terça-feira, outubro 02, 2007

LULA É O MAIS POPULAR PRESIDENTE DA AMÉRICA LATINA

Muito interessante e relevante esta pesquisa divulgada pela Agência Estado indicando o grau de popularidade do presidente Lula da Silva na América Latina. Em termos de popularidade o presidente brasileiro supera todos os outros presidentes de esquerda ( Nestor Kirchner da Argentina não figura na lista do instituto Ipsos Public Affairs) .A hierarquização é feita pela diferença entre o índice de aprovação e o de reprovação. Por este critério Michelle Bachelet do Chile ocupa o segundo lugar em termos de popularidade entre os presidentes latino-americanos. Mas este critério tem um pecado capital vez que, por exemplo, Lula tem quase o dobro de tempo de exercício da presidência que a presidenta chilena e, conseqüentemente está exposto à apreciação pública por mais tempo. Por outro lado os que têm menos tempo de exercício na presidência ainda não sofreram o natural desgaste da permanência no poder. Então, pode-se considerar como verdadeiro que a avaliação de um presidente noutro país que não o dele depende de condicionamentos temporais.


Também curioso é notar que exatamente os presidentes com histórico revolucionário, ou que pregam mudanças radicais e impregnadas de intolerância com as regras democráticas não alcançaram boas pontuações a exemplo do nicaragüense Daniel Ortega, do cubano Fidel Castro e do venezuelano Hugo Chávez. Excetuando o presidente da Nicarágua os outros dois têm pontuação negativa ( ou seja, rejeição maior que aprovação). Por este critério Bush , cuja presidência está relacionada com os desastres das intervenções militares no Afeganistão e no Iraque, tem a pior performance entre os nomes pesquisados.

Didymo Borges

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POLÍTICA
Sábado, 29 de Setembro de 2007 - 23:10

SE HOUVESSE ELEIÇÃO DE PRESIDENTE DA AMÉRICA LATINA, LULA SERIA ELEITO

Agência Estado - Pesquisa "Latin American Pulse", do Ipsos Public Affairs, realizada em seis países da região e divulgada com exclusividade pela Agência Estado revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o presidente mais popular no Continente, com uma média de 56% de imagem positiva, contra 20% de imagem negativa e um saldo de +36 pontos.

Muito bem avaliado nos seis países, a pesquisa atribui a Lula o posto de presidente com maior apoio popular no continente. Ele anotou saldos amplamente positivos em todos os países: +45 na Venezuela, +45 pontos porcentuais na Bolívia, +44 no Equador, +31 na Argentina e +25 no México. No Brasil, Lula Afora Lula tem 59% de imagem positiva e 30% de imagem negativa, saldo de +29. "Se houvesse eleição de presidente da América Latina, Lula seria o mais forte candidato", diz Alberto Carlos Almeida, diretor de planejamento do Ipsos.

A imagem de 11 presidentes foi questionada na pesquisa do Ipsos. A pior situação é de George W. Bush, dos EUA, que, na média, tem imagem positiva para 21% e negativa para 64% (saldo de -43 pontos). Outro esquerdista que alcançou resultado pífio foi o sandinista Daniel Ortega, da Nicarágua, que tem imagem positiva para 23% e negativa para 20%, com saldo de apenas +3, apesar de ter tomado posse este ano. Michelle Bachelet, do Chile, tem imagem positiva para 40% e negativa para 20%, com saldo de +20.

A pesquisa retratou uma América Latina altamente tomada pelo otimismo, diz o relatório do Ipsos, tanto no que tange à capacidade realizadora de seus governantes quanto no que os eleitores esperam do cenário político. Para o instituto, em parte, esse otimismo vem das recentes eleições presidenciais - houve nove eleições em apenas um ano e meio. "Eleições freqüentemente induzem o eleitorado à percepção de que o seu país está no rumo certo", afirma Young.

Dados divulgados pela Agência Estado

Presidente

Positivo

Negativo

Saldo


Lula da Silva (Brasil)

56%

20%

+36%

Michelle Bachelet (Chile)

40%

20%

+20%

Daniel Ortega (Nicarágua)

23%

20%

+3%

Fidel Castro

36%

42%

-6%

Hugo Chávez (Venezuela)

38%

45%

-7%

George W. Bush (EUA)

21%

64%

-43%

FHC não apareceu nas manchetes. Lembrei do Biondi

(Quinta-Feira, 27 de Setembro de 2007 às 10:53hs)
O senador Azeredo disse que o que ele arrecadou não foi só que declarou na campanha. Numa coisa ele tem razão, todos fazem isso, sem exceção. E faziam muito mais ainda antes das denúncias de 2005. Mas o que se está investigando não é só um suposto caixa 2, com recursos doados por empresários e que não foram declarados. A investigação é sobre um esquema onde recursos públicos foram parar numa conta de agência de publicidade e de lá foram para campanhas políticas. Exatamente como na crise de 2005. E o senador Azeredo diz: não só para a minha campanha, mas também para a do ex-presidente FHC.
E os jornais do dia seguinte o que fazem? Nada. Ignoram a história e repercutem apenas as críticas de tucanos ao isolado senador Azeredo. Aliás, quem conhece o ninho diz que entre os bicudos ele é dos melhores.
Essas coisas me fazem lembrar dos tempos FHC, quando críticas mesmo só as dos cadernos culturais.
Naquela época, Aloísio Biondi era vivo e um dos poucos que ousava ir para cima do governo. Um dia fomos tomar cerveja no prainha, um conjunto de bares na Avenida Paulista, próximo à Faculdade Cásper Líbero e Biondi me contou que acabara de recusar uma proposta de um grande jornal para ganhar muito mais do que no então Diário Popular, onde encerrou a carreira.
No Diário ele tinha uma coluna diária. O outro jornal propôs que ele escrevesse uma vez a cada 15 dias. E um artigo pequeno, de umas 30 linhas por texto.
Biondi entendeu a proposta, agradeceu e respondeu que preferia continuar ganhando menos e escrevendo. Do que ser pago para ficar calado. Tempos de FHC.

PSDB, uma farsa de origem

Leia artigo publicado no site da Agência Cartamaior
Gilson Caroni Filho
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?

(Elogio da dialética- Bertold Brecht)

A dúvida como método sempre foi o melhor caminho. Nestes tempos em que a análise política se divorciou dos seus conceitos clássicos, a leitura de proeminentes pensadores dos anos 60/70 pode ser de grande valia para quem quer entender a conjuntura atual. Definir o perfil ideológico dos principais atores e as clivagens político-partidárias que nos desorientam é tarefa detetivesca, tal a fluidez de conceitos, categorias e discursos. Requer da literatura política recente um pouco mais de profundidade analítica. Algo que vai na contramão da afoiteza de marcar presença nas páginas da imprensa. Nessa batida, se perde o tucanato como excelente estudo de caso.

Fundado em 25 de junho de 1988, o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) é um equívoco no próprio nome. Um lance de oportunismo travestido de roupagem ética e veleidades de modernização política. Uma agremiação de origem parlamentar que, desde o início, apostou na arbitragem suprema do mercado guarda alguma relação com suas supostas congêneres européias? A resposta parece negativa independentemente da angulação que escolhamos. Um partido de quadros de classe média e sem base operária que se autodenomina social-democrata é uma idéia fora do lugar. Nada mais que isso.

No plano econômico, os filhos do cisma entre socialistas e comunistas europeus praticavam um modelo no qual, embora a acumulação fosse realizada pela iniciativa privada, em sociedade ou não com empresas públicas, uma tributação progressiva gravava parte da mais-valia acumulada, direcionando-a para setores pouco rentáveis ao grande capital: educação, saúde pública, transportes, saneamento e previdência. Alguma semelhança com os oito anos de governo FHC e a primazia dada ao avanço puro do capital rentista? Alguma relação com a adoção do receituário que previa a desregulamentação da economia e privatização criminosa do patrimônio público?

No campo das políticas públicas havia, na social-democracia alemã, forte presença de subsídio aos desempregados, apoio ao trabalhador aposentado e o freio institucional ao livre fluxo do capital. Por ameaçar a coesão social com sérios riscos de anomia, a lógica do lucro era submetida a uma triagem prevista na institucionalidade do regime político. Até aqui, alguma semelhança com o modelo brasileiro adotado no final do século passado?

Aqueles que, em Bad-Godesberg (1959), romperam em definitivo com o marxismo assinariam um modelo que, segundo o Mapa da Fome, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, em 2001, levava à indigência 29% da população? Coonestariam a regressividade tributária que onerava mais pessoas físicas que grandes corporações e bancos? Com seu apreço a Keynes, levariam oito anos para dar ao trabalhador um rendimento médio de R$ 350, enquanto decuplicam os lucros do setor financeiro? A versão tupiniquim teve, nesses indicadores, as premissas para o êxito de sua estabilidade macroeconômica. Bernstein se revira no túmulo. De tanto rir.

