verdade, Veja só publica o que favorece os seus próprios interesses. E dá as costas para a realidade dos fatos e para os seus leitores.

Depois de tanto lutar por democracia no Brasil, não podemos ficar reféns deste tipo de mídia que busca o monopólio da verdade através da ocultação de suas mentiras.

Eu não tenho o poder da tiragem de Veja para reparar a mentira espalhada por eles para milhares, senão milhões, de leitores por esse mundo. Mas a companhi tantos de vocês, alguns há mais de três anos. Quem puder, peço que me ajude a divulgar essa carta pela internet. Garanto que somos mais do que os alegados um milhão de leitores de Veja, que aliás, precisam ser respeitados e bem informados.

Eu não tenho o que esconder e posso dormir com a consciência tranquila, ao contrário deles.

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Prezado Sr. Eurípedes Alcântara, Diretor de Redação da Revista Veja,

Na edição do dia 1º de Novembro (página 61, sessão "Veja essa", assinada por Julio Cesar de Barros), a Revista Veja publica uma nota intitulada "Blogueiro Chapa Branca" onde me acusa de ser “defensor do lobby que Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente da República faz no governo” do pai dele. Tal "defesa" ocorreria, de acordo com a revista, em troca de remuneração financeira.

Tais afirmações são falsas. Sua publicação em revista de alcance nacional constitui crime de injúria e difamação, ao conectar minha imagem, figura pública e reconhecida nacionalmente há muitos anos na TV e no jornalismo brasileiros, a um suposto esquema de favorecimento insinuado pela revista Veja, envolvendo o filho do presidente da República.

Em respeito aos leitores da revista é a presente notificação para solicitar que a revista publique nota, em espaço não inferior àquele ocupado pela nota injuriosa, esclarecendo as seguintes informações:

1. Ao contrário do que afirma a revista "Veja", jamais recebi qualquer dinheiro do filho do presidente da república ou de sua empresa Gamecorp.

2. O meu contrato de trabalho para apresentação do programa semanal “Saca-Rolha” é assinado com o Rede Bandeirantes de Comunicação; e não com a PlayTV como afirma a nota. E está vigor desde 2005; e não 2006, como afirma também equivocadamente a revista.

As afirmações difamatórias da revista Veja demonstram total desconhecimento do conteúdo do meu trabalho publicado no maior portal de internet do Brasil, o UOL- Universo On Line, há mais de três anos (www.blogdotas.com.br). Lá sou criticado e questionado por todas as tendências políticas. Principalmente por petistas que frequentemente utilizam a expressão "Tascano" para referir-se a mim, em clara afirmação (igualmente incorreta, mas nesse caso desacompanhada de qualquer insinuação de conduta indevida) de que eu seria partidário do partido "tucano" PSDB.

Esse fato demonstra que lamentavelmente a revista Veja sequer deu-se ao trabalho de apurar as informações antes de publicá-las.

Fico no aguardo de uma resposta e do cumprimento das solicitações acima, sem prejuízo de outras medidas extrajudiciais e judiciais que visem à reparação do dano causado.

Atenciosamente,

Marcelo Tas, jornalista e apresentador de TV
São Paulo- SP

Mídia cria precedente perigoso e agora reclama dele

Na quebra do sigilo telefônico de Gedimar Passos, um dos envolvidos no caso do dossiê, foram monitorados, com ordem judicial, 168 telefones. A Polícia Federal constatou que vários eram de empresas jornalísticas ou de jornalistas, vários da Folha [ http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/inde09112006.htm ], que faz hoje uma longa reportagem sobre a questão em varias matérias.

O próprio advogado da empresa considerou o monitoramento “abusivo da atividade jornalística”. Juristas ouvidos pelo jornal vão mais longe e falam em violação do princípio constitucional do sigilo da fonte, em devassa, em atentado à liberdade de imprensa, que o próprio juiz que autorizou poderia ter praticado crime e por aí vai. Ou seja, pimenta nos olhos dos outros não arde.

