quinta-feira, agosto 09, 2007

"Testando hipóteses" - Uma nova teoria do Jornalismo ou apenas mais um eufemismo da Idade Mídia?















Do blog do Luis Nassif:

A notícia órfã

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do “Globo”, “A grande imprensa”.

Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: “A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

“Testando hipóteses” é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.

De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.

O “testando hipóteses” do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar. Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.

E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.

Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do “aquário”. Houve um divórcio dos pais – o “pai” “aquário” e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.

Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.


- Leia mais sobre o "Testando hipóteses" hoje no Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha.

4 comentários:

Cé S. disse...

A performance jornalística da Globo foi indecentemente amadorística nas últimas semanas, e as explicações de Kamel, um dos responsáveis, são tão tolas que mal merecem resposta.

Na boa, a família Marinho consegue profissionais melhores do que esses, caso queira.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Tirando os Datenas da vida, a cobertura da mídia em relação ao acidente da TAM foi correta. É um jogo de quebra cabeças, as causas e concausas vão surgindo aos poucos e os responsáveis também. Impossível, naquela altura do campeonato, descontextualizar o acidente de um fato real que é o caos aéreo. Foi a grande mídia, o JN e a Veja que trouxeram exatamente os fatos que isentaram a responsabilidade do governo. Paradoxalmente, a paranóia de certa esquerda continua a dizer que está havendo um golpe. O que mais vão inventar?

joice disse...

paranóia. taí um termo que lhe cai bem, Senhor Maia.

Anônimo disse...

"Esse Alí kamel é um brincalhão mesmo!!! Oi joice, se der tempo veja lá no meu blog a 'metodologia científica do teste de hipóteses" kkkkkkkkkkk :)