Mas não paremos por aqui. Segundo Wanderley Guilherme dos Santos, conceituado cientista político, "não há social-democracia sem a afirmação de um parlamento forte, soberano, capaz de efetivamente legislar" (A proposta social democrata, org. Hélio Jaguaribe, José Olympio, Rio, 1989). Nesse ponto podemos trabalhar com a memória dos tempos tucanos: sai fortalecida a instância representativa que vê o destino de emendas orçamentárias ser decidido pelas conveniências da aprovação de uma emenda constitucional de interesse do Executivo? E o abuso de medidas provisórias? E a inexistência de relações estreitas entre movimento social e representação partidária? Algum leitor pode, a essa altura, indagar: mas muitos dessas práticas não continuam? Aos puristas, respondo com outra pergunta. Nosso conhecido patrimonialismo foi amplificado com o pragmatismo utilitário-eleitoral da turma de FHC? Como se daria a ruptura abrupta com tais práticas? Com bonapartismo ou súbita conversão ética das oligarquias? Como as duas alternativas são impossíveis, não nos entreguemos a exercícios de hipocrisia política.

Francisco Weffort, o dirigente partidário que, por uma prebenda, dormiu petista e acordou tucano, na mesma publicação se pronunciava sobre o tema: "Quando se fala de social-democracia fala-se de um padrão histórico determinado de organização político-partidária e de regime político, numa certa época, num determinado período histórico na Europa (...) em que os partidos social-democratas chegaram ao poder apoiado em organizações sindicais de trabalhadores". Alguém reconhece aqui o PSDB ou mesmo a realidade em que ele surge? Em suma, a social-democracia no Brasil guardaria a mesma licenciosidade que o liberalismo. São idéias fora do lugar.

Ora, como definir então a criação de FHC? Chamá-la social-democrata como quer o colunismo chapa-branca de plantão é prova de desconhecimento histórico. A "direita da esquerda" alemã do século passado não guarda qualquer relação com a esquerda da direita do governo que, por oito anos, apresentou a lógica da banca investida do poder de verdade. Há quem possa afirmar que a social-democracia contemporânea reza a mesma cartilha do tucanato. Matou o welfare state e foi ao cinema com o neoliberalismo. Tudo bem. Tal constatação só reforçaria que a tentativa de clonagem foi exitosa, mas o clone brasileiro, tal como a ovelha Dolly, já nasceu envelhecido.

Chegou a hora de a esquerda decidir o que quer ser. Ou defende as conquistas dos últimos anos e buscamos, na medida do possível, avançar. Ou, tal como o PPS, escolhe o símbolo que melhor define sua trajetória recente: a de palhaço da burguesia. As gargalhadas são garantidas.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil e Observatório da Imprensa.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Policial denuncia execuções da Rota

Soldado contou ao ‘Estado’ como colegas simularam assaltos e até atentados do PCC para esconder assassinatos

Marcelo Godoy

O soldado P. se orgulha de trabalhar na Rota, a temida tropa de elite da Polícia Militar paulista. Diz que gosta de tudo correto, da abordagem de suspeitos à prisão de ladrões. Há mais de cinco anos de Rota, P. já viu também muita coisa errada, que “tem de parar”. Como policiais roubarem um carro e fazerem um atentado como se fossem do Primeiro Comando da Capital para justificar a execução de um ladrão.

Mais do que denunciar colegas, P. procurou o Estado para contar como as coisas acontecem. Como uma parte dos policiais - “sempre os mesmos” - faz as chamadas “derrubadas”, onde suspeitos são escolhidos e executados. Depois os policiais encenam tiroteios e roubos. Tudo para “arredondar” o caso.

Durante um ano, P. deu quatro longas entrevistas à reportagem. As informações foram averiguadas e, em dois casos, serviram para esclarecer crimes, levando à denúncia de policiais envolvidos ou reforçando indícios contra suspeitos. Ele revelou, por exemplo, em junho de 2006 o envolvimento de um comerciante na execução de dois suspeitos em Guarulhos - meses antes de a promotoria denunciar por homicídio quatro PMs da Rota e o comerciante, que emprestara um Audi aos policiais para simularem um tiroteio. Em outros casos, os dados básicos das histórias foram comprovados por boletins de ocorrência e depoimentos de dois oficiais da PM. O resultado é um retrato de como funciona um sistema ilegal, que o comando da polícia diz combater.

Foi a reação dos colegas aos ataques iniciados pelo PCC na noite de 12 de maio de 2006, uma sexta-feira, o motivo que levou P. a desabafar. Dali até agosto, PMs mataram 104 suspeitos de pertencerem à facção. A “contabilidade” do lado do PCC também foi sangrenta. A facção matou 59 pessoas, 25 delas PMs.O relato de P. começa com uma reunião interna da tropa:

ORDEM SUPERIOR

“O oficial disse que era preciso dar uma resposta. No sábado (13 de maio) foram 9 (mortos). No domingo todo mundo entrou em forma de novo . O oficial parabenizou o trabalho feito, falou que precisava que se desse continuidade, que a tropa tinha entendido a mensagem, que precisava repetir a dose. Aí teve 16 (mortos). Na segunda, disse para maneirar um pouco e aí teve 8... Aí na terça, com o pessoal em forma, ele (o oficial) chegou e disse: ‘Deu, tá bom.’”

- Com a tropa em forma?

“Em forma, com grito de guerra, grito de Rota e tal. Foi dado garantia: não tem Proar (acompanhamento psicológico de PMs envolvidos em ocorrências de risco), afastamento de rua e transferência. Não teve nada.”

O TEATRO

P. conta um caso ocorrido na onda de ataques. Pela versão oficial, quatro bandidos roubaram um veículo para fazer um atentado quando foram surpreendidos. Dois morreram e dois fugiram. Mas a história, segundo o soldado, foi diferente:

“Eram dois caras (os ladrões). (Os PMs) pegaram a caminhonete de um amigo de um soldado. Puseram os dois na caminhonete enquanto o oficial arrumou o fuzil, que já estava na base Aguiar (o quartel da Rota, na Avenida Tiradentes) ... aí depois, o outro oficial, que é irmão do tenente, arrumou os endereços e fez a carta (falsa relação de alvos do PCC deixada com os suspeitos, assim como o fuzil). Na hora da ocorrência, os dois marginais já estavam mortos no porta-malas da viatura. Já estavam mortos. Foram dois PMs civil (à paisana) que pegaram a picape para simular a perseguição, mas o que quase deu errado foi que uma reportagem estava perto e começou a filmar. Mas, quando a picape parou e começou aquele monte de tiro, o pessoal da reportagem parou. Eles não chegaram perto. Aí foi o seguinte: a reportagem mostrou alguma coisa, mas mostrou em benefício (da PM), pois não viu realmente o negócio lá.”

- Os supostos fugitivos eram policiais de outra viatura?”

“É, de outra. É assim: duas ou três (viaturas) trabalham pra uma. São três procurando os caras (suspeitos) enquanto a outra vai fazer (executar).”

- Por que alguém empresta o carro para a encenação da polícia? O que ele ganha?

“Pelo prazer de poder apertar (matar) o ladrão.

As diferenças entre mensalões

Da Dora Kramer, no Estadão de hoje

"Podem-se invocar diferenças entre um esquema e outro, sendo a principal delas a amplitude (uma foi federal e outra estadual) e a notoriedade dos envolvidos. É diferente também o impacto provocado por um caso e outro, já que no federal estava à frente um partido de combate em prol da ética e isso, obviamente, assusta bem mais.

Mas a gênese do sistema é a mesma: desvio de dinheiro público para financiamento de campanhas eleitorais por meio de contratos de publicidade fraudulentos com as empresas de Marcos Valério de Souza.

Comentário

Um esquema é amplo pelo número de pessoas e recursos que envolve. O que tem a ver com o fato de um ser federal e outro estadual? Quanto à notoriedade dos envolvidos, como não considerar notórios o próprio governador de Minas na época, Eduardo Azeredo, e o atual governador Aécio Neves, além de Walfrido Mares Guia, que já era um peso-pesado na política mineira?

Dora considera que o “mensalão do PT” é mais chocante porque o PT era o partido da ética. Como assim? E o PSDB não era? Finalmente, a gênese não é a mesma. No caso do “mensalão mineiro”, ficou caracterizado claramente desvio direto de órgãos públicos.

O ponto central é outro: na campanha eleitoral, ficaram em amplíssima minoria os analistas que acertadamente tentaram mostrar que o “mensalão” era um esquema já existente que servia a todos os governantes. Era a análise correta, jornalística, mas todos os que ousaram ir por esse caminho foram massacrados pelo macartismo vigente no período e ainda em voga.

Do André Petry, da Veja

"O conteúdo, no entanto, é distinto. No caso tucano, pelo que se sabe até agora, é um caixa dois eleitoral. É um crime, mas o crime é esse. No caso petista, o mensalão também teve seu lado de caixa dois eleitoral, mas foi bem mais do que isso. Serviu sobretudo para subornar outro poder, trocando apoio por dinheiro e violando um princípio basilar da democracia. Simbolicamente, os petistas fecharam as portas da Câmara dos Deputados e foram às compras. No bazar das consciências de suas excelências, arremataram as mais baratas, as mais convenientes. É corrupção ativa e passiva. E é, também, um crime de lesa-democracia".

"O esquema do PT em Brasília é pior do que o do PSDB em Minas? Talvez seja, sobretudo porque o mensalão tomou a estrutura do PT, com adesão de toda a sua antiga cúpula, mostrando que a roubalheira tinha uma espécie de chancela institucional. No caso tucano, não há indicações de que a pilantragem de Eduardo Azeredo tenha sido organizada e executada pela cúpula nacional do PSDB".