A Folha se especializou em violar sigilos telefônicos protegidos por lei, em fazer devassas na vida alheia, em ignorar o que agora reivindica para si e para seus jornalistas – a presunção da inocência, o principio do ônus da prova e o devido processo legal. Agora se insurge contra uma medida corriqueira numa investigação policial.

Só para lembrar, no famoso caso de Santo André todas as gravações que tinham sido obtidas ilegalmente foram assim consideradas pela Justiça, que as mandou destruir. No entanto os jornais as utilizaram como prova contra inocentes e assim, sem julgamento, sem direito de defesa e sem presunção da inocência, condenou-os perante a opinião pública. Muitas vezes, em minha defesa pública, eu alertei que a própria imprensa estava criando um grave precedente que se voltaria contra ela um dia. Não demorou muito.
In: http://z001.ig.com.br/ig/45/51/932723/blig/blogdodirceu/2006_11.html#post_18685426

No al Bloqueo! Por 15ª vez Consecutiva, La ONU condena el bloqueo de EE.UU. contra Cuba

Apoyaron la resolución cubana 183 países, cuatro votaron en contra y uno se abstuvo

NUEVA YORK. — La Asamblea General de la ONU adoptó el miércoles 8 de noviembre, por decimoquinto año consecutivo y por mayoría abrumadora, una resolución condenando el bloqueo de Estados Unidos a Cuba y exigiendo su levantamiento.

La resolución recabó el apoyo de un país más que el año pasado, con 183 votos a favor, 4 en contra —Estados Unidos, Israel, Palau e Islas Marshall— y una abstención, Micronesia.

De los 59 países que apoyaron el texto en 1992, cuando se presentó por primera vez, la cifra ha ido aumentando a 179 en 2004, 182 en 2005 y 183 este año.

En esta ocasión, Australia había presentado una enmienda al texto, que fue rechazada por la Asamblea General.

La resolución aprobada "insta una vez más a los Estados en los que existen y continúan aplicándose leyes y medidas de ese tipo a que, en el plazo más breve posible y de acuerdo con su ordenamiento jurídico, tomen las medidas necesarias para derogarlas o dejarlas sin efecto".

La Asamblea General reitera que los países que adoptan tales sanciones incumplen "sus obligaciones de conformidad con la Carta de las Naciones Unidas y el derecho internacional, que entre otras cosas reafirman la libertad de comercio y navegación".

Coincidiendo con la resolución anual, Cuba hace balance de los últimos doce meses de sanciones.

En esta ocasión, La Habana denunció que "se han recrudecido las sanciones a ciudadanos y empresas, con especial énfasis en las agencias de viajes, que fueron objeto de auditorías y sanciones".

"También se han intensificado las presiones a organizaciones religiosas, académicas y organizaciones no gubernamentales norteamericanas con el fin de impedir el desarrollo de sus vínculos e intercambios con sus homólogos en Cuba".

La Habana, 8 de Noviembre de 2006

Granma International

terça-feira, novembro 07, 2006

A grande mídia encurralada

Lula Miranda
Nunca vi uma situação como a atual em que a chamada grande imprensa sofre tantas críticas e tão merecidas “bordoadas”.

Após ganhar todas as lutas, de modo inconteste, por nocaute, quase sempre no primeiro round, sob aplauso unânime de todos, utilizando-se, muitas vezes, de golpes baixos e gestos antiesportivos, a mídia está apanhando sem parar. Atordoada, com as pernas trêmulas, bambas, a face empalidecida, o olhar atônito, perdido, já completamente grogue, após inúmeros e certeiros golpes recebidos, a ex-toda poderosa grande mídia finalmente conheceu o córner e as cordas do ringue, e está na iminência de um espetacular nocaute. Como nas lutas de boxe, os espectadores (no caso, leitores) vibram entusiasmados, à espera do tombo do gigante antes imbatível.

