quinta-feira, agosto 30, 2007

Robert Fisk: Até eu questiono a verdade sobre o 11/9

Artigo do jornalista Robert Fisk para o Independent, traduzido para o portal Vermelho. Leia aqui a versão original em inglês.

Até eu questiono a “verdade” sobre o 11/9

Toda vez que faço uma palestra sobre o Oriente Médio tem sempre alguém na platéia — apenas um — que eu chamo de ''raivoso''. Desculpem-me aqueles homens e mulheres que vão até minhas palestras com questões brilhantes e pertinentes — na maioria das vezes muito deferentes para mim como jornalista — e que mostram que sabem sobre a tragédia do Oriente Médio muito mais que os jornalistas que cobrem o assunto. Mas o ''raivoso'' é real. Ele toma a forma física tanto em Estocolmo quando em Oxford, tanto em São Paulo quanto em Ierevan, no Cairo, em Los Angeles e, na forma feminina, em Barcelona. Não importa o país, sempre haverá um raivoso.


A pergunta dele — ou dela — é mais ou menos assim. Por que, se você se diz um jornalista livre, não relata o que realmente sabe sobre o 11 de setembro? Por que você não conta a verdade — que a administração Bush (ou a CIA, Mossad, sabe-se lá o quê) explodiu as torres gêmeas? Por que você não revela os segredos por trás do 11 de setembro?


A convicção em cada pergunta é que Fisk sabe — que Fisk tem um absoluto, concreto, cofre de metal que contém a prova final do que ''todo mundo sabe'' (essa é a frase usual) quem destruiu as torres gêmeas. Algumas vezes o raivoso está claramente estressado. Um homem em Cork gritou sua pergunta para mim, daí — no momento que sugeri que sua versão do plano era um pouco ímpar — ele deixou a platéia, xingando e chutando as cadeiras que via pela frente.


Geralmente, tento dizer a ''verdade''; que, enquanto existem questões não respondidas sobre o 11 de setembro, eu sou o correspondente do The Independent, não o correspondente conspiratório; que eu vejo muitas maquinações concretas às minhas mãos no Líbano, no Iraque, na Síria, no Golfo, etc, para me preocupar sobre planos imaginários em Manhattan. Meu argumento final — um nocaute, no meu ponto de vista — é que a administração Bush ferrou tudo — do ponto de vista militar, politico e diplomático — que tentou fazer no Oriente Médio; então, como na Terra essa administração poderia realizar com sucesso os crimes internacionais contra a humanidade nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001?


Bem, eu ainda defendo esse ponto de vista. Qualquer militar que diga — como os americanos fizeram dois dias depois — que a al-Qaida está desbaratada não é capaz de fazer algo na escala do que aconteceu em 11 de setembro. ''Nós desbaratamos a al-Qaida, a pusemos para correr'', disse o coronel David Sutherland sobre a ''Operação Martelo Relâmpago'' na província iraquiana de Diyala. ''Seu medo de encarar nossas forças prova que os terroristas sabem que não há lugar seguro para eles''. E, mais do mesmo, tudo isso é falso.


Horas depois, a al-Qaida atacou Baquba com a força de um batalhão e massacrou todos os xeques locais, que haviam sido encastelados pelas mãos dos americanos. Isso me fez lembrar o Vietnã, a guerra que George Bush assistiu dos céus do Texas — o que pode explicar o porquê dele, esta semana, misturar o fim da guerra do Vietnã com o genocídio em um outro país chamado Camboja, cuja população foi salva pelos mesmos vietnamitas contra os quais os colegas mais corajosos de Bush lutaram anos a fio.


Mas, aqui vamos nós. Eu estou cada vez mais encafifado com as inconsistências da narrativa oficial do 11 de setembro. Não apenas pelo óbvio ''non sequiturs'': onde estão as partes da aeronave (motores, etc) que atacou o Pentágono? Por que as autoridades envolvidas com o vôo 93 da United (que caiu na Pensilvânia) foram obrigadas a fechar o bico? Por que os restos do vôo 93 se espalham por quilômetros quando supostamente o avião chocou-se contra o solo ainda inteiro? Novamente, não estou falando sobre a ''pesquisa'' maluca de David Icke (Alice no País das Maravilhas e o Desastre do World Trade Center), que poderia fazer qualquer homem são tentar decorar a lista telefônica.


Eu estou me referindo a questões científicas. Se é verdade, por exemplo, que o querosene queima a 820º Celsius sob ótimas condições, como é que o aço das duas torres, cujo ponto de fusão está supostamente acima de 1.480ºC, poderiam ter entrado em colapso na mesma velocidade? Elas cairam em 8,1 segundos e 10 segundos. E a terceira torre, o World Trade Centre Building 7, ou edifício Salmon Brothers, que desmoronou em 6,6 segundos até seus alicerces às 17h20 do dia 11 de setembro? Por que ela desmoronou daquele jeito se nenhuma aeronave a atingiu? O Instituto Americano de Padrões e Tecnologia analisou a causa da destruição dos três edifícios. Eles ainda não relataram nada sobre o WTC 7. Dois proeminentes professores americanos de engenharia mecânica — com toda a certeza fora da categoria dos ''raivosos'' — processam o Instituto na Justiça contra o que vaticina o relatório final, argumentando que ele pode ser ''fraudulento ou enganador''.


Jornalisticamente, existem muitas coisas ímpares sobre o 11 de setembro. Relatórios iniciais de repórteres que afirmam terem ouvido explosões nas torres — que bem poderiam ser as estruturas se rompendo — são fáceis de desmentir. Menos o de que o relato de que o corpo de uma comissária da tripulação de um dos vôos foi descoberto nas ruas de Manhattan com suas mãos atadas. OK, então vamos assumir que isso foi só boataria de momento, assim como a lista da CIA de seqüestradores-suicidas, que incluiam três homens que estavam — e ainda estão — vivos da silva e vivendo no Oriente Médio, foi um erro inicial da inteligência americana.


Mas e o que dizer da esquisita carta supostamente escrita por Mohamed Atta, o assassino-seqüestrador egípcio de cara assustada, cujo conselho ''islâmico'' a seus cruéis camaradas — revelado pela CIA — mistificou cada amigo muçulmano que eu conheço no Oriente Médio? Atta mencionou sua família — o que nenhum muçulmano, mesmo mal-intencionado, gostaria de incluir em tal oração final. Ele lembra seus companheiros-de-morte para fazerem a primeira oração muçulmana do dia e então continua a citá-la. Mas nenhum muçulmano precisa de tal lembrança — para não dizer nada do texto da oração do ''Fajr'' que foi incluído na carta de Atta.