Comentário

1. Como se explica que no “mensalão mineiro” existissem políticos de outros partidos; e no “mensalão do PT” existissem também parlamentares petistas? Se não era para conquistar aliados, porque o PSDB colocou os de fora? Se não era só para caixa dois, porque o PT incluiu os de dentro? Que tal uniformizar a lógica?

2. Dizer que “não há indicações de que a pilantragem de Eduardo Azeredo tenha sido organizada e executada pela cúpula nacional do PSDB” é campeão. Azeredo era o presidente do PSDB. O Petry inventou uma nova conceituação: presidente de partido passou a ser base, não mais a ser cúpula.

3. Finalmente, como se explica que um tema que surgiu junto com o "mensalão" só mereça cobertura da imprensa depois que a Polícia Federal concluiu seu relatório?

Marcos Valério, o operador de aluguel

Maria Inês Nassif

Valor de 20/09/2007


O empresário Marcos Valério não era simplesmente um operador petista, mas um profissional do ramo de lavagem de dinheiro e montagem de caixa 2 para campanhas eleitorais. E profissional dessa área não tem partido: o dele é o que está no poder e o contrata. Essa é uma obviedade desde 2005, quando o empresário passou a ser investigado como operador de um "mensalão" que teria irrigado o caixa 2 do PT e de seus aliados nas eleições municipais de 2004. Afinal, no meio das investigações apareceu ninguém menos do que o senador Eduardo Azeredo (MG), então presidente do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. Ou melhor, veio à tona o caixa 2 que irrigou o PSDB mineiro e seus aliados na campanha de Azeredo pela reeleição para o governo de Minas, em 1998.

O PSDB nacional e o próprio interessado estabeleceram uma diferenciação sutil entre o caso do PT e o de Azeredo, segundo a qual os petistas e seus aliados pecaram porque supostamente teriam usado o dinheiro para pagar mesadas aos aliados e o ex-governador de Minas, como não teria dado mesada, era inocente. O PSDB afastou docemente Azeredo da presidência, juntou-se ao PFL num discurso agressivo contra o PT e o governo Lula, a mídia embarcou e o caso ficou esquecido até agora.

Por quase dois anos a oposição tratou o caso do mensalão como uma anomalia introduzida pelo PT no sistema político. A udenização do discurso oposicionista no auge da crise política beirou o golpismo. Agora, a mesma PF que indiciou os envolvidos do PT e de seus aliados concluiu o inquérito do "valerioduto" mineiro e chegou à conclusão de que este é um esquema muito mais complexo, pois envolveu mais de 150 políticos, 17 partidos e um total de R$ 100 milhões movimentados nas eleições de 1998 sem conhecimento da Justiça Eleitoral. O presidente do PT nacional à época do mensalão, José Genoíno, está sendo processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, ao que tudo indica, pecou principalmente por omissão. O presidente do PSDB de então era Eduardo Azeredo, beneficiário do mesmo esquema em 1998. Os partidos de ambos usaram os mesmo recursos de captação e lavagem de dinheiro. A única diferença é que o PSDB de Minas precedeu o PT nacional no uso dos préstimos de Marcos Valério.

Esses são os fatos - que, aliás, ao serem aqui expostos não têm nenhuma intenção de inocentar o PT pelo uso do caixa dois e captação ilegal de dinheiro nas eleições de 2004. Pelo contrário. É sabido que o PT abandonou a campanha de militância e embarcou no esquema tradicional de captação de dinheiro quando tornou-se "pragmático" e foi atrás de recursos para "profissionalizar" suas campanhas eleitorais. Não é mérito nenhum ter feito a opção de se tornar mais um entre os partidos que já se utilizavam desse expediente.

Valerioduto mineiro foi subestimado pela mídia

A discussão que se coloca agora, findo o trabalho da PF e quase terminado o do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza - que deverá oferecer denúncia contra os clientes mineiros de Marcos Valério nos próximos dias - é se a disputa política justifica eticamente a assimetria como foram tratados os dois casos, quer pela oposição, quer pela imprensa.

Quando os especialistas analisam as razões pelas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou na disputa pela reeleição, no ano passado, devem incluir mais uma: para o grande público, e não para a restrita "opinião pública" integrada pelos mais escolarizados, a hipocrisia do discurso dos oposicionistas, militantes da política tradicional desde sempre, ou quase isso, estava patente. "A conversa deles é dizer que a questão moral não conta mais. Conta sim. Ladrão, não mais", discursou para seus correligionários energicamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista, afirmou, enojado: "Nunca ouvi falar em tanta corrupção como neste governo". O senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), recentemente falecido, referia-se ao dirigente máximo da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas como "ladrão". Não colou. Dada a imagem que a classe política desfruta entre os eleitores, venceu, na dúvida, o presidente Lula, que trazia uma política social inédita na bagagem.

Como na política institucional vale mais a versão que o fato, o país deverá assistir nos próximos dias mais alguns lances de pura hipocrisia. O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido Mares Guia (PTB), foi investigado pela PF e agora o procurador-geral decidirá se apresentará denúncia contra ele. Embora esteja sob investigação por conta do caixa 2 do tucano mineiro, o ministro promete ser a próxima crise do governo de Lula. Pode-se ponderar que Lula, depois dos tumultos do primeiro governo, não poderia ter feito uma maioria parlamentar a qualquer preço e deveria escolher melhor suas companhias, mas esse argumento também remete aos governos FHC. Afinal, o PTB do ministro esteve na base de apoio de todos os presidentes desde a sua recriação, em 1980.

A repercussão dos escândalos do mensalão e do valerioduto mineiro, ou melhor, a simples existência de Marcos Valérios, devem deixar a arena da disputa político-partidária. É sobre as razões pelas quais esses esquemas existem historicamente no Brasil e se mantém ativos que a sociedade em geral, e os partidos em particular, devem se debruçar. E, para que se inicie um debate sério, sem hipocrisias, é necessário reconhecer que: o sistema político funciona e se financia com dinheiro ilegal; os partidos não se diferenciam fundamentalmente quando se trata de captação ilegal de dinheiro (talvez com exceção do P-SOL, que é novo e ainda não tem grande representatividade; o PT era exceção, mas esse é um verbo no passado); a lavagem de dinheiro de origem duvidosa é uma atividade comum no meio político e os donos de lavanderias ganham dinheiro com isso. No limite, não existe grande diferença entre as finanças partidárias e de qualquer organização ilegal. Se partir desses princípios, o debate de como trazer à superfície a vida das agremiações partidárias pode ser feito com alguma seriedade. Fora isso, é jogar para o eleitor e para a platéia.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

ELO COM CRIME ORGANIZADO MENSALÃO TUCANO DO ANTERO É PIOR QUE O MENSALÃO TUCANO DO AZEREDO

O agora, se eu não estiver errado, ex-senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) foi ou ainda é investigado pela Polícia Federal(Republicana) de Mato Grosso por ligações com o crime organizado no Estado . Segundo as investigações no ínicio de 2006, a cúpula do PSDB faria parte de uma organização criminosa chefiada pelo banqueiro do jogo de bicho João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, acusado de ter ordenado o assassinato de mais de 30 pessoas em Mato Grosso, e o espancamento e mutilação de pelo menos outras 50.

Entre 1994 e 2002, diversas empresas ilegais de factoring (que antecipam dinheiro de cheques pré-datados) montadas por Arcanjo serviram para irrigar dinheiro em campanhas eleitorais do PSDB. Apenas na campanha a governador de Antero Paes de Barros, em 2002, foram encontrados 84 cheques de uma factoring do bicheiro no valor total de R$ 240 mil.
O falecido governador tucano Dante Martins de Oliveira também esteve envolvido no esquema. As investigações, abertas há pouco mais de dois anos, mostravam que uma empresa, a Amper - Construções Elétricas Ltda., do irmão de Dante, movimentou mais de US$ 6 milhões (R$ 13 milhões), entre créditos e débitos, na factoring uruguaia de Comendador.
Além disso, o ex-secretário de Segurança Pública do Estado, Hilário Mozer Neto, nomeado por Dante, depositou R$ 1,5 milhão nos cofres de Arcanjo. Mozer Neto também era presidente da empresa offshore Gamza S.A., localizada no Uruguai, de propriedade do Comendador.
O titular da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, que descobriu o esquema do bicheiro com os tucanos, depôs na CPI do Bingos no 16 de fevereiro de 2006. O então senador Antero mostrou irritação com a explicação do juiz sobre o seu trabalho no Mato Grosso e chegou a dizer que iria processá-lo. Julier disse aos senadores da comissão que dava seqüência jurídica ao processo com base nas provas anexadas aos autos, todas obtidas em ações de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal.

E AGORA EU PERGUNTO: POR QUE A MÍDIA NÃO LEVANTA ESSE CASO NOVAMENTE? AH SIM, SE ALGUÉM TIVER INFORMAÇÕES SOBRE ESSE CASO, COMENTE, POIS, PARECE QUE A TUCANADA QUER ESQUECER ESSE CASO QUE É PIOR QUE O MENSALÃO DO AZEREDO...VAI JUNTANDO AZEREDO, ANTERO PAES, CACCIOLA ( que comentamos em matéria ontem )...Eita mundão véio sem porteira so!

