quarta-feira, agosto 08, 2007
Quando a liberdade de mercado não interessa
Folha de S. Paulo, página B8
Se você quiser entender melhor o que se passa nos bastidores das corporações da mídia brasileira e, em parte, o posicionamento assumido por elas em relação ao governo Lula, tente desvendar o conteúdo da página B8, do caderno Dinheiro, da Folha de S. Paulo desta quarta-feira.
Triple Play é tudo. É a possibilidade de fornecer ao cliente, ao mesmo tempo, serviços de telefonia, internet rápida e TV a cabo.
A Globo saiu na frente. A NET, que pertence à Globopar, é sócia do grupo Telmex, do bilionário mexicano Carlos Slim - o homem mais rico do mundo.
A NET está deitando e rolando no mercado do Triple Play.
Lá em Bauru a Telefônica perdeu uma cliente na telefonia, quando a dona Lourdes, minha mãe, decidiu juntar tudo num pacote só, da NET.
Se sair um perfil do Slim no Wall Street Journal, é possível que o nome dele venha acompanhado da palavra "monopolista."
[Agora, que o Journal foi comprado por Rupert Murdoch, fica difícil, né mesmo? Seria o roto falando do rasgado]
Se sair um perfil do Slim na Época, do grupo Globo, é provável que ele seja elogiado pelo dinamismo e competência.
Na mesma parada está a Telefônica - que se associou à TVA, do grupo Abril.
Mas a Telefônica ainda não tem autorização do governo para oferecer o triple play.
Por enquanto, só o pacote telefone/internet rápida.
Como a convergência digital não tem retorno, mais cedo ou mais tarde o governo dará autorização à Telefônica para entrar no jogo.
A Telefônica é cachorro muito grande para os capitalistas brasileiros.
A empresa já investiu R$ 18 bilhões no Brasil e tem mais R$ 15 bilhões programados até 2010, segundo a Folha.
Finalmente, temos a proposta do ministro Hélio Costa, que seria a de juntar numa só empresa a Brasil Telecom, a Oi, e a Portugal Telecom. Esta última é parceira do grupo Folha no UOL. E é nesse bolo que estão os interesses dos grandes fundos de pensão estatais, em última instância controlados pelo governo.
Quem entrar nesse negócio vai ganhar rios de dinheiro, principalmente com o barateamento dos pacotes de triple play e a ascensão de uma nova classe média - que continuará, a não ser que derrubem o Lula.
A cobertura jornalística do setor é muito nebulosa, uma vez que os colunistas de televisão no Brasil investem mais tempo investigando fofocas do que desvendando os interesses cruzados na indústria da mídia e entretenimento.
Se você prestar bem atenção nessa dança de interesses perceberá claramente as flutuações do humor da mídia em relação ao governo Lula.
Ninguém quer de fato derrubar o Lula, mesmo porque não tem força para isso.
Mas tirar uma lasquinha todo mundo tenta.
Se eu fizesse isso seria acusado de "extorsão".
Mas no mundo das corporações isso é chamado de "fazer negócio".
O nó da questão, realmente, está na produção de conteúdo.
"'Conteúdo é ouro', afirmou o consultor jurídico do ministério, Marcelo Bechara", segundo a Folha.
Conteúdo é o que você lê neste site, embora nesse caso seja lata ou ferro-velho que dou de graça para a Globo.com.
Wellington Salgado, do PMDB de Minas, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação do Senado, tem um projeto de lei para "proteger" a produção de conteúdo nacional contra a concorrência estrangeira, diz a Folha.
Wellington faz isso em nome do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que foi de repórter a ministro da Globo.
É óbvio que a Telefônica quer produzir seu próprio conteúdo.
É óbvio que a Telefônica tem muito mais dinheiro que as empresas brasileiras para investir na produção de conteúdo.
Eu só acho curioso que, nessa hora, gente que se esgoela em defesa do livre mercado passa a defender a "regulamentação" do mercado, a presença do estado na economia.
Você não vai ver - nem na TV Globo, nem na TV Record - alguém se esgoelando em defesa da liberdade de mercado.
Nesse caso, não interessa liberdade de mercado.
Você pode se divertir como eu, testemunhando gente que odeia o Hugo Chávez e o Evo Morales - porque eles são nacionalistas e ameaçam interesses do Brasil - de repente vestindo a camisa do "nacionalismo".
Deu para notar isso na cobertura dos Jogos Panamericanos?
Na hora de privatizar a Vale do Rio Doce foi todo mundo a favor, mas na hora de dar um choque de capitalismo na produção de conteúdo sai todo mundo para se esconder atrás da bandeira do Brasil.