Deixem-me repetir mais uma vez. Eu não sou um teórico da conspiração. Poupem-me dos raivosos. Poupem-me das maquinações. Mas como todo mundo, eu gostaria de conhecer a história completa do 11 de setembro, não só porque ela foi o estopim dessa campanha lunática e meretrícia da ''guerra ao terrorismo'', que nos levou ao desastre no Iraque e Afeganistão e à maioria do Oriente Médio. Uma vez, Bush despachou alegremente seu assessor Karl Rove com a frase: ''nós somos um império agora — nós criamos nossa própria realidade''. Verdade? Então conte para a gente. Isso iria evitar que pessoas saíssem chutando as cadeiras por aí.


sexta-feira, agosto 17, 2007

Os bocós e os caras legais

Do blog Tô Cansadinho, via Animot:


Em sua campanha, o Estadão explora as supostas "vidas privadas" de alguns blogueiros. Acertaram em cheio! Blogueiro, na vida privada, é tudo um bando de bocó!

Muito diferente, por exemplo, de Pimenta Neves - então EDITOR DO ESTADÃO - que na vida privada preferiu matar uma jornalista com tiros nas costas. Esse sim é um cara legal, né?

terça-feira, agosto 14, 2007

O estadinho do Estadão















Ao sentir o impacto da ação da blogosfera que diariamente vem pondo as cartas na mesa e denunciando as velhacarias da grande mídia, o Estadão apela para a infantil estratégia da desqualificação generalizada dos blogueiros e de todo conteúdo considerado não-profissional. Até quando eles acharam que poderiam tratar os leitores como idiotas? É claro, mas sempre seguindo os mais altos padrões de profissionalismo.. Ah vão se catar!

Leia mais aqui ó:
Exército Blogoleone
Animot
Palanque do Blackão

Alerta contra a concentração de poder na mídia brasileira

Do Vermelho, por Gilberto de Souza*:

Alerta contra a concentração de poder na mídia brasileira

Leio com pesar a declaração publicada na página eletrônica da Agência Carta Maior por seu diretor-presidente, Joaquim Ernesto Palhares, e o editor-chefe, Flávio Wolf Aguiar. Trata-se de um depoimento sincero acerca do maior risco à liberdade dos brasileiros e ao que parece ser o inexorável controle da mídia nacional por um número cada vez mais reduzido de empresários ligados à direita e aos interesses internacionais, estruturados para corromper a independência dos meios de comunicação.

O enfraquecimento da Agência Carta Maior e a inércia de setores inteiros da produção intelectual, entre eles o de jornalismo, impresso e audiovisual, traduzem a perigosa concentração das notícias e informações no conjunto dominado pelas empresas dos conglomerados formados pelas editoras Abril, Folha da Manhã, Globo e Grupo Estado.


Apenas estas quatro empresas e suas sucursais controlam mais de 80% da mídia nacional, de acordo com avaliação de auditores independentes, consultados pelo Correio do Brasil. O controle da comunicação de massa é, na realidade, a maior manobra política da direita em curso desde o golpe de Estado de 1964.


Reduzir a participação das forças conservadoras no controle político do país é, hoje, o maior desafio enfrentado por aqueles brasileiros que, por duas legislaturas consecutivas, elegeram um representante das classes trabalhadoras para a Presidência da República. Nas urnas, dissemos um sonoro "Não!" ao neoliberalismo e ao desmanche progressivo e criminoso do Estado. A força do capitalismo internacional, porém, não perdoou a autodeterminação brasileira e age em constante e crescente desafio às leis em vigor, contra os interesses mais legítimos desta nação. Com a Veja no pelotão de frente deste assalto aos planos de uma sociedade mais justa e agindo no completo interesse dos grupos econômicos mais poderosos em atividade no país, a Folha de S. Paulo, a TV Globo, O Globo e O Estado de S. Paulo completam a força tática em operação para deter o avanço do socialismo no Brasil. Cabe a estes, deliberadamente, levantar uma muralha de informação e contra-informação - não necessariamente nessa ordem - para iludir, distrair e falsear a opinião pública.


Tais afirmações seriam levianas caso não fosse possível confirmá-las. Basta, no entanto, cinco minutos de leitura a qualquer um desses periódicos ou uma simples análise do conteúdo divulgado pela TV Globo e suas afiliadas, em todo o território nacional, para perceber a que senhor eles servem. E não será ao resultado das urnas, com certeza. Muito menos à proteção dos ideais mais legítimos de liberdade e justiça. Percebe-se, claramente, que a linha editorial daqueles meios de comunicação visa combater toda e qualquer ação mais próxima do socialismo ou da contestação aos preceitos de Washington, de Wall Street e da City. O poder do dinheiro, claro, alicia parte dos jornalistas brasileiros e estes passam a servir com lealdade às empresas em linha com as matrizes. Esta sinergia produz a concentração de quase todo o poder da mídia e o controle absoluto das verbas publicitárias tanto do setor privado quanto do estatal.


Blindado pela fórmula que reúne a força trabalhadora com empregos estáveis, remunerados com o resultado do controle da publicidade, o sistema atende aos interesses internacionais e avança contra a soberania brasileira. Vê-se, claramente neste movimento, a tentativa de inteiro controle do setor.


O plano seria perfeito, se não fosse arrogante.


O ataque às liberdades democráticas, disfarçado na pele de cordeiro da liberdade de imprensa, está cada vez mais acintoso na preparação do ardil que antecede a mais uma eleição, prevista para o ano que vem. De posse de verdadeiras e consideráveis fortunas, dispostos a investir cada centavo na preservação de um quinhão cada vez maior de poder, os barões da mídia mobilizam-se para desarticular os canais de voz da resistência. E o que é o pior, com o apoio do governo contra o qual eles combatem. A este só resta chamar de burro ou de mal intencionado, pois é inadmissível alimentar tão voraz inimigo de si mesmo. A não ser que se trate de uma reação auto-imune, na qual o organismo encarrega-se da própria destruição.