Morcego Vermelho

O império da mentira e o jornalismo fraudulento


Reforma da mídia já! Ooops, desculpe-me! Esqueci que esse tema é um dogma. Pode ser legítimo o desejo de reformar o Judiciário, o Legislativo, até o Executivo, só não pode mexer com o poder absoluto, imperial da imprensa – por que aí já é “totalitarismo” e “censura”.

O título desse artigo foi extraído de um dos possíveis lemas e do que seria o “ideário”, ainda difuso e “inacabado”, e, talvez, pretensão minha, tangencie a essência da luta do chamado movimento dos “sem-mídia” (MSM). Os “insurgentes” reunidos nesse movimento que ousa subverter a pauta do escárnio que nos é imposta estão corretos. É urgente mesmo que lutemos contra o domínio e o poder despótico da grande mídia, suas mentiras, manipulações, seu moralismo e “denuncismo” seletivos.
Não que se pretenda calar e/ou manietar os meios, ou atentar contra a liberdade de imprensa (ou qualquer disparate nesse sentido) – em absoluto! Mas, é preciso combater também a arrogância, a grandiloqüência, a soberba e a megalomania de certos veículos, bem como de certos jornalistas que lhes servem como bonecos de ventríloquo e/ou sabujos, e que pretendem pautar o governo, a oposição e o país – a pauta “monopolista” e “onipresente” agora é um tal “Renangate”. Só fala no famigerado Renan Calheiros – até a saturação.

Mas a quem serve essa grande imprensa? Aos interesses e direitos universais e legítimos do leitor a uma informação isenta e de qualidade? Ao povo brasileiro? Certamente que não.

Se de fato desejamos a verdade (a que liberta) e, por isso, reivindicamos um jornalismo comprometido com a verdade factual e o máximo (quanto possível) independente de ideologias, partidos e governos, é necessário que, primeiro, busquemos respostas inequívocas a essa questão: a que(m) serve a grande mídia?

Desgraçadamente, sejamos honestos, ideologias à parte, e ainda parolando no campo da pedagogia da obviedade, a grande mídia serve aos interesses da “classe dominante”, aos que lhe financiam e dão sustentação; serve aos “donos do poder” – remetendo, novamente, à expressão cunhada por Raymundo Faoro. Então, seria no mínimo ingênuo esperar que essa mídia se posicionasse ao lado dos trabalhadores, ou dos movimentos sociais, e favoráveis às reivindicações destes.

E, de posse desse “mandato”, que lhes foi outorgado pelos “donos do poder”, despótica, imperial essa mídia já não consegue disfarçar ou ocultar o mandonismo atávico de antanho – e de sempre. Denuncia, julga e condena em editorias ou em reiteradas e canhestras matérias – mas apenas de acordo com suas conveniências e/ou de acordo com a conveniência e interesses daqueles que representa. Muitas vezes, ao arrepio da lei e do Estado de Direito.

A estratégia é simples: quando se trata dos amigos do establishment e/ou de correligionários e “irmãos” de estamento, o tratamento dado à denúncia é diferenciado. No máximo publica-se uma ou duas notinhas fazendo o registro dessa “denúncia", para logo em seguida, de maneira conveniente, tirá-la da pauta e do noticiário. O fato logo cai no esquecimento e, para todos os efeitos, a denúncia foi feita – está lá o registro, o álibi. Para todos os efeitos, o veículo é pluralista e não protege os amigos. Perceberam o engodo? Perceberam o ardil?

Ao passo que, quando as denúncias, sejam elas críveis ou não, se referem a membros do governo Lula ou de sua base aliada, aí sim são, claro, publicadas, repisadas e, se necessário, requentadas, e permanecem na pauta até a exaustão – ou até que se consiga derrubar o alvo em questão. Pode ser um ministro, um senador, um governo.

Um exemplo recente: o tal “caos” aéreo ou “apagão” aéreo – como preferirem. Havia (e ainda há), de fato, uma crise no setor aéreo do país, em parte devido ao vácuo deixado pela insolvência da Varig, em parte devido ao aumento (louvável) substancial da demanda e, também, sim, em grande parte, devido à incompetência de órgãos do governo em se antecipar a esse previsível aumento da demanda ou “gargalo”. E, claro, mas isso ninguém fala, também devido a sanha pelo lucro fácil de algumas companhias aéreas que retardavam e cancelavam vôos, faziam overbooking (vendiam mais passagens do que a quantidade de assentos disponíveis no vôo permitia) e se aproveitaram do “caos” apregoado pela mídia para legitimar ou disfarçar sua incompetência – esse seria o retrato da crise no setor aéreo mais próximo da realidade factual.

O que fez a imprensa? Bateu no governo, bateu e bateu – o que é até necessário e natural, pois é sua função criticar o(s) governo(s). Só isso? Não. Diagnosticou e apregoou, diária e reiteradamente, um tal “caos aéreo”. Porém, curiosamente, foi só o governo ceder às pressões e demitir Waldir Pires (do PT), colocando em seu lugar Nelson Jobim e a mídia silenciou (Detalhe 1: Jobim entende tanto de aviação quanto Pires – ou seja, nada). Assim, foi só sair a nomeação de Jobim para a pasta da Defesa e o tal “apagão” ou “caos” aéreo, como que por encanto, saiu da pauta. A crise aérea foi resolvida? Claro que não! Por que então a mídia agora silencia sobre os evidentes problemas no setor aéreo? (Detalhe 2: Jobim é do PMDB, e tem boa relação com o PSDB; Pires era do PT). Moral da história: aos “inimigos”, o patíbulo e a execração; aos amigos, o silencio cúmplice e a exaltação.

Isso sem falar do tratamento privilegiado que a gestão Serra em São Paulo recebe da imprensa. Por que não se fala, diuturnamente, nos “jornalões” e no noticiário local da TV, de um tal “apagão” da educação (utilizando, aqui, só para ressaltar o ridículo e o desgaste da sua linguagem “rica” em chavões hipnóticos, de fácil assimilação), ou num “caos” da segurança pública, uma vez que adolescentes em SP chegam ao Ensino Médio na condição de analfabetos funcionais e o déficit do sistema carcerário já chega a mais 30.000 vagas? Sem falar da Fundação Casa (ex-Febem) “entulhada” pelos destroços de toda uma geração de jovens – a chamada “geração FHC”. Na cidade de São Paulo carceragens onde caberiam cerca de 700 presos “acolhem” mais de 1.900!!! Mas os direitos humanos não servem para os “bandidos” – não é mesmo?

O debate – segundo eles “plural e democrático” – também é, diga-se, “de mentirinha”. Nos programas jornalísticos na TV, onde se deveria promover o debate de idéias, ocorrem tertúlias em que imperam um pensamento só. São “debates” monolíticos, modorrentos, cansativos, constrangedores, risíveis até. A modorra, a náusea está lá, indisfarçável, estampada na face dos convidados. Já é visível o esgotamento desse modelo de “jornalismo”. Distenderam demais a corda que foi pouco a pouco perdendo a elasticidade, chegando à completa frouxidão.

Observe atentamente o tratamento da mídia ao “mensalão” mineiro (note que novamente, uso a linguagem cara aos mercadores de mentiras). É pule de dez que a mídia vai centrar foco numa possível participação de Walfrido dos Mares Guia, hoje ministro de Lula e à época membro da coordenação de campanha de Azeredo, e esquecer Aécio Neves e o PSDB. Ou seja, vai tentar colocar mais essa “bomba” no colo do governo Lula. Os sabujos já dizem, com escandalosa desfaçatez, que nesse caso, sim, foi crime eleitoral (caixa 2), o outro foi “quadrilha” mesmo. A verdade deles, como se vê, é “relativa” e gira, para lá e para cá, bafejada pelos seus interesses e conveniências, tal qual biruta de aeroporto sob o sopro dos ventos.

Assim, devido ao desgaste causado pelo uso abusivo da mentira, da injúria, da intriga e da manipulação as denúncias já não surtem o efeito esperado. O “denuncismo” tornou-se uma espécie de clichê do jornalismo praticado nos dias de hoje. Ou seja, desgastou-se, pelo uso indevido, abusivo de importante instrumental da democracia: a eterna vigilância dos órgãos de imprensa, a crítica, a denúncia. A perda da credibilidade, por parte da imprensa, é ruinosa para a democracia.

Só mesmo passando a imprensa a limpo, reformulando e repensando sua práxis e criando novas leis e instrumentos regulatórios, após exaustivo debate e discussão com a sociedade (claro que por intermédio e com a participação dos jornalistas e de suas associações e órgãos representativos), que possibilitem a democratização dos meios de comunicação na sociedade, e que ela, a mídia (seja a grande, pequena ou média) esteja efetivamente a serviço dessa sociedade como um todo. E não apenas a serviço de alguns grupos demarcados e facilmente distinguíveis.

Reforma da mídia já! Ooops, desculpe-me! Esqueci que esse tema é um dogma. Pode ser legítimo o desejo de reformar o Judiciário, o Legislativo, até o Executivo, só não pode mexer com o poder absoluto, imperial da imprensa – por que aí já é “totalitarismo” e “censura”.

Totalitarismo “legítimo” só o da grande imprensa. E não se fala mais nisso.

