terça-feira, março 06, 2007

O MITO EM QUADRINHOS

Leitura recomendada:
"Che - Uma Biografia"

- por André Lux, crítico-spam
.
Muito bacana a biografia em quadrinhos do líder revolucionário e ícone da esquerda mundial, Ernesto "Che" Guevara, feita pelo coreano Kim Yong-Hwe.

Ela retrata a vida e a luta de Guevara. Da infância na Argentina à captura e execução em La Higuera, na Bolívia, os eventos que levaram Che Guevara a se transformar no símbolo que é hoje são recontados nos quadrinhos de Kim Yong-Hwe, um dos grandes talentos coreanos da HQ.

O mais legal dessa adaptação é o fato do autor criá-la como se fosse um livro didático, para crianças mesmo, mas sem ser bobo ou infantil. Entre um capítulo e outro da história, ele se dá ao trabalho de fazer um pequeno resumo dos eventos, contextualizar as situações dentro da História e tecer pequenos comentários sobre alguns termos usados no texto, como "imperialismo", por exemplo.

Interessante também o paralelo que Yong-Hwe traça entre Guevara e o personagem Neo, da trilogia "Matrix". Afinal, ambos eram considerados "terroristas" (sic) pelas autoridades e pela mídia corporativa, mesmo lutando pela liberdade e pela igualdade entre as pessoas. Já vi profissionais da opinião dizendo que essa comparação é absurda, mas absurdo mesmo é que mais gente não a tenha feito antes (para vocês verem como tem gente que ainda não entendeu nada do que "Matrix" é feito). Veja abaixo reproduções das páginas que mostram o Neo-Che (clique nas figuras para vê-las em tamanho maior).

A leitura é leve e chega a emocionar em alguns momentos - como quando "Che" encontra uma menina morta depois do ataque de um bombardeiro a um bairro pobre na Guatemala ou quando a população carente de Cuba ajuda os guerrilheiros dando seus alimentos a eles.

Os desenhos são feitos no estilo dos mangas orientais, mas isso não chega a incomodar, pois o autor ao menos tenta adapta-los à feição de cada personagem.

Obviamente, a turma da direita e seus papagaios de pirata vão malhar a obra dizendo que é pura e simples mitificação de um "baderneiro profissional", enquanto outros vão afirmar que eles não fizeram nada de bom, apenas retiraram um ditador (Fulgêncio Batista) para colocar outro no lugar (Fidel Castro).
Entretanto, para quem tem um mínimo de conhecimento de História (especialmente a cubana) e costuma buscar informações além do que é mostrado (e omitido) pela parcial mídia corporativa, este "Che" é uma pequena jóia que presta uma bonita homenagem a esse ser humano exemplar, o qual continua influenciando corações e mentes mesmo 40 anos depois de seu assassinato na Bolívia, pelas mãos de mercenários financiados pela CIA.

Um trabalho que vale a pena conhecer e disseminar, principalmente entre os mais jovens.

segunda-feira, março 05, 2007

A VIOLÊNCIA DO RIO, A GLOBO E A BOM BOM

03/03/2007 11:13h
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 189

. O carioca honorário Ruy Castro, guardião das nossas melhores historias (e mulheres...), escreve na Folha deste sábado dia 3 de março que o Rio é a 107ª. cidade do Brasil em violência (clique aqui).


. Num levantamento da Organização dos Estados Ibero-Americanos.

. Há 106 cidades mais violentas que o Rio, no Brasil.

. “Mas o que aconteceu nesses últimos 20 anos foi justo o contrário: só deu o Rio na fotografia”, diz o Ruy.

. Data vênia, caro Ruy, vou propor uma explicação.

. O Dr. Roberto Marinho, que colocava os interesses políticos (e econômicos) acima de qualquer outro, foi quem ampliou e disseminou a imagem de que o Rio é uma cruza de Chicago dos anos 20 com Medelin.

. E por que, se o Dr. Roberto era carioca?

. Porque o Dr. Roberto queria destruir Leonel Brizola.

. A Rede Globo, nos jornais locais – RJ-TV – e nas matérias em rede procurou colar a violência do Rio à desmoralização de Brizola.

. Resultado: Brizola se elegeu duas vezes governador do Rio, CONTRA a Globo.

. E o Rio tem a imagem que tem.

. Quer dizer – tem essa imagem para quem não vai ao Rio.

. Eu por exemplo, que fui e voltei ontem do Rio, cantei o “O samba do avião” ao chegar e sair do Santos Dumont (clique aqui).

. Ruy, você viu que praia deu ontem?

. Você sabe quem eu fui entrevistar ontem no Rio, Ruy? A Adriana Bom Bom.

. Nós fomos filmar Bom Bom num fio dental na praia. Eu atrás dela, com a minha água de coco. Um cara deitado na areia, de frente para o sol, se vira pra mim e diz assim: “Que vida dura, hein, Paulo Henrique. Escoltar a Adriana Bom Bom na praia e ainda tomar água de coco geladinha...”

Rio comemora 442 anos, discretamente


Historiador Milton Teixeira lembra que cidade nasceu de uma guerra.
Rio tem o maior conjunto de bens protegidos do país.

Para a idade que tem, a cidade do Rio de Janeiro está razoavelmente conservada. Segundo o historiador Milton Teixeira, professor de história da UniverCidade e da escola técnica de turismo Protur, o Rio de Janeiro tem mais a comemorar do que a lamentar em seu 442º aniversário, nesta quinta-feira (1º).

Como convém a uma respeitável senhora, a data terá um registro discreto da prefeitura - um show de bossa nova na Praça XV, no Centro, próximo ao Paço Imperial - desculpe-nos quem não tem um palácio imperial por perto.

Veja galeria de fotos da Cidade Maravilhosa: Aqui

20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, costuma merecer festejos das autoridades. O dia 1º de março nem é feriado. E, apesar dos acontecimentos trágicos dos últimos dias, o carioca mantém o sorriso. Continua acreditando que aqui ainda é um bom lugar para viver, com muita história e belas paisagens.

Como foi capital do país por quase 200 anos – de 1763 a 1960 –, a cidade reúne o maior conjunto de bens protegidos de todo o Brasil. São mais de 16 mil imóveis. A maioria não está em bom estado de conservação.

Assista ao vídeo sobre o aniversário do Rio: Aqui

“A cidade nasceu de uma guerra e continua sendo atacada até hoje. Rio de Janeiro é o maior símbolo de resistência dos brasileiros. Sua fundação foi o resultado da vitória dos portugueses contra os franceses e os tamoios, que lutavam pelo domínio da Baía de Guanabara.

Os franceses queriam criar aqui a França Antártica, mas Estácio de Sá foi o vencedor e fundou São Sebastião do Rio de Janeiro entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, na Urca (Zona Sul)”, relembrou o historiador Milton Teixeira, acrescentando que a cidade sempre viveu uma história de lutas.

A diferença entre tombado e tombando
Segundo Teixeira, o Rio tem um acervo histórico fantástico e eclético, parte dele tombado e parte tombando, ou seja, desabando, devido ao descaso das autoridades federais, estaduais e municipais. “Mas a cidade continua linda. Tem uma paisagem extraordinária, que nos faz lembrar que vale a pena continuar resistindo”, frisa Teixeira.

A construção mais antiga da cidade é o forte construído por Estácio de Sá, em 1565, no morro Cara-de-Cão, na Urca, Zona Sul do Rio. As ruínas, que ficam na margem direita da Baía de