Por pouco não crucificam o presidente Hugo Chávez, por tomar uma medida decisiva contra o braço venezuelano do capitalismo internacional. Não fazia mesmo sentido que o Estado continuasse a permissionar - para ganhar rios de dinheiro - um inimigo declarado da democracia e da vontade daquela nação, a exemplo do que hoje acontece aqui no Brasil. Funcione, pois, para quem se dispuser a pagar pela assinatura daquelas baboseiras. E não são muitos, como se constata pela audiência do canal defenestrado da grade pública, após sua migração para o sinal privado.


Ainda que o espírito mineiro de brasilidade, sempre conciliador e bom de conversa, pondere para que não se adotem aqui em nossas plagas medidas drásticas como vemos por aí, mundo afora, é uma impudência permitir que continuem a nadar de braçada os detratores dos interesses nacionais, no mar de iniqüidade que assola o país, ao passo que segmentos éticos e determinados a respeitar a vontade da maioria absoluta do eleitorado brasileiro sejam vitimados pela força bruta da concentração de poder. O que está ocorrendo com Carta Maior é o que já aconteceu ao longo das últimas décadas com centenas de iniciativas de jornalistas sérios, que viram podadas quaisquer chances de exercer, na sua plenitude, a verdadeira liberdade de imprensa, esta sim, dedicada a combater as injustiças, promover o bem comum e a dignidade dos cidadãos.


Do jeito que vão as coisas, somente será possível sobreviver nesse campo de batalha aqueles que adotarem uma estratégia de guerrilha e, na Sierra Maestra da midia nacional, resistirem às forças brutais do mercado.


É espantoso, no entanto, até agora não existir qualquer iniciativa por parte destes veículos que lutam pelo bom jornalismo para se unir, nesse momento de pleno confronto, contra o inimigo comum. Ao contrário das quatro irmãs xifópagas que crescem viçosas, agarradas às tetas do capital transnacional, minguam as iniciativas brasileiras por falta de um foro adequado para se debater e implementar a democratização da informação e o respeito à diversidade de pensamento. Separados, seremos todos alvos fáceis na mira do Tio Sam, enquanto que juntas, estas iniciativas terão melhor sorte nessa guerra sem quartel, travada no dia-a-dia das redações.

Conclamo aos jornalistas de bem que se rebelem, ainda que em segredo, contra a dominação que se avizinha. Chamo a todos aqueles empresários conscientes e, acima de tudo, cientes de seus deveres para com a sociedade brasileira, para se unir em torno de medidas urgentes contra o cartel da midia e seus tentáculos junto à opinião pública.


Ainda que pregue no deserto, creio que o Correio do Brasil se fará ouvir por aqueles que ainda têm sensibilidade suficiente para se indignar e lutar, ao invés de entregar, de mão beijada ao estrangeiro, a consciência nacional e a alma desse país.


* Editor-chefe do Correio do Brasil.

via RS Urgente

quinta-feira, agosto 09, 2007

A empresa do ano é... a TAM!

Parece piada, mas...

O Escriba:

Sério!! Pelo menos para a revista Exame, que premiou ontem à noite as melhores e maiores empresas de 18 setores da economia brasileira. É mole ou quer mais? E o mais bizarro é que em 1996, poucos dias antes da queda de um Fokker 100 seu em Congonhas, que matou uma centena de pessoas, a empresa recebeu o mesmo prêmio. Pelo sim, pelo não, que tal a TAM se tornar hors-concours nas próximas escolhas da revista?

O clima no prédio da Abril na Marginal Pinheiros (SP) não é dos melhores. Queriam cancelar a premiação, mas alguém bancou e a merda foi feita. Cabeças vão rolar…


(Agora, uma pergunta: quantos editoriais, colunas e artigos vc lerá nos próximos dias criticando a entrega do prêmio pela revista Exame, como foi feito quando dirigentes da Anac receberam medalhas em Brasília?)


"Testando hipóteses" - Uma nova teoria do Jornalismo ou apenas mais um eufemismo da Idade Mídia?















Do blog do Luis Nassif:

A notícia órfã

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do “Globo”, “A grande imprensa”.

Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: “A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

“Testando hipóteses” é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.

De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.

O “testando hipóteses” do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar. Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.

E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.

Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do “aquário”. Houve um divórcio dos pais – o “pai” “aquário” e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.

Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.


- Leia mais sobre o "Testando hipóteses" hoje no Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Quando a liberdade de mercado não interessa

Deu no Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha:

Folha de S. Paulo, página B8

Se você quiser entender melhor o que se passa nos bastidores das corporações da mídia brasileira e, em parte, o posicionamento assumido por elas em relação ao governo Lula, tente desvendar o conteúdo da página B8, do caderno Dinheiro, da Folha de S. Paulo desta quarta-feira.

Triple Play é tudo. É a possibilidade de fornecer ao cliente, ao mesmo tempo, serviços de telefonia, internet rápida e TV a cabo.

A Globo saiu na frente. A NET, que pertence à Globopar, é sócia do grupo Telmex, do bilionário mexicano Carlos Slim - o homem mais rico do mundo.

A NET está deitando e rolando no mercado do Triple Play.

Lá em Bauru a Telefônica perdeu uma cliente na telefonia, quando a dona Lourdes, minha mãe, decidiu juntar tudo num pacote só, da NET.

Se sair um perfil do Slim no Wall Street Journal, é possível que o nome dele venha acompanhado da palavra "monopolista."

[Agora, que o Journal foi comprado por Rupert Murdoch, fica difícil, né mesmo? Seria o roto falando do rasgado]

Se sair um perfil do Slim na Época, do grupo Globo, é provável que ele seja elogiado pelo dinamismo e competência.

Na mesma parada está a Telefônica - que se associou à TVA, do grupo Abril.

Mas a Telefônica ainda não tem autorização do governo para oferecer o triple play.

Por enquanto, só o pacote telefone/internet rápida.

Como a convergência digital não tem retorno, mais cedo ou mais tarde o governo dará autorização à Telefônica para entrar no jogo.

A Telefônica é cachorro muito grande para os capitalistas brasileiros.

A empresa já investiu R$ 18 bilhões no Brasil e tem mais R$ 15 bilhões programados até 2010, segundo a Folha.

Finalmente, temos a proposta do ministro Hélio Costa, que seria a de juntar numa só empresa a Brasil Telecom, a Oi, e a Portugal Telecom. Esta última é parceira do grupo Folha no UOL. E é nesse bolo que estão os interesses dos grandes fundos de pensão estatais, em última instância controlados pelo governo.