Não sou simpatizante do boxe. Na verdade, acho-o um “esporte” violento, bárbaro, brutal, deplorável mesmo – isso sem falar, claro, no vale-tudo. Mas é inevitável, irresistível recorrer a essa singela metáfora para melhor definir a situação em que se encontra a grande imprensa hoje.

Confesso que, nesses quarenta e poucos anos de vida, pouco mais da metade deles dedicado à militância na literatura e na imprensa alternativas (portanto, na condição de antagonista às grandes editoras, jornais e revistas), nunca vi uma situação como a atual em que a chamada grande imprensa (a inatacável, inatingível, imbatível grande imprensa) sofre tantas críticas e tão merecidas “bordoadas”. E, ainda mais do que isso, a sua atuação é acompanhada de perto por leitores especialmente críticos e exigentes. Vivemos um momento ímpar, portanto, um marco na história recente da imprensa brasileira – sem dúvida ou exagero retórico algum. Seriam os primeiros passos no caminho para uma mídia mais democrática? É esperar (ou melhor, fazer) o porvir.

A principal característica da mídia, e também seu principal defeito ou cacoete, seu calcanhar de Aquiles, por assim dizer – assim como na nossa metáfora inicial, o mesmo se dá com o lutador de boxe –, é que ela, mídia, sempre esteve acostumada tão somente a bater. Bater e bater. Bater mais. Indiferente ao adversário ou contendor e às suas qualidades ou possíveis méritos (“impávido que nem Muhammad Ali”). Acostumou-se a distribuir porradas a torto e a direito, impunemente. Pegou traquejo e gosto pelo linchamento (moral). Mas também pela calúnia, pela intriga, pela manipulação e, in extremis, pela destruição de vidas e reputações. Muitas vezes, não se furtando a fazer uma espécie de publicidade da infâmia (um marketing ao contrário, infamante). Entregou-se, ainda, à incúria, ao descuido, à preguiça; à competição desenfreada pelo furo de reportagem, pela manchete a qualquer preço.

Em nome de uma suposta (e sagrada) liberdade de expressão, a mídia tudo podia. Por que esse princípio sacramentado [o da liberdade de expressão] não serve também para proteger Emir Sader do mandonismo dos “donos do poder” (como dizia Faoro)? Eles tudo podiam em nome da tal liberdade de expressão, ou de imprensa - como, às vezes, preferem. A seu bel-prazer, a mídia caluniava, mentia, distorcia, manipulava - note que me utilizo aqui do tempo pretérito, como que a marcar o passado e sinalizar o porvir, o daqui para frente. Também a seu bel-prazer, elegia governadores, prefeitos, deputados, presidentes (quem não se lembra do “fenômeno” Collor?) etc - elegia até um poste, dizia-se. Também a seu bel-prazer cassava os mandatos de governadores, prefeitos, deputados, presidentes (Collor, também nesse caso, nos serve como exemplo) etc. Construía e destruía famas, reputações. A mídia tocava a sua flauta e nós, os ratinhos enfeitiçados, a seguíamos diligentes, comportados - muitas vezes, rumo a nossa própria desgraça. Impunha-nos suas verdades. Não mais. A grande mídia, e é essa a grande novidade, já não mais detém o monopólio da opinião pública. Já não nos guia em direção ao precipício, como se cegos fôssemos.

Aqui é necessário que se faça um oportuno parêntesis. Não se pretende, de modo algum, negar a importante função social da imprensa. Seja na indispensável vigilância crítica de cidadãos, autoridades constituídas, governos e partidos políticos, seja no seu fundamental papel (constitucional?) na defesa das instituições e na luta pela consolidação (ainda em processo) da nossa incipiente democracia. Portanto, não queiram nos acusar, os atuais defensores dessa mídia prostituída que aí está (com o perdão das profissionais do sexo), de sermos “intransigentes”, “nazistas”, “stalinistas”, “petistas” (no início do século passado, nos chamariam de “comunistas”) e outros “istas” absolutamente vazios de conteúdo, destituídos de sentido. Cansamos, sim, do parcialismo desmedido, do facciosimo canalha, da hipocrisia, da falta de ética, da manipulação, dos escândalos pré-fabricados. Mazelas essas decorrentes, naturalmente, da falta de controle, dos plenos poderes, dos monopólios e oligopólios, do “coronelismo midiático”, que deixaram a nossa mídia livre para transgredir os limites da ética e do bom jornalismo. Não se trata, portanto (em absoluto!), de desejar calar a mídia ou manietá-la.