N.AChega-me a informação (fonte: Terra Magazine) que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e a oposição “estudam” levar ao STF uma proposta de quebra do sigilo do painel de votações da sessão do julgamento do caso Renan. Esse senador é um dos amigos e protegidos da grande imprensa e, talvez por isso, tenha a desfaçatez de “estudar” um recurso descabido dessa natureza. Estejam atentos e não se enganem: esse é o ideal de democracia dessa gente.

Pelo direito fundamental do Homem à informação

AOS QUE PERGUNTAVAM PELA CUT...

Movimento lança manifesto contra monopólios de mídia Documento denuncia ditadura da mídia: falsa indignação de alguns barões é apresentada como sendo a opinião da maioria.

Com uma manifestação em frente à Folha de S.Paulo, foi fundado no dia 15 em São Paulo o Movimento dos Sem-Mídia. Durante a mobilização foi lido o manifesto, que publicamos abaixo na íntegra, pelo blogueiro Eduardo Guimarães, organizador do ato. “Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural”, disse.

Durante o protesto contra a grande mídia brasileira foram colhidas assinaturas em apoio ao manifesto. “Que a mídia fale, mas não nos cale!”, eram os dizeres de uma faixa.

A certa altura, Guimarães interrompeu a leitura para comentar o silêncio da mídia sobre o acidente na estação Pinheiros da Linha 4 do metrô paulista, onde morreram vários operários, no ano passado: “Não disseram mais nada”, afirmou Guimarães. “Tem a CPI da TVA e ninguém fala nada”, gritou um manifestante, o que levou o conjunto dos presentes a exigir: “CPI, CPI, CPI!”.

Analisando a reduzida cobertura da manifestação pela própria Folha em seu blog, Guimarães escreveu: “Eles passaram dos limites. A reportagem da Folha sobre o Ato que fizemos ontem diante do jornal constitui uma bofetada nos rostos de todos os que lá estiveram ou que apoiaram, de longe, nosso Movimento por um jornalismo limpo, plural, fidedigno, apartidário e desideologizado”.

Manifesto dos Sem-Mídia
Vivemos um tempo em que a informação se tornou tão vital para o homem que passou a integrar o arcabouço de seus direitos fundamentais. Defender a boa qualidade da informação, pois, é defender um dos mais importantes direitos fundamentais do homem. É por isso que estamos aqui hoje.

No transcurso do século 20, novas tecnologias geraram o que se convencionou chamar de mídia, isto é, o conjunto de meios de comunicação em suas variadas manifestações, tais como a secular imprensa escrita, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. Essa mídia, por suas características intrínsecas e por suas ações extrínsecas, tornou-se componente fundamental da estrutura social, formada que é por meios de comunicação de massa.

Em todas as partes do mundo - mas, sobretudo, em países continentais como o nosso -, quem tem como falar para as massas controla um poder que, vigendo a democracia, equipara-se aos Poderes constituídos da República. E, vez por outra, até os suplanta. Essa realidade pode ser constatada pela simples análise da história de regiões como a América Latina, em que o poder dos meios de comunicação logrou eleger e derrubar governos, aprovar leis ou impedir sua aprovação, bem como moldar costumes e valores das sociedades.

Contudo, há fartura de provas de que, freqüentemente, esse descomunal poder não foi usado em benefício da maioria. Não se nega, de maneira alguma, que as mídias, sobretudo a imprensa escrita, foram bem usadas em momentos-chave da história, como nos estertores da ditadura militar brasileira, quando a pressão (tardia) de parte dessa imprensa ajudou a pôr fim à opressão de nossa sociedade pelo regime dos generais. Todavia, é impossível ignorar que a ditadura foi imposta ao país graças, também, à mesma imprensa que hoje vocifera seus neo pendores democráticos, nascidos depois que sua recusa pretérita de aceitar governos eleitos legitimamente atirou o país naquela ditadura de mais de vinte anos.

Interesses
O lado perverso da mídia também se deve, por contraditório que possa parecer, à sua natureza privada, uma natureza que também é - ou deveria ser - uma de suas virtudes. Nas mãos do Estado, a mídia seria uma aberração, mas quando é pautada exclusivamente por interesses privados, seu lado obscuro emerge tanto quanto ocorreria na primeira hipótese, pois um poder dessa magnitude acaba sendo usado por diminutos grupos de interesse. Nas duas situações, quem sai perdendo é a coletividade, pois o interesse de poucos acaba se sobrepondo ao de todos.

A submissão da mídia ao poder do dinheiro é um fato, não uma suposição. Os meios de comunicação privados nada mais são do que empresas que visam lucro e, como tais, sujeitam-se a interesses que, em grande parte das vezes, não são os da coletividade, mas os de grandes e poderosos grupos econômicos.

Estes, pelo poder que têm de remunerar o “idealismo” que lhes convêm, cada vez mais vão fazendo surgir jornalistas dispostos a produzir o que os patrões requerem, e o que requerem, via de regra, é o mesmo que aqueles grupos econômicos, o que deixa a sociedade desprotegida diante da voracidade daqueles que podem (?) esmagar divergências simplesmente ignorando-as.

É nesse ponto que jornalistas e seus patrões contraem uma união estável com facções políticas e ideológicas que não passam de braços dos interesses da iniciativa privada, dos grandes capitais nacionais e transnacionais, do topo da pirâmide social. E a maioria da sociedade fica órfã, indefesa diante do poder dos de cima de alardearem seus pontos de vista como se falassem em nome de todos.

Agora mesmo, na crise que vive o Senado Federal, vemos os meios de comunicação alardearem uma suposta ‘’indignação nacional’’ com o presidente daquela Casa. Esses meios dizem que essa indignação é ‘’da opinião pública’’, apesar de que a maioria dos brasileiros certamente está pouco se lixando para a queda de braço entre o presidente do Congresso e a mídia.

Indignação
Nesse processo, a “indignação” de meia dúzia de barões da mídia é apresentada como se fosse a “da opinião pública”. O poder que a mídia tem - ou pensa que tem - é tão grande, que ela ousa insultar a ampla maioria dos brasileiros, maioria que elegeu o atual governo. A mídia insulta a maioria dizendo que esta tomou a decisão eleitoral que tomou porque é composta por “ignorantes” que se vendem por “bolsas-esmola”. Retoma, assim, os fundamentos do voto censitário, que vigeu no alvorecer da República, quando, para votar, o cidadão precisava ter um determinado nível de renda e de instrução. E o pior, é que a teoria midiática para explicar por que a maioria da sociedade não acompanhou a decisão eleitoral dos barões da mídia, esconde a existência de cidadãos como estes que aqui estão, que não pertencem a partidos, não recebem “bolsas-esmola” e que, assim mesmo, não aceitam que a mídia tente paralisar um governo eleito por maioria tão expressiva criando crises depois de crises.

É óbvio que a mídia sempre dirá que suas tendências e pontos de vista coincidem com o melhor interesse do conjunto da sociedade. Dirá isso através da confortável premissa (para os beneficiários preferenciais do status quo vigente) de que as dores que a prevalência dos interesses dos estratos superiores da pirâmide social causa aos estratos inferiores, permitirão a estes, algum dia, ingressarem no jardim das delícias daqueles. É a boa e velha teoria do “bolo” que precisa primeiro crescer para depois ser dividido.

Os meios de comunicação sempre tomaram partido nos embates políticos. Demonizam políticos e partidos que grupos de interesses políticos e econômicos desaprovam e, quando não endeusam, protegem os políticos que aqueles grupos aprovam. Isso está acontecendo hoje em relação ao governo federal e à sua base de apoio parlamentar, por um lado, e em relação à oposição a esse governo e a seus governos estaduais e municipais, por outro.

Resumindo: a mídia ataca o governo central em benefício de seus opositores. Os meios de comunicação se defendem dizendo que atacam o governo central também porque ele nada faz de diferente - ou de melhor - do que fazia a facção política que governava antes, e diz, ainda por cima, que o atual governo produz “mais corrupção”. Alguns veículos, mais ousados, acrescentam que os que hoje governam favorecem mais o capital do que seus antecessores. Outros veículos, mais dissimulados, ainda adotam um discurso quase socialista ao criticarem os lucros dos bancos e o cumprimento dos contratos que o governo garante. A mídia chega a fazer crer que apoiaria esse governo se ele fizesse despencar a lucratividade do sistema bancário e se rompesse contratos. Faz isso em contraposição ao que dizia dos políticos que agora estão no poder, porém no tempo em que estavam na oposição, ou seja, dizia que não poderiam chegar ao poder porque, lá chegando, descumpririam contratos e prejudicariam o sistema bancário...

Parcialidade
A mídia brasileira garante que é “isenta”, que não é pautada por ideologias ou por interesses privados, e que trata os atuais governantes do país como tratou os anteriores. Não é verdade. Bastaria que nos debruçássemos sobre os jornais da época em que os que hoje se opõem ao governo federal estavam no poder e comparássemos aqueles jornais com os de hoje. Veríamos, então, como é enorme a diferença de tratamento. Nunca a oposição ao governo federal foi tão criticada pela mídia quanto na época em que os que hoje estão no governo, estavam na oposição; nunca o governo foi tão defendido pela mídia quanto era na época em que os que hoje estão na oposição, estavam no governo.