Quem entrar nesse negócio vai ganhar rios de dinheiro, principalmente com o barateamento dos pacotes de triple play e a ascensão de uma nova classe média - que continuará, a não ser que derrubem o Lula.

A cobertura jornalística do setor é muito nebulosa, uma vez que os colunistas de televisão no Brasil investem mais tempo investigando fofocas do que desvendando os interesses cruzados na indústria da mídia e entretenimento.

Se você prestar bem atenção nessa dança de interesses perceberá claramente as flutuações do humor da mídia em relação ao governo Lula.

Ninguém quer de fato derrubar o Lula, mesmo porque não tem força para isso.

Mas tirar uma lasquinha todo mundo tenta.

Se eu fizesse isso seria acusado de "extorsão".

Mas no mundo das corporações isso é chamado de "fazer negócio".

O nó da questão, realmente, está na produção de conteúdo.

"'Conteúdo é ouro', afirmou o consultor jurídico do ministério, Marcelo Bechara", segundo a Folha.

Conteúdo é o que você lê neste site, embora nesse caso seja lata ou ferro-velho que dou de graça para a Globo.com.

Wellington Salgado, do PMDB de Minas, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação do Senado, tem um projeto de lei para "proteger" a produção de conteúdo nacional contra a concorrência estrangeira, diz a Folha.

Wellington faz isso em nome do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que foi de repórter a ministro da Globo.

É óbvio que a Telefônica quer produzir seu próprio conteúdo.

É óbvio que a Telefônica tem muito mais dinheiro que as empresas brasileiras para investir na produção de conteúdo.

Eu só acho curioso que, nessa hora, gente que se esgoela em defesa do livre mercado passa a defender a "regulamentação" do mercado, a presença do estado na economia.

Você não vai ver - nem na TV Globo, nem na TV Record - alguém se esgoelando em defesa da liberdade de mercado.

Nesse caso, não interessa liberdade de mercado.

Você pode se divertir como eu, testemunhando gente que odeia o Hugo Chávez e o Evo Morales - porque eles são nacionalistas e ameaçam interesses do Brasil - de repente vestindo a camisa do "nacionalismo".

Deu para notar isso na cobertura dos Jogos Panamericanos?

Na hora de privatizar a Vale do Rio Doce foi todo mundo a favor, mas na hora de dar um choque de capitalismo na produção de conteúdo sai todo mundo para se esconder atrás da bandeira do Brasil.

Só rindo.

terça-feira, agosto 07, 2007

A história instável dos acordos de armas americanos




















Deu no Der Spiegel:

A história instável dos acordos de armas americanos

Os EUA causaram inquietação em seus aliados europeus com os planos de um maciço acordo de armas com vários governos do Oriente Médio. Washington já percorreu essa estrada antes.


Siegesmund von Ilsemann

Karsten Voigt, o coordenador do governo alemão para Cooperação Germano-Americana, estava totalmente irritado na semana passada. Como Washington pode promover as reformas democráticas no Oriente Médio vendendo bilhões de dólares em armas à Arábia Saudita é "um grande ponto de interrogação", ele disse. O reino islâmico pode ser nominalmente um aliado americano, mas não é "especialmente democrático", disse Voigt, e seu regime familiar opressivo continua sendo um terreno fértil para os terroristas islâmicos.

Em uma reunião de cúpula no final de julho, autoridades graduadas americanas anunciaram um acordo para enviar importantes sistemas de armas modernas para a Arábia Saudita, Egito, Israel e outros governos do Oriente Médio, para contrabalançar a crescente influência do Irã na região.

Voigt se perguntou se a medida é sábia. "A região não sofre de falta de armas, e sim de falta de estabilidade", ele disse. "Tenho sérias dúvidas se a estabilidade pode ser alcançada com essas armas".

Mas os acordos de armamentos têm uma longa tradição em Washington. "O inimigo do meu inimigo é meu amigo" foi uma máxima de vários governos americanos durante a Guerra Fria. A política externa de Washington muitas vezes aprovou a venda de armas para regimes questionáveis que prometiam ajudar a conter a ameaça comunista, quaisquer que fossem as potenciais conseqüências.

Os acordos freqüentemente terminaram em fracasso: os soldados americanos muitas vezes foram atacados por armas que seu próprio governo vendeu para os exércitos dos países que eram seus supostos aliados.

A conturbada relação EUA-Irã é um exemplo típico dessas políticas. Depois que o xá do Irã consolidou seu poder com a ajuda da CIA em 1953, no que foi conhecido como Operação Ajax, o país tornou-se o mais importante aliado dos EUA no Oriente Médio, depois de Israel. Em troca do acesso aos abundantes poços de petróleo do Irã, Washington vendeu ao xá um arsenal de armas modernas. Com caças a jato de última geração, novos foguetes e tanques poderosos, o Irã tornou-se uma potência militar no golfo Pérsico. Cerca de 40 mil assessores militares americanos ensinaram os iranianos a usar essas armas.

Depois que o regime fundamentalista islâmico liderado pelo aiatolá Khomeini derrubou o xá em 1979 e provocou uma crise ao fazer 52 reféns americanos, ficou dolorosamente claro para Washington que suas armas estavam nas mãos erradas. E assim o governo americano rapidamente recorreu ao maior inimigo dos fundamentalistas religiosos, o ditador iraquiano Saddam Hussein.

Durante oito anos - até 1988 - Hussein travou uma guerra brutal com seus vizinhos a leste, apoiado por armas e know-how de fontes americanas. Até Donald Rumsfeld, que mais tarde planejaria a atual guerra no Iraque como secretário da Defesa do presidente George W. Bush, visitou Hussein em 1983.

Como incentivo extra, os americanos ofereceram a Bagdá fotografias aéreas secretas que permitiram aos generais de Hussein infligir grande dano às forças iranianas - às vezes usando armas químicas. Apenas alguns anos depois, é claro, os soldados americanos travariam uma guerra com os próprios militares iraquianos que Washington ajudou a formar meticulosamente.