Nunca se viram tantos artigos publicados sobre o papel da mídia como nos dias de hoje. E, mais precisamente, sobre sua (im)postura no processo eleitoral recentemente encerrado. Nunca se viram também tantos comentários de leitores (muito bem elaborados e articulados, por sinal) em blogs e sites na internet – essa via libertária e redentora que propicia o diálogo e a participação on line (em tempo real) dos cidadãos nos fóruns de debates (não à toa, vozes mais conservadoras no Senado já falam em “controlar a internet”). Na grande imprensa, quase nunca a opinião do leitor é publicada ou levada em consideração – as cartas nem sempre são publicadas. Nos sites e blogs da chamada imprensa digital essa relação é mais direta e profícua. E isso faz toda a diferença. A grande imprensa, se não se renovar, a si e aos seus quadros (jornalistas e, claro, editores), prosseguirá perdendo credibilidade, prestígio e, por fim, leitores. E, não se engane, além dos jornais e revistas, até mesmo os blogs e sites (ou sítios) mantidos por veículos das grandes corporações da comunicação (Grupo Folha da Manhã, Grupo Estado, Organizações Globo etc.) estão tornando-se sítios desertos – de idéias e de leitores. E, sabemos, sem a chamada “audiência” as verbas publicitárias começam a minguar, a receita a escassear e os impérios da mídia começarão, sem dúvida, muito em breve, a ruir, a cair. Como o lutador da nossa metáfora inicial. Outrora arrogante, imprudente, senhor de si, impávido em sua arena.

Observe, por exemplo, aqui mesmo na Agência Carta Maior, os inúmeros comentários de leitores (já eram 169, por mim “auditados”, na noite dessa segunda-feira, 06/11) na matéria de Bia Barbosa: “População critica cobertura; Globo faz abaixo assinado pra se defender” (leia aqui). Ou os mais de 530 comentários na matéria de Marcel Gomes sobre a condenação de Emir Sader (leia aqui). No site do Observatório da Imprensa, onde o provecto jornalista Alberto Dines está fazendo – estranhamente, pois trata-se de um grande jornalista – um “papelão” na defesa intransigente, autoritária, injustificável e meramente retórica (nem um pouco dialética) da imprensa. Sim, aquele que era para fazer o papel de observador crítico da mídia parece ter incorporado o papel, nada nobre, de um rábula rabugento/intolerante, ou até mesmo de um mero guardião do mais mesquinho corporativismo. Será? Difícil entender. Ele, em sua retórica barroca (exagerada, destemperada) chega ao paroxismo de falar em “empastelamento” da imprensa. Dines tem recebido de 300 a 500 comentários em seus artigos e “posts” no site do Observatório. A retumbante maioria deles, na verdade quase a unanimidade, feitos de modo competente, ponderado, em sua maioria por jornalistas, professores e profissionais liberais, contrários às suas posições e com críticas contundentes/competentes à atuação da grande imprensa. Mas Dines, que tem tido a desfaçatez de, “democraticamente”, levar ao seu programa, o OI na TV, quase sempre, somente os que pensam como ele (como no programa de 31/10), numa completa ausência do contraditório, não é atualmente o único guardião da mídia farsante.