Não é preciso recorrer a registros históricos para comprovar como os pesos e medidas da mídia diferem de acordo com a facção política que ocupa o poder. Basta, por exemplo, comparar a forma como os jornais paulistas cobrem o governo do Estado de São Paulo com a forma como cobrem o governo do país. A mesma facção política governa São Paulo há mais de uma década. Nesse período, o Estado foi tomado pelo crime organizado. A Saúde pública permanece - ou se consolida - como um verdadeiro caos, apesar das novas tecnologias e da enorme quantidade de recursos que transitam por São Paulo.

Crimes
A Educação pública permanece como uma das piores do país a despeito da pujança econômica paulista. Assim, começaram a eclodir desastres nunca vistos na locomotiva do Brasil que é São Paulo. Ano passado, uma organização criminosa aterrorizou este Estado. Essa organização nasceu e se fortaleceu dentro dos presídios controlados pelo governo paulista. A Febem, destinada a recuperar jovens criminosos, consolidou-se como escola de crimes, e as prisões para adultos alcançaram o status de faculdades do crime. No início deste ano, uma rua inteira ruiu por causa de uma obra da linha quatro do metrô paulistano, administrado pelo governo paulista. Várias pessoas morreram. Foi apenas mais um entre muitos outros acidentes que ocorreram nas obras do metrô de São Paulo e a mídia não noticia nada disso, o que lhe deixa escandalosamente óbvio o intuito de proteger o grupo político que governa o Estado mais rico da Federação e que se opõe ferozmente ao governo federal.

A mídia exige CPIs para cada suspeita que a oposição levanta sobre o governo federal, mas não diz uma palavra de todos os escândalos envolvendo o governo de São Paulo. Omite-se quanto à violação dos direitos das minorias parlamentares na Assembléia Legislativa paulista, violação perpetrada pelas maiorias governistas, maiorias que nos últimos anos enterraram dezenas de pedidos de investigação do governo paulista, controlado por políticos que estão entre os que mais exigem investigações sobre o governo federal.

Seria possível passar dias escrevendo sobre tudo o que a imprensa paulista deveria cobrar do governo do Estado de São Paulo, mas não cobra. Ler um jornal impresso em São Paulo ou assistir a um telejornal produzido aqui só serve para tomar conhecimento do que faz de ruim - ou do que a mídia diz que faz de ruim - o governo federal. Dificilmente se encontra informações sobre o governo paulista, e críticas, muito menos. O desastre causado pela obra da linha quatro do metrô paulistano, por exemplo, foi coberto pela mídia, mas por pouco tempo - questão de dias. Depois, o assunto desapareceu do noticiário e nunca mais voltou. Dali em diante, a mídia passou a esconder e a impedir qualquer aprofundamento no caso, fazendo com que a sociedade permaneça sem satisfação quase nove meses depois da tragédia Mas o “caos aéreo” não sai da mídia um só dia já há quase um ano.

Censura
Assim é com tudo que diga respeito a políticos e partidos dos quais a imprensa paulista gosta. E o mesmo se reproduz pelo país inteiro. A mídia carioca, a mídia baiana, a mídia gaúcha, as mídias de todas as partes do país fazem o mesmo que a paulista, pois todas são uma só, obedecem aos mesmos interesses, controladas que são por um número ridiculamente pequeno de famílias ‘’tradicionais’’, por uma oligarquia que domina a comunicação no Brasil desde sempre.

O lado mais perverso desse processo é o de a mídia calar divergências. Cidadãos como estes que assinam este manifesto são tratados pelos grandes meios de comunicação como se não existissem. São os sem-mídia, somos nós que ora manifestamos nosso inconformismo. Muito dificilmente é dado espaço pela mídia para que quem pensa como nós possa criticar o seletivo moralismo midiático ou as facções políticas amigas dos barões da mídia. A quase totalidade dos espaços midiáticos é reservada àqueles que concordam com os grandes meios de comunicação. Jornalistas que ousam discordar, são postos na ‘’geladeira’’. A mídia impõe uma censura branca ao país. Isso tem que parar.

Claro precisa ficar que os cidadãos que assinam este manifesto não pretendem, de forma alguma, calar a mídia. Os que qualificam qualquer crítica a ela como tentativa de calá-la, agem com má-fé. É o contrário, o que nos move. O que pedimos é que a mídia fale ou escreva muito mais, pois queremos que fale ou escreva tudo o que interessa a todos e não só aquilo que lhe interessa particularmente e àqueles que estão ao seu lado, pois a mídia tem lado, sim, apesar de dizer que não tem, e esse lado não é o de todos e nem, muito menos, o da maioria.

Mais do que um direito, fiscalizar governos, difundir idéias e ideologias, é obrigação da mídia. Assim sendo, os signatários deste manifesto em nada se opõem a que essa mesma mídia critique governo nenhum, facção política nenhuma, ideologia de qualquer espécie. O que nos indigna, o que nos causa engulhos, o que nos afronta a consciência, o que nos usurpa o direito de cidadãos, é a seletividade do moralismo político midiático, é o sufocamento da divergência, é o soterramento ideológico de corações e mentes.

Democratização
Por tudo isso, os signatários deste manifesto, fartos de uma conduta dos meios de comunicação que viola o próprio Estado de Direito, vieram até a frente desse jornal dizer o que ele e seus congêneres teimam em ignorar. Viemos dizer que existimos, que todos têm direito de ter espaço para seus pontos de vista, pois a mídia privada também se alimenta de recursos públicos, da publicidade oficial, e, assim sendo, tem obrigação de não usar os amplos espaços de que dispõe como se deles proprietária fosse. Seu papel, seu dever é o de reproduzir os diversos matizes políticos e ideológicos, de forma que o conjunto da sociedade possa tomar suas decisões de posse de todos os fatos e matizes opinativos.

Em prol desse objetivo, hoje está sendo fundado o Movimento dos Sem-Mídia. Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural. Aqui, hoje, começamos a lutar pelo direito de todos os segmentos da sociedade de terem como expor suas razões, opiniões e anseios e de receberem informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser ‘’jornalismo’’.

São Paulo, 15 de setembro de 2007 Central Única dos Trabalhadores 3.489 - Entidades filiadas 7.690.598 - Sócios 22.533.798 - Representados Secretaria Geral - Dirigente responsável:Quintino Severo Secretaria Nacional de Comunicação - Dirigente responsável:Rosane Bertotti

quinta-feira, agosto 30, 2007

Robert Fisk: Até eu questiono a verdade sobre o 11/9

Artigo do jornalista Robert Fisk para o Independent, traduzido para o portal Vermelho. Leia aqui a versão original em inglês.

Até eu questiono a “verdade” sobre o 11/9

Toda vez que faço uma palestra sobre o Oriente Médio tem sempre alguém na platéia — apenas um — que eu chamo de ''raivoso''. Desculpem-me aqueles homens e mulheres que vão até minhas palestras com questões brilhantes e pertinentes — na maioria das vezes muito deferentes para mim como jornalista — e que mostram que sabem sobre a tragédia do Oriente Médio muito mais que os jornalistas que cobrem o assunto. Mas o ''raivoso'' é real. Ele toma a forma física tanto em Estocolmo quando em Oxford, tanto em São Paulo quanto em Ierevan, no Cairo, em Los Angeles e, na forma feminina, em Barcelona. Não importa o país, sempre haverá um raivoso.


A pergunta dele — ou dela — é mais ou menos assim. Por que, se você se diz um jornalista livre, não relata o que realmente sabe sobre o 11 de setembro? Por que você não conta a verdade — que a administração Bush (ou a CIA, Mossad, sabe-se lá o quê) explodiu as torres gêmeas? Por que você não revela os segredos por trás do 11 de setembro?


A convicção em cada pergunta é que Fisk sabe — que Fisk tem um absoluto, concreto, cofre de metal que contém a prova final do que ''todo mundo sabe'' (essa é a frase usual) quem destruiu as torres gêmeas. Algumas vezes o raivoso está claramente estressado. Um homem em Cork gritou sua pergunta para mim, daí — no momento que sugeri que sua versão do plano era um pouco ímpar — ele deixou a platéia, xingando e chutando as cadeiras que via pela frente.


Geralmente, tento dizer a ''verdade''; que, enquanto existem questões não respondidas sobre o 11 de setembro, eu sou o correspondente do The Independent, não o correspondente conspiratório; que eu vejo muitas maquinações concretas às minhas mãos no Líbano, no Iraque, na Síria, no Golfo, etc, para me preocupar sobre planos imaginários em Manhattan. Meu argumento final — um nocaute, no meu ponto de vista — é que a administração Bush ferrou tudo — do ponto de vista militar, politico e diplomático — que tentou fazer no Oriente Médio; então, como na Terra essa administração poderia realizar com sucesso os crimes internacionais contra a humanidade nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001?


Bem, eu ainda defendo esse ponto de vista. Qualquer militar que diga — como os americanos fizeram dois dias depois — que a al-Qaida está desbaratada não é capaz de fazer algo na escala do que aconteceu em 11 de setembro. ''Nós desbaratamos a al-Qaida, a pusemos para correr'', disse o coronel David Sutherland sobre a ''Operação Martelo Relâmpago'' na província iraquiana de Diyala. ''Seu medo de encarar nossas forças prova que os terroristas sabem que não há lugar seguro para eles''. E, mais do mesmo, tudo isso é falso.