Guerras na Ásia e outros lugares
Os EUA também forneceram aos combatentes da liberdade do Afeganistão dinheiro e armas para lutarem contra as tropas soviéticas ocupantes nos anos 1980. Um dos melhores clientes do apoio da CIA na época foi o milionário saudita Osama bin Laden. Duas décadas depois, comandos americanos estão caçando o mais famoso terrorista do mundo e seus defensores taleban. Aviões militares e civis que sobrevoam o Afeganistão ainda são obrigados a fazer manobras evasivas para evitar os mísseis Stinger disparados contra eles, que foram originalmente fornecidos pelos EUA para combater os comunistas.

Washington protegeu e apoiou o ditador panamenho general Manuel Noriega durante anos. Apesar de todo o dinheiro e das armas dos EUA, ele também estava envolvido no tráfico de drogas. Isso levou o pai do atual presidente, George Bush, a depor o homem-forte, enviando tropas ao país centro-americano na Operação Justa Causa. Noriega foi mandado para a cadeia em Miami.

Os americanos também tiveram pouca sorte com sua estratégia nas Filipinas. Quando Ferdinand Marcos chegou ao poder em Manila, em 1965, parecia que os dois lados se beneficiariam disso. O novo presidente mandou tropas filipinas ajudarem na debilitada iniciativa de guerra americana no Vietnã. Em troca, os EUA apoiaram o regime de Manila política e militarmente - embora estivesse claro que os homens de Marcos estavam usando armas americanas para oprimir a oposição do país. A instabilidade que continua afetando as Filipinas hoje faz parte desse legado.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, defendeu a última série de acordos de armas durante sua recente visita diplomática ao Oriente Médio. "Estamos decididos a manter os equilíbrios - militar e estratégico - na região", ela disse.

Mas as armas americanas costumam sobreviver às mudanças de metas da política externa americana.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves - para o Uol Mídia Global

A manchete que a mídia se recusa a dar
























Tá de saco cheio da mídia golpista?
É fácil. Não lê mais, cancela a assinatura dessa porcaria aí e vai ler o Jornal Hora do Povo.

via F R O N T

domingo, agosto 05, 2007

Democracia exótica

















Latuff



Do Blog do Bourdoukan: (grifos meus)


Aumenta a repressão

O Congresso dos Estados Unidos aprovou na noite deste sábado, por 227 votos a 183, uma lei que permitirá ao governo realizar escutas nas comunicações de estrangeiros suspeitos de ligação com o “terrorismo”.


A deputada democrata Zoe Lofgren, que votou contra, afirmou que “a lei dará ao secretário de Justiça a capacidade de realizar escutas contra qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer tempo, sem uma revisão judicial, sem medidas de controle”.

E disse mais: “Acredito que esta medida sem autorização e sem precedentes simplesmente acabaria com a 4ª Emenda (da Constituição, que proíbe buscas e apreensões sem mandado judicial)”.

Vale lembrar que não faz um mês, a ditadura estadunidense passou a exigir, com apoio da comunidade européia, que todo europeu interessado em visitar o país teria que revelar sua orientação sexual, política e religiosa.


Além disso, teria que permitir aos policiais acesso a seu endereço, número de cartão de crédito, estado de saúde, eventual associação a sindicatos e origem étnica.

Haverá ditadura pior do que essa?

Comenda Roseta Crúsius

Do Alívio Refrescante, A comenda de todas as comendas:




















"No Estado em que nos encontramos, com gaucho pilchado de pantalha e premiando vaca campeã com cruzeta. Premiado também com dengue e rubéola, regado a debutaços, com a venda do Banrisul disfarçada, salários atrasados e desmantelamento da educação, nada mais propício do que a criação da Comenda Roseta Crúsius. Esta comenda tem como objetivo premiar todos aqueles que fazem dos choques de gestão e dos novos jeitos de governar seu norte, sua razão de ser, a última bolachinha do pacote."
Hals

Olha o tomate!







A Cláudia mandou ver na tomatada pra cá, elegendo o Vozes do Sul como um "blog com tomates", o que quer dizer um blog com colhões ou, ainda, um blog com coragem, uma vez que, no dicionário masculino, ter testículos é sinônimo de coragem(!).

(Que coisa, não?)

Mas aí fiquei curiosa e fui lá no Blog com Tomates, de onde surgiu a idéia do selo/prêmio, e vi que a história não é tão assim...

De qualquer forma, só pra implicar um pouco, ouso aqui sugerir um conceito alternativo que de certa forma dá também uma idéia de coragem, seria algo como "blog que tem peito" (ou qualquer coisa parecida), que me parece mais inclusivo.

Bom, mas como o assunto é "blog com tomates", agora é daqui que sai tomatada para mais alguns corajosos da blogosfera. Como os corajosos são muitos e isso de escolher é tarefa complicada, elegi os meus queridinhos, aqueles que leio sempre, depois fiz um sorteio entre eles.

Talvez alguns não saibam, mas o sorteio é sem dúvida o mais democrático dos critérios, além de deliciosamente caótico.

Entonces, aí vai tomate para:

Diário Gauche, agora Diário Gauche, do Cristóvão Feil
Esquerda Festiva, do Ulysses Dutra
Jean Scharlau, de quem será este?
nuestro vino, do Iagê

Ah! e, é claro, o querido, Incrível e corajoso Exército Blogoleone.

Bom domingo e boa semana a todos e todas que passarem por estas bandas!

quinta-feira, agosto 02, 2007

As dores de cabeça do grupo RBS















Do Diário Gauche:

Como dizem os turfistas, essa é uma informação de cocheira. O grupo midiático RBS – que apoiou o golpe militar de 1964 e todo o processo ditatorial que se seguiu – está muito preocupado com dois fenômenos imediatos e um, mediato.

O mediato é a crescente queda na venda dos seus jornais e queda no faturamento com a publicidade veiculada. Esse fenômeno não é exclusivo da RBS, é um fenômeno nacional e mundial. Está acontecendo já há alguns anos uma revolução no mundo da notícia e do entretenimento em geral, para o qual as empresas midiáticas não estão preparadas. O motivo mais evidente reside na entrada contínua de novas tecnologias de massa no circuito, que às vezes ainda não estão submetidas plenamente às leis da mercadoria. A internet é uma das mídias que ainda não está totalmente dominada pelo mercado, ou pelo menos pelas grandes corporações do mercado.