Envolvidos no caso do chamado “dossiê da mídia” [ver CartaCapital edições 415 e 416], que ajudou, digamos assim, a levar a eleição para o segundo turno, Ali Kamel rede Globo de Televisão) e Eurípedes Alcântara (revista Veja), e alguns outros sabujos dos donos do poder, já colocaram as barbas de molho e a cabeça para fora de seu casulo de empáfia e arrogância, e deram a cara pra bater em blogs, sites e até mesmo, como no caso de Kamel, através de uma matéria paga na revista CartaCapital. Porém, ainda não se tem registro de manifestação alguma do “Mister OFF” (referência a Otávio Frias Filho), que ainda não saiu das sombras para se justificar perante a sociedade pelos pecados cometidos pela Folha de S. Paulo na cobertura do incrível caso do delegado Bruno, suas armações ilimitadas e estratagemas para revelar à imprensa as fotos do dinheiro que seria utilizado na compra do famigerado dossiê Serra/Vedoin. Esse cronista, conforme já disse em textos anteriores, não descansará enquanto não houver uma punição exemplar aos jornalistas da Folha, da TV Globo e da Veja envolvidos no episódio, e enquanto não ocorrer, da parte desses veículos, um enfático pedido de desculpas à sociedade pelas mentiras e orquestrações engendradas. Esse cronista, inclusive, busca, no momento, assessoria jurídica para buscar a melhor forma (se via Ministério Público ou outros caminhos) de entrar com uma queixa-crime contra os veículos e jornalistas envolvidos. Mas, a despeito disso tudo, e na contra-mão dos fatos e dessa corrente renovadora e airosa trazida à pauta por essas novas mídias e por esses leitores mais atentos, críticos e qualificados, em recente editorial da própria Folha (sempre ela) intitulado “Volta a truculência”, os leitores mais atentos, críticos e qualificados puderam perceber a indelével marca da arrogância pequeno-burguesa de “Mister OFF” quando chama de “boçalidade” a louvável postura crítica em relação à imprensa do governador recém-reeleito pelo estado do Paraná, Roberto Requião. Também ele vítima, durante a sua gestão assim como na campanha, do facciosismo deletério, das mentiras e manipulações da mídia.

Assim, ainda como o lutador de boxe na nossa metáfora inicial, a arrogância e desbragado narcisismo (vaidade, cinismo, desfaçatez etc.) dos “coronéis” da nossa imprensa, bem como de seus capatazes ou sabujos, selarão sua desgraça. Os oligarcas cordatos da nossa grande imprensa, que majestáticos ainda viram as costas à verdade factual e ao leitor, precisam reformular seus modos e estratégia, senão beijarão a lona dura e fria. Cairão enfim em desgraça. Ela, mass media, que sempre bateu com sádico prazer, sem dó nem piedade, agora apanha feio. Nada mais pedagógico – e emblemático. Sinais dos tempos, vindouros. Alvissareiros. Assim espero. Melhor, esperamos todos.


N.A. Recomendo a leitura do artigo do sociólogo e diretor da Vox Populi, Marcos Coimbra (quase impecável), na CartaCapital edição de nº 418. Para os que não tiverem acesso, aqui vai um pequeno trecho:

“(...) Ganhou o voto de quem se sentiu satisfeito com o que está vivendo e convencido de que os pecados de Lula e do PT só serão resolvidos quando todo o sistema político mudar. Ganhou, portanto, um voto concreto e informado, o inverso do que imaginam alguns analistas, que mais tendem a repetir estereótipos que a criticá-los”.

“Tenho acompanhado a eleição desde muito cedo e com diversos instrumentos de pesquisa, é, para mim, muito claro que foram os eleitores de “classe média”, de maior escolaridade e renda, muitos vivendo em cidades grandes e modernas, os que mais tenderam a ser ‘manipulados’. Foram eles os que mais se revelaram propensos a votar segundo a informação recebida, de maneira acrítica e, muitas vezes, superficial. Ou seja, cada vez que alguém se inflamava contra a ignorância dos pobres, dirigia mal suas baterias”
.

Seria o caso de se perguntar: é preciso dizer mais alguma coisa?

Fonte : Agência Carta Maior