Horas depois, a al-Qaida atacou Baquba com a força de um batalhão e massacrou todos os xeques locais, que haviam sido encastelados pelas mãos dos americanos. Isso me fez lembrar o Vietnã, a guerra que George Bush assistiu dos céus do Texas — o que pode explicar o porquê dele, esta semana, misturar o fim da guerra do Vietnã com o genocídio em um outro país chamado Camboja, cuja população foi salva pelos mesmos vietnamitas contra os quais os colegas mais corajosos de Bush lutaram anos a fio.


Mas, aqui vamos nós. Eu estou cada vez mais encafifado com as inconsistências da narrativa oficial do 11 de setembro. Não apenas pelo óbvio ''non sequiturs'': onde estão as partes da aeronave (motores, etc) que atacou o Pentágono? Por que as autoridades envolvidas com o vôo 93 da United (que caiu na Pensilvânia) foram obrigadas a fechar o bico? Por que os restos do vôo 93 se espalham por quilômetros quando supostamente o avião chocou-se contra o solo ainda inteiro? Novamente, não estou falando sobre a ''pesquisa'' maluca de David Icke (Alice no País das Maravilhas e o Desastre do World Trade Center), que poderia fazer qualquer homem são tentar decorar a lista telefônica.


Eu estou me referindo a questões científicas. Se é verdade, por exemplo, que o querosene queima a 820º Celsius sob ótimas condições, como é que o aço das duas torres, cujo ponto de fusão está supostamente acima de 1.480ºC, poderiam ter entrado em colapso na mesma velocidade? Elas cairam em 8,1 segundos e 10 segundos. E a terceira torre, o World Trade Centre Building 7, ou edifício Salmon Brothers, que desmoronou em 6,6 segundos até seus alicerces às 17h20 do dia 11 de setembro? Por que ela desmoronou daquele jeito se nenhuma aeronave a atingiu? O Instituto Americano de Padrões e Tecnologia analisou a causa da destruição dos três edifícios. Eles ainda não relataram nada sobre o WTC 7. Dois proeminentes professores americanos de engenharia mecânica — com toda a certeza fora da categoria dos ''raivosos'' — processam o Instituto na Justiça contra o que vaticina o relatório final, argumentando que ele pode ser ''fraudulento ou enganador''.


Jornalisticamente, existem muitas coisas ímpares sobre o 11 de setembro. Relatórios iniciais de repórteres que afirmam terem ouvido explosões nas torres — que bem poderiam ser as estruturas se rompendo — são fáceis de desmentir. Menos o de que o relato de que o corpo de uma comissária da tripulação de um dos vôos foi descoberto nas ruas de Manhattan com suas mãos atadas. OK, então vamos assumir que isso foi só boataria de momento, assim como a lista da CIA de seqüestradores-suicidas, que incluiam três homens que estavam — e ainda estão — vivos da silva e vivendo no Oriente Médio, foi um erro inicial da inteligência americana.


Mas e o que dizer da esquisita carta supostamente escrita por Mohamed Atta, o assassino-seqüestrador egípcio de cara assustada, cujo conselho ''islâmico'' a seus cruéis camaradas — revelado pela CIA — mistificou cada amigo muçulmano que eu conheço no Oriente Médio? Atta mencionou sua família — o que nenhum muçulmano, mesmo mal-intencionado, gostaria de incluir em tal oração final. Ele lembra seus companheiros-de-morte para fazerem a primeira oração muçulmana do dia e então continua a citá-la. Mas nenhum muçulmano precisa de tal lembrança — para não dizer nada do texto da oração do ''Fajr'' que foi incluído na carta de Atta.


Deixem-me repetir mais uma vez. Eu não sou um teórico da conspiração. Poupem-me dos raivosos. Poupem-me das maquinações. Mas como todo mundo, eu gostaria de conhecer a história completa do 11 de setembro, não só porque ela foi o estopim dessa campanha lunática e meretrícia da ''guerra ao terrorismo'', que nos levou ao desastre no Iraque e Afeganistão e à maioria do Oriente Médio. Uma vez, Bush despachou alegremente seu assessor Karl Rove com a frase: ''nós somos um império agora — nós criamos nossa própria realidade''. Verdade? Então conte para a gente. Isso iria evitar que pessoas saíssem chutando as cadeiras por aí.


sexta-feira, agosto 17, 2007

Os bocós e os caras legais

Do blog Tô Cansadinho, via Animot:


Em sua campanha, o Estadão explora as supostas "vidas privadas" de alguns blogueiros. Acertaram em cheio! Blogueiro, na vida privada, é tudo um bando de bocó!

Muito diferente, por exemplo, de Pimenta Neves - então EDITOR DO ESTADÃO - que na vida privada preferiu matar uma jornalista com tiros nas costas. Esse sim é um cara legal, né?

terça-feira, agosto 14, 2007

O estadinho do Estadão















Ao sentir o impacto da ação da blogosfera que diariamente vem pondo as cartas na mesa e denunciando as velhacarias da grande mídia, o Estadão apela para a infantil estratégia da desqualificação generalizada dos blogueiros e de todo conteúdo considerado não-profissional. Até quando eles acharam que poderiam tratar os leitores como idiotas? É claro, mas sempre seguindo os mais altos padrões de profissionalismo.. Ah vão se catar!

Leia mais aqui ó:
Exército Blogoleone
Animot
Palanque do Blackão

Alerta contra a concentração de poder na mídia brasileira

Do Vermelho, por Gilberto de Souza*:

Alerta contra a concentração de poder na mídia brasileira

Leio com pesar a declaração publicada na página eletrônica da Agência Carta Maior por seu diretor-presidente, Joaquim Ernesto Palhares, e o editor-chefe, Flávio Wolf Aguiar. Trata-se de um depoimento sincero acerca do maior risco à liberdade dos brasileiros e ao que parece ser o inexorável controle da mídia nacional por um número cada vez mais reduzido de empresários ligados à direita e aos interesses internacionais, estruturados para corromper a independência dos meios de comunicação.

O enfraquecimento da Agência Carta Maior e a inércia de setores inteiros da produção intelectual, entre eles o de jornalismo, impresso e audiovisual, traduzem a perigosa concentração das notícias e informações no conjunto dominado pelas empresas dos conglomerados formados pelas editoras Abril, Folha da Manhã, Globo e Grupo Estado.


Apenas estas quatro empresas e suas sucursais controlam mais de 80% da mídia nacional, de acordo com avaliação de auditores independentes, consultados pelo Correio do Brasil. O controle da comunicação de massa é, na realidade, a maior manobra política da direita em curso desde o golpe de Estado de 1964.


Reduzir a participação das forças conservadoras no controle político do país é, hoje, o maior desafio enfrentado por aqueles brasileiros que, por duas legislaturas consecutivas, elegeram um representante das classes trabalhadoras para a Presidência da República. Nas urnas, dissemos um sonoro "Não!" ao neoliberalismo e ao desmanche progressivo e criminoso do Estado. A força do capitalismo internacional, porém, não perdoou a autodeterminação brasileira e age em constante e crescente desafio às leis em vigor, contra os interesses mais legítimos desta nação. Com a Veja no pelotão de frente deste assalto aos planos de uma sociedade mais justa e agindo no completo interesse dos grupos econômicos mais poderosos em atividade no país, a Folha de S. Paulo, a TV Globo, O Globo e O Estado de S. Paulo completam a força tática em operação para deter o avanço do socialismo no Brasil. Cabe a estes, deliberadamente, levantar uma muralha de informação e contra-informação - não necessariamente nessa ordem - para iludir, distrair e falsear a opinião pública.


Tais afirmações seriam levianas caso não fosse possível confirmá-las. Basta, no entanto, cinco minutos de leitura a qualquer um desses periódicos ou uma simples análise do conteúdo divulgado pela TV Globo e suas afiliadas, em todo o território nacional, para perceber a que senhor eles servem. E não será ao resultado das urnas, com certeza. Muito menos à proteção dos ideais mais legítimos de liberdade e justiça. Percebe-se, claramente, que a linha editorial daqueles meios de comunicação visa combater toda e qualquer ação mais próxima do socialismo ou da contestação aos preceitos de Washington, de Wall Street e da City. O poder do dinheiro, claro, alicia parte dos jornalistas brasileiros e estes passam a servir com lealdade às empresas em linha com as matrizes. Esta sinergia produz a concentração de quase todo o poder da mídia e o controle absoluto das verbas publicitárias tanto do setor privado quanto do estatal.


Blindado pela fórmula que reúne a força trabalhadora com empregos estáveis, remunerados com o resultado do controle da publicidade, o sistema atende aos interesses internacionais e avança contra a soberania brasileira. Vê-se, claramente neste movimento, a tentativa de inteiro controle do setor.


O plano seria perfeito, se não fosse arrogante.