Os fenômenos imediatos são dois, como dissemos:

1) os blogs estão incomodando a RBS, não só pelo seu conteúdo irreverente, mas sobretudo pela incapacidade de serem dadas respostas a esse fenômeno que se socializa e escapa ao controle da lei do valor, subtraindo-lhe audiência, batendo de frente com a sua linha editorial, apontando o seu projeto de poder político-partidário, mas, sobretudo, denunciando a ilegitimidade do seu discurso e a farsa de sua pretendida neutralidade jornalística;

2) a entrada no mercado do RS da rede Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. A informação é a de que o próprio diretor-presidente da RBS, Nelson Sirotsky está visitando anunciantes para propor novas parcerias exclusivas com os seus veículos no RS e SC. Sirotsky teria visitado pessoalmente o grupo Gerdau e proposto investimentos vantajosos em anúncios nos veículos da RBS, desde que contratados com exclusividade. Os Gerdau responderam que são uma corporação profissional e não poderiam anunciar com exclusividade nos veículos da RBS.


quarta-feira, agosto 01, 2007

sábado, julho 28, 2007

Por falar em Latuff...















é, a genialidade do cara é perigosa pra zelite mesmo.

Latuff enquadra o pan e é intimado pela polícia no RJ














Santa democracia!

Por Marcelo Salles - www.fazendomedia.com

Era só o que faltava. O artista gráfico Carlos Latuff foi intimado ontem pela delegada Valéria de Aragão Sádio, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial, "a fim de prestar esclarecimentos referente ao procedimento em epígrafe". Desconsiderando o atentado à gramática do texto assinado pela delegada (erro básico de concordância nominal), é preciso deixar claro aos amigos leitores que o Latuff está sendo intimado única e exclusivamente por usar sua habilidade para denunciar as violências cometidas pelo Estado em nome dos Jogos Pan-Americanos - com o acobertamento vergonhoso das corporações de mídia.

Como o próprio Latuff ironizou: "Veja, Marcelo, pra você ver como é bom viver numa democracia onde a liberdade de expressão é garantida, especialmente quando você resolve fazer uma charge do mascote do Pan segurando um fuzil ao lado do Caveirão". Pior, pelo que fiquei sabendo, a Patrícia Oliveira, da Rede Contra a Violência, chegou a ser detida pela polícia enquanto vendia as camisetas na rua.



Recapitulando: 542 famílias que vivem no entorno da Vila Pan-Americana foram ameaçadas de expulsão pela Prefeitura de César Maia, o custo dos Jogos Pan-Americanos aumentou em 14 vezes (dinheiro meu e seu indo embora), inúmeras denúncias de contratos superfaturados (um deles detectado pelo TCU), Complexo do Alemão sitiado pela Força Nacional de Segurança e pela PM, pessoas em situação de rua expulsas para sabe-se lá Deus onde. Diante de todo esse descalabro, a polícia ainda vai em cima de quem exerce seu direito de expressão garantido pela Constituição Federal.
(acima, a faixa com a arte de Latuff. Imagem: O Dia)

E ainda com uma alegação tosca, de apropriação da imagem oficial do Pan. Fosse isto verdade, o chargista Aroeira também deveria ter sido intimado, já que ele usou o mesmo mascote em pelo menos três ilustrações publicadas no jornal "O Dia". Como Aroeira não foi intimado, fica caracterizada a perseguição política a Carlos Latuff.

Eu gostaria de saber se a delegada Valéria, da Delegacia contra Crimes Imateriais, poderia expedir um mandado de intimação contra as corporações de mídia que seguidamente agridem a cultura brasileira, nossos hábitos e costumes, nossa história, nossos valores, nossa gente. Ou isso é imaterial demais?


NovaE.inf.br, via Blogoleone

sexta-feira, julho 27, 2007

Mais sobre o movimento cínico

Do Blog do Rovai*:

Cansei, OAB, quero um movimento cívico para rever a concessão da Globo

Nunca vejo, por motivos óbvios, a série Malhação. Ontem, quinta-feira, por conta de uma longa viagem que me fez perder a noite de sono. E fui à cama somente às 13h30, acordei na hora deste programa. E ao ligar a TV no quarto do hotel fui “pego” pelo diálogo de uma personagem que representava uma típica dondoca urbana da nossa elite, seu filho e um sujeito meia-idade, que me pareceu um advogado.

O “doutor”, com cara de homem-bom dizia que seu filho deveria ter de fazer vídeos com pessoas que haviam sido vítimas de violência etc. etc. O filho, ao lado, ficava franzindo a cara e dizendo que aquilo era um absurdo etc. etc. A dondoca achou ótimo, afinal, o garoto mesmo tendo arrebentado a cara de alguém não teria de passar alguns dias numa cela cheia de bandidos pobres e fedidos. Só teria de fazer um vídeo. Fechado o acordo, saíram ambos, mãe e filho. E aí começa outra história...

Dois negros jovens conversavam sobre a questão racial. Um o “revoltado” e outro o “equilibrado”, exatamente no meio desse papo, são abordados pela madame que lhe oferece dois reais e pede para que manobrem o carro para ela: “mas vocês sabem dirigir carro automático, né?”, pergunta.



O que é racismo para a Globo



-- Mãe, mãe, eles não são guardadores de carro, são colegas meus da escola, diz o boca-murcha do garoto.

-- Ai, também... desculpa, desculpa, diz a madame.



Depois disso os dois garotos negros retomam o diálogo. Trata-se de uma reprodução livre porque não tenho a fita, mas garanto que honesta. E se não for, a Globo que a conteste. Percebam os detalhes:



O revoltado – Entendeu, é isso, é assim que as pessoas nos vêem, desse jeito, como gente de baixo. Essa mulher e esse filhinho dela são uns idiotas, riquinhos racistas etc.

O equilibrado – Não concordo, você também está sendo preconceituoso. É preconceito você dizer riquinho desse jeito, como também é preconceito quando as pessoas dizem que loura bonita é burra. Não acho que existe perseguição com a gente por sermos negros.



Entenderam? É a mesmíssima coisa falar loura burra ou preto sujo. Ali Kamel, que faz o papel de porta-voz da família Marinho, lançou um livro recentemente (claro que não li) onde ele trata da nossa igualdade racial. Ou seja, ele ataca os idiotas, como eu, que consideram que o Brasil é um país onde a cor da pele faz diferença sim. E que é preciso fazer com que os negros (ou pretos, como preferirem, não vejo racismo na diferença entre esses termos) precisam de compensações para disputarem com brancos em pé de igualdade. É disso que se trata.

A Globo comprou a disputa contra as cotas e está fazendo novela e malhação com elas. É por isso que precisamos começar a discutir qual é o limite de uma empresa privada de comunicação quando opera ondas públicas de rádio e TV. A sociedade tem o direito de debater a questão das cotas. Tem o direito de ser contra ou a favor. E os meios de comunicação têm o dever de colocar esse debate para ser realizado em pé de igualdade. Eu, por exemplo, branco por fora e negro no resto, quero debater o tema. E não aceito que a dona Globo e os seus papagaios de plantão usem meu espaço de comunicação para fazer o que quiserem. A concessão que eles têm também é minha. É de todo cidadão brasileiro.



E vem coisa pior por aí



A Globo está testando campanhas. É bom ficar de olhos abertos. Agora eles estão numa para descaracterizar a luta histórica do povo negro por igualdade. Por chances iguais. Ontem estavam, via programa do Jô, por exemplo, gritando contra a censura, por conta da classificação indicativa. Agora, acabo de ler, que a OAB-SP vai lançar uma campanha cujo slogan será...tan-tan-tan:. “cansei”. E vai veicular filmes e publicidades em jornais, revistas e TVs. Entendi.

Os veículos de comunicação vão, via OAB-SP, que liderara o movimento, fazer uma campanha contra o governo, será isso? Quero saber se a OAB vai pagar essa campanha e quanto ela custará? Estou solicitando essa informação pela revista Fórum para a assessoria de imprensa da Ordem. Ele chamam de movimento cívico, não de campanha, ok, entendi, então quanto vai custar a divulgação nos meios de comunicação desse movimento cívico? Se a veiculação dela for gratuita, é bom começar a discutir como rever as concessões públicas de rádio e TV o mais rápido possível.

É bom começar a fazer algo. A concessão da Globo vence em outubro. Talvez seja o caso de organizar um movimento cívico para discuti-la.

* Renato Rovai - editor da Revista Fórum.

A marcha dos cansados

De que será que eles cansaram mais? de ter que dividir seus privilégios com cidadãos das classes CDE? de enfrentar fila no aeroporto e no saguão do hotel porque agora mais gente pode viajar como eles? de ter um metalúrgico como Presidente da República? ou cansaram de sentir saudade do poder?

Do Blog do Mino:

A Marcha

Estamos às vésperas do retorno da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade. Agora passa a se chamar Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Trata-se de uma fórmula mais elaborada, mais complexa, mas os objetivos são os mesmos. O movimento foi lançado pela OAB de São Paulo, e conta com o respaldo de figuras importantes da Fiesp e da Associação Comercial paulista, e com a divulgação de televisões e rádios, por ora não melhor especificadas. A idéia inicial faísca no escritório de João Dória Jr., o Iconoclasta Mor, aquele que destruiu a pauladas o monumento dedicado a Cláudio Abramo, o grande jornalista, em uma pracinha do Jardim Europa. Ali desceu o Espírito Santo, e iluminou os primeiros carbonários da grana, unidos em torno do slogan: Cansei. Uma campanha publicitária, oferecida de graça por Nizan Guanaes, gênio da propaganda nativa de inolvidável extração tucana, mais badalado entre nós do que George Clooney no resto do mundo, insistirá em peças destinadas a expor o pensamento dos graúdos envolvidos: “cansei do caos aéreo”, “cansei de bala perdida”, “cansei de pagar tantos impostos”. É do conhecimento até do mundo mineral a quem esses valentes senhores atribuem a culpa por os males que denunciam: nem é ao governo como um todo, e sim ao Lula, invasor bárbaro de uma área reservada aos doutores. Mas o presidente da OAB paulista, certo D’Urso, diz que o movimento não tem conotação política. Enquanto isso, às sorrelfas, o pessoal pede instruções aos mestres. Alguns ligam para Fernando Henrique Cardoso, outros para José Serra. São os derradeiros retoques da tucanização da elite brasileira, a mesma que sentou-se em cima de um tesouro chamado Brasil e só cuidou de predá-lo, com os resultados conhecidos. Incompetência generalizada, recorde mundial em má distribuição de renda, baixo crescimento, educação e saúde descuradas até o limite do crime, miséria da maioria etc. etc. Acorda Lula, chama o teu povo.

terça-feira, julho 24, 2007

Laudo do IPT: Congonhas está acima das exigências técnicas

Deu no Hora do Povo:

Vejam os amigos leitores essa jóia encontrada na última edição da revista “Veja”: “A culpa pelo acidente da TAM pode ser da pista inacabada de Congonhas, de um defeito mecânico do avião, de um erro do piloto, da chuva, do acaso, de tudo isso combinado. A única certeza é a parcela de responsabilidade do governo pela tragédia”.


GOLPISMO


Em suma, a realidade - isto é, a verdade - não interessa. Não importa a causa do desastre. A única coisa que importa é que a “Veja” quer usar a tragédia para atacar o governo. Mesmo que o avião tenha caído porque um gavião que entrou pela turbina, ou devido a um ataque alienígena, a culpa é de Lula. O que é isso senão uma confissão de golpismo, puro e simples, e sem disfarces? Para cevar um golpe de Estado contra Lula, vale tudo. Inclusive desrespeitar famílias e mortos, tentando usá-los em uma manipulação meramente golpista.


Durante meses, mantêm uma campanha sórdida para criar uma crise no setor aéreo. E, sem dúvida, conseguiram criá-la, à custa de deixar controladores, pilotos e outros profissionais à beira de um ataque de nervos. Mas quando acontece uma desgraça, não importa a causa, a culpa é do presidente Lula.


Porém, não é todo golpista que é tão burro quanto os da “Veja” para confessar sua torpeza. A maioria percebe que tem de agitar uma causa do acidente que sirva aos seus objetivos. Não foi por outra razão que tentaram culpar a pista – isto é, as obras que o governo federal promoveu na pista de Congonhas. Os golpistas menos estúpidos percebem, também, que não adianta fugir do assunto e dizer, como a “Folha de S. Paulo”, que mesmo que a pista seja uma maravilha, o problema é que o governo não fechou Congonhas. É preciso um motivo para fechar Congonhas – e sempre alguém lembrará que eles foram contra a construção do aeroporto de Cumbica e sempre se opuseram à utilização do aeroporto de Viracopos.


O que está em questão é a causa do acidente. Exatamente por isso é que essa mídia escondeu vergonhosamente o parecer do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) exarado no dia 19 – dois dias depois da tragédia de Congonhas.


O Parecer Técnico nº 12792-301, assinado pela engenheira Márcia Aps, diretora do Centro de Tecnologia de Obras de Infra-estrutura, do IPT, é uma análise da pista principal do aeroporto de Congonhas depois de concluída a reforma empreendida pelo governo federal. Afirmaram os técnicos do IPT: “a mistura asfáltica (....) pode ser considerada tecnicamente como apta para o tráfego de aeronaves, veículos e equipamento de obras. (....) no que tange à concepção do revestimento asfáltico quanto às suas propriedades mecânicas, esta camada de rolamento atende às especificações de projeto e todas as implementações adotadas adicionaram características positivas”.


Quanto à questão da pista molhada, diz o IPT: “Os valores encontrados nos dois monitoramentos recentemente realizados, mostram-se acima dos valores recomendados do ponto de vista de atrito em pista molhada, tendo em vista os limites recomendados internacionalmente (ICAO-Anexo 14) e nacionalmente (DAC). Pela análise realizada, no que tange às condições de superfície do revestimento asfáltico, os valores medidos de atrito pela Infraero na pista principal por meio do equipamento mu-meter, na situação atual, revelam-se acima dos limites mínimos especificados”.


Em resumo: a pista principal de Congonhas, após as obras, não tinha e não tem qualquer problema que justifique sua interdição. Muito pelo contrário, ela estava – e está – acima das exigências técnicas e dos padrões internacionais. Na verdade, após a reforma, ela é uma das melhores pistas do país. E isso deve-se, exclusivamente – faça-se justiça – ao governo Lula.


No entanto, esse parecer do IPT foi escondido pela mídia. Por quê? Exatamente porque destruía a forjicação de que o governo Lula fosse o responsável pelo acidente. E o interesse único dessa mídia era culpar o governo, em especial, a Lula.


A existência do parecer do IPT foi revelada na sexta-feira, dia 20, por Fernando Rodrigues, em seu blog na Internet. No dia seguinte, apesar de Rodrigues ser um dos principais jornalistas da “Folha de S. Paulo”, esta enterrou o parecer na página 6 de um caderno interno. E mesmo assim é uma nota tão pequena que passou desapercebida à maioria dos leitores. No mesmo dia, na “Globo”, o Jornal Nacional deu a notícia do laudo do IPT e em seguida colocou a imagem de um piloto da TAM garantindo que a pista de Congonhas “não é segura”. Assim, um parecer altamente qualificado foi supostamente desmentido pelo que um piloto acha – ou tem interesse em achar. É mais ou menos como se alhos e juntas homocinéticas servissem para a mesma coisa. Ou como se os primeiros fossem melhores que as segundas para a mesma coisa.


No resto da mídia golpista, menos ainda apareceu. O relatório somente fez sua entrada no dia 22, quando um editorialista do “Estadão”, jornal conhecido por seu amor às causas progressistas e populares – e em especial por sua fascinação pelo presidente Lula -, publicou uma carta do presidente do IPT, supostamente desmentindo Rodrigues. Alguns aventaram a hipótese de tal carta haver sido fabricada por ordem do governador José Serra, que é quem nomeia o presidente do IPT. Realmente, Serra havia desmentido a existência do parecer do IPT na própria terça-feira, dia do desastre, quando o governo federal, que o havia solicitado ao IPT, divulgou que ele existia. Naquele momento, o parecer do IPT já estava pronto. Mas só foi assinado e entregue à Infraero na sexta-feira. Serra, portanto, poderia não conhecer a existência do relatório. Mas, então, por que desmentir sua existência de pronto, tão rapidamente e com tanta certeza?


ENROLAÇÃO


O presidente do IPT pretende desmentir Rodrigues – apesar deste haver divulgado a íntegra do relatório, que fala por si próprio. Segundo o funcionário, o IPT jamais emitiu laudo “liberando a pista”. É verdade, mas quem falou nisso? Reproduzimos a resposta de Rodrigues ao desmentido do presidente do IPT: “post scriptum (23.jul.2007): o post acima [que relata a existência do parecer do IPT] tem 518 palavras. Faz um relato óbvio: o parecer do IPT não aponta óbices na pista de Congonhas. Não fala em liberação de pista. Relatou-se, portanto, um fato: a existência de um parecer. Pois o IPT produziu uma resposta de 1.184 palavras para dizer a mesma coisa... de outro jeito. É uma enrolação fantástica (‘há várias afirmações do jornalista que merecem ressalvas’). Essa gente é maluca?”.


Maluca, propriamente, não. É golpista – e sem o menor pudor de esconder documentos ou desmentir o que nunca foi dito.


por Carlos Lopes

segunda-feira, julho 23, 2007

"Serra lidera o golpe mediático"

Do Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada:

Serra lidera o golpe mediático

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.


. O jornalista Fernando Rodrigues publicou em seu site no Uol a íntegra de um parecer do IPT feito depois da obra na pista principal de Congonhas.


. O laudo é claríssimo: a pista principal de Congonhas é de excelente qualidade.


. A Folha de S. Paulo, que é dona do Uol e emprega Fernando, escondeu a notícia.


. O Conversa Afiada contou essa história.


. E previu que o laudo publicado por Fernando poderia ser “revisado” pelo presidente eleito José Serra, que manda no IPT.


. Agora, a manchete do Último Segundo do iG contém informação do Observatório da Imprensa, de autoria do jornalista Luis Weiss, editorialista do Estadão (clique aqui).


. Ele apresenta um outro relatório do IPT.


. Que não libera a pista.


. O que Fernando tinha publicado não era uma “liberação” da pista.


. Mas, o parecer de um órgão supostamente sério e ilibado, que falava da excelência da pista de Congonhas.


. O laudo de Weiss, quatro dias depois, é outro.


. O que leva à conclusão de que o presidente eleito José Serra tem a pretensão de utilizar o IPT como carta de manobra num jogo político que está na cara de todo mundo: um golpe de Estado, liderado pela mídia golpista, de que ele será o maior beneficiário.


. Obter pelo golpe o que não conseguiu nas urnas.


. E usar a mídia como a tropa de infantaria.