Só rindo.
terça-feira, maio 22, 2007
Venezuela em alerta
Estado venezolano alerta plan desestabilizador en el país ante salida del aire de RCTV
El ministro del Interior y Justicia de Venezuela, Pedro Carreño, aseguró este lunes en rueda de prensa desde el Palacio de Miraflores en Caracas, que se está fraguando un plan conspirativo para provocar desestabilización los próximos días cuando RCTV salga del aire por la decisión del Gobierno Nacional de no renovarle la concesión.
El ministro del Interior y Justicia de Venezuela, Pedro Carreño, informó este lunes que los organismos de seguridad del Estado se encuentran alerta ante un supuesto plan desestabilizador que están preparando sectores de la oposición ante la salida del aire del canal privado Radio Caracas Televisión (RCTV) cuya licencia vence el próximo 27 de mayo.
El ministro Carreño, informó que en los últimos días los organismos de seguridad e inteligencia del Estado decomisaron más de 20 armas de fuego, entre otros elementos relacionados con un presunto plan desestabilizador motivado, según el funcionario, por la decisión de no renovar la concesión a RCTV.
Carreño resaltó que "producto de una decisión soberana que ha tomado el Estado de no renovar la concesión a un canal privado para operar en el espectro radioeléctrico se cierne sobre nuestro país un plan conspirativo".
El titular de la cartera de Interiores y Justicia informó que el día 17 de mayo, en el estacionamiento de Makro La Yaguara, al este de Caracas, fueron detenidos los ciudadanos José Luis Mago y Omar Palacios, por el presunto "delito de tráfico de armas".
Asimismo, informó el ministro que en el municipio Chacao de Caracas, fue detenido el ciudadano Jorge Alfonso Madrid, "y se incautaron cuatro rifles, tres escopetas, una ballesta, seis pistolas, dos revólveres, una mira telescópica, cuatro bombas de gas, chalecos antibalas", entre otros.
Destacó también que el 19 de mayo se detuvo "en la urbanización La Florida, al ciudadano Fernando Alfonso Madrid, se informa al Ministerio Público y producto de esta visita se incautaron tres escopetas, dos rifles, una ballesta, un porta cartucho", entre otros.
Estas acciones de inteligencia que adelanta el ministerio del Interior, forman parte de las medidas preventivas para abortar planes desestabilizadores contra el gobierno del presidente Hugo Chávez, agregó Carreño.
El titular de Interior y Justicia hizo un llamado a la cordura y ponderación. Aseguró que el objetivo es mantener el clima de "paz, armonía y felicidad", que se ha venido registrando en el país.
O ouro puro que não foi manchete
O ouro puro que não foi manchete
A manchete da Folha deste domingo é o tipo da notícia "cachorro morde homem":
"Guatama é suspeita em licitação de R$ 1,6 bi".
Nada contra, em princípio. È o assunto quente dos últimos dias, desde que a Polícia Federal mostrou quem e onde foi cortado pela Operação Navalha.
Mais eis que o leitor bate os olhos na metade de baixo da página, depois da dobra, topa com um título em duas colunas, "Economia do país nunca esteve tão bem, diz estudo" e se põe a ler:
"O Brasil vive o melhor momento econômico de sua história, superior ao chamado milagre econômico dos anos 70, diz estudo da Tendências".
E fica boquiaberto.
Ele está diante do tipo da notícia "homem morde cachorro" - meio caminho andado para ser alçada ao topo da página, sem falar da gritante importância do assunto em si.
A notícia é inusitada - daí o "homem morde cachorro", porque o principal sócio da Tendências Consultoria não é outro se não o ex-ministro da Fazenda, crítico duro e obsessivo do governo Lula, economista Maílson da Nobrega, que escreve aos domingos no Estado.
Não é todo dia que um jornal põe as mãos em mercadoria dessa qualidade e procedência - ouro puro, como se diz ou se dizia nas redações. Tanto que a Folha o esparramou por boa parte de quatro das dez páginas do seu caderno Dinheiro.
O jornal, naturalmente, ouviu quem torce o nariz para o trabalho da Tendências e usou no sub-título da matéria principal do pacote a expressão "estudo controverso e contestado", explicando no texto de abertura:
"Evidentemente, muitos economistas e empresários discordam da tese [da inigualável situação da economia nacional]. Apontam a alta carga tributária, a necessidade de reformas e carências estruturais como impedimentos para uma expansão sustentável."
Exemplo desses "muitos economistas" é outro ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira. Diz:
"Estamos fracassando miseravelmente há 27 anos. Estamos ficando para trás, para trás e para trás, e faço questão de dizer três vezes, para que não haja sombra de dúvidas."
Na outra ponta, a mais vigorosa declaração é do empresário Luiz Largman, diretor da Construtora Cyrela:
"Se o pessoal da Tendências estiver errado é porque eles estão sendo conservadores."
Se isso não vale manchete, não sei mais o que a palavra significa.