O ataque às liberdades democráticas, disfarçado na pele de cordeiro da liberdade de imprensa, está cada vez mais acintoso na preparação do ardil que antecede a mais uma eleição, prevista para o ano que vem. De posse de verdadeiras e consideráveis fortunas, dispostos a investir cada centavo na preservação de um quinhão cada vez maior de poder, os barões da mídia mobilizam-se para desarticular os canais de voz da resistência. E o que é o pior, com o apoio do governo contra o qual eles combatem. A este só resta chamar de burro ou de mal intencionado, pois é inadmissível alimentar tão voraz inimigo de si mesmo. A não ser que se trate de uma reação auto-imune, na qual o organismo encarrega-se da própria destruição.


Por pouco não crucificam o presidente Hugo Chávez, por tomar uma medida decisiva contra o braço venezuelano do capitalismo internacional. Não fazia mesmo sentido que o Estado continuasse a permissionar - para ganhar rios de dinheiro - um inimigo declarado da democracia e da vontade daquela nação, a exemplo do que hoje acontece aqui no Brasil. Funcione, pois, para quem se dispuser a pagar pela assinatura daquelas baboseiras. E não são muitos, como se constata pela audiência do canal defenestrado da grade pública, após sua migração para o sinal privado.


Ainda que o espírito mineiro de brasilidade, sempre conciliador e bom de conversa, pondere para que não se adotem aqui em nossas plagas medidas drásticas como vemos por aí, mundo afora, é uma impudência permitir que continuem a nadar de braçada os detratores dos interesses nacionais, no mar de iniqüidade que assola o país, ao passo que segmentos éticos e determinados a respeitar a vontade da maioria absoluta do eleitorado brasileiro sejam vitimados pela força bruta da concentração de poder. O que está ocorrendo com Carta Maior é o que já aconteceu ao longo das últimas décadas com centenas de iniciativas de jornalistas sérios, que viram podadas quaisquer chances de exercer, na sua plenitude, a verdadeira liberdade de imprensa, esta sim, dedicada a combater as injustiças, promover o bem comum e a dignidade dos cidadãos.


Do jeito que vão as coisas, somente será possível sobreviver nesse campo de batalha aqueles que adotarem uma estratégia de guerrilha e, na Sierra Maestra da midia nacional, resistirem às forças brutais do mercado.


É espantoso, no entanto, até agora não existir qualquer iniciativa por parte destes veículos que lutam pelo bom jornalismo para se unir, nesse momento de pleno confronto, contra o inimigo comum. Ao contrário das quatro irmãs xifópagas que crescem viçosas, agarradas às tetas do capital transnacional, minguam as iniciativas brasileiras por falta de um foro adequado para se debater e implementar a democratização da informação e o respeito à diversidade de pensamento. Separados, seremos todos alvos fáceis na mira do Tio Sam, enquanto que juntas, estas iniciativas terão melhor sorte nessa guerra sem quartel, travada no dia-a-dia das redações.

Conclamo aos jornalistas de bem que se rebelem, ainda que em segredo, contra a dominação que se avizinha. Chamo a todos aqueles empresários conscientes e, acima de tudo, cientes de seus deveres para com a sociedade brasileira, para se unir em torno de medidas urgentes contra o cartel da midia e seus tentáculos junto à opinião pública.


Ainda que pregue no deserto, creio que o Correio do Brasil se fará ouvir por aqueles que ainda têm sensibilidade suficiente para se indignar e lutar, ao invés de entregar, de mão beijada ao estrangeiro, a consciência nacional e a alma desse país.


* Editor-chefe do Correio do Brasil.

via RS Urgente

quinta-feira, agosto 09, 2007

A empresa do ano é... a TAM!

Parece piada, mas...

O Escriba:

Sério!! Pelo menos para a revista Exame, que premiou ontem à noite as melhores e maiores empresas de 18 setores da economia brasileira. É mole ou quer mais? E o mais bizarro é que em 1996, poucos dias antes da queda de um Fokker 100 seu em Congonhas, que matou uma centena de pessoas, a empresa recebeu o mesmo prêmio. Pelo sim, pelo não, que tal a TAM se tornar hors-concours nas próximas escolhas da revista?

O clima no prédio da Abril na Marginal Pinheiros (SP) não é dos melhores. Queriam cancelar a premiação, mas alguém bancou e a merda foi feita. Cabeças vão rolar…


(Agora, uma pergunta: quantos editoriais, colunas e artigos vc lerá nos próximos dias criticando a entrega do prêmio pela revista Exame, como foi feito quando dirigentes da Anac receberam medalhas em Brasília?)


"Testando hipóteses" - Uma nova teoria do Jornalismo ou apenas mais um eufemismo da Idade Mídia?















Do blog do Luis Nassif:

A notícia órfã

Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do “Globo”, “A grande imprensa”.

Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: “A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

“Testando hipóteses” é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.

De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.

O “testando hipóteses” do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar. Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.

E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.

Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do “aquário”. Houve um divórcio dos pais – o “pai” “aquário” e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.

Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.


- Leia mais sobre o "Testando hipóteses" hoje no Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Quando a liberdade de mercado não interessa

Deu no Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha:

Folha de S. Paulo, página B8

Se você quiser entender melhor o que se passa nos bastidores das corporações da mídia brasileira e, em parte, o posicionamento assumido por elas em relação ao governo Lula, tente desvendar o conteúdo da página B8, do caderno Dinheiro, da Folha de S. Paulo desta quarta-feira.

Triple Play é tudo. É a possibilidade de fornecer ao cliente, ao mesmo tempo, serviços de telefonia, internet rápida e TV a cabo.

A Globo saiu na frente. A NET, que pertence à Globopar, é sócia do grupo Telmex, do bilionário mexicano Carlos Slim - o homem mais rico do mundo.

A NET está deitando e rolando no mercado do Triple Play.

Lá em Bauru a Telefônica perdeu uma cliente na telefonia, quando a dona Lourdes, minha mãe, decidiu juntar tudo num pacote só, da NET.

Se sair um perfil do Slim no Wall Street Journal, é possível que o nome dele venha acompanhado da palavra "monopolista."

[Agora, que o Journal foi comprado por Rupert Murdoch, fica difícil, né mesmo? Seria o roto falando do rasgado]

Se sair um perfil do Slim na Época, do grupo Globo, é provável que ele seja elogiado pelo dinamismo e competência.

Na mesma parada está a Telefônica - que se associou à TVA, do grupo Abril.

Mas a Telefônica ainda não tem autorização do governo para oferecer o triple play.

Por enquanto, só o pacote telefone/internet rápida.

Como a convergência digital não tem retorno, mais cedo ou mais tarde o governo dará autorização à Telefônica para entrar no jogo.

A Telefônica é cachorro muito grande para os capitalistas brasileiros.

A empresa já investiu R$ 18 bilhões no Brasil e tem mais R$ 15 bilhões programados até 2010, segundo a Folha.

Finalmente, temos a proposta do ministro Hélio Costa, que seria a de juntar numa só empresa a Brasil Telecom, a Oi, e a Portugal Telecom. Esta última é parceira do grupo Folha no UOL. E é nesse bolo que estão os interesses dos grandes fundos de pensão estatais, em última instância controlados pelo governo.

Quem entrar nesse negócio vai ganhar rios de dinheiro, principalmente com o barateamento dos pacotes de triple play e a ascensão de uma nova classe média - que continuará, a não ser que derrubem o Lula.

A cobertura jornalística do setor é muito nebulosa, uma vez que os colunistas de televisão no Brasil investem mais tempo investigando fofocas do que desvendando os interesses cruzados na indústria da mídia e entretenimento.

Se você prestar bem atenção nessa dança de interesses perceberá claramente as flutuações do humor da mídia em relação ao governo Lula.

Ninguém quer de fato derrubar o Lula, mesmo porque não tem força para isso.

Mas tirar uma lasquinha todo mundo tenta.

Se eu fizesse isso seria acusado de "extorsão".

Mas no mundo das corporações isso é chamado de "fazer negócio".

O nó da questão, realmente, está na produção de conteúdo.

"'Conteúdo é ouro', afirmou o consultor jurídico do ministério, Marcelo Bechara", segundo a Folha.

Conteúdo é o que você lê neste site, embora nesse caso seja lata ou ferro-velho que dou de graça para a Globo.com.

Wellington Salgado, do PMDB de Minas, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação do Senado, tem um projeto de lei para "proteger" a produção de conteúdo nacional contra a concorrência estrangeira, diz a Folha.

Wellington faz isso em nome do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que foi de repórter a ministro da Globo.

É óbvio que a Telefônica quer produzir seu próprio conteúdo.

É óbvio que a Telefônica tem muito mais dinheiro que as empresas brasileiras para investir na produção de conteúdo.

Eu só acho curioso que, nessa hora, gente que se esgoela em defesa do livre mercado passa a defender a "regulamentação" do mercado, a presença do estado na economia.

Você não vai ver - nem na TV Globo, nem na TV Record - alguém se esgoelando em defesa da liberdade de mercado.

Nesse caso, não interessa liberdade de mercado.

Você pode se divertir como eu, testemunhando gente que odeia o Hugo Chávez e o Evo Morales - porque eles são nacionalistas e ameaçam interesses do Brasil - de repente vestindo a camisa do "nacionalismo".

Deu para notar isso na cobertura dos Jogos Panamericanos?

Na hora de privatizar a Vale do Rio Doce foi todo mundo a favor, mas na hora de dar um choque de capitalismo na produção de conteúdo sai todo mundo para se esconder atrás da bandeira do Brasil.

Só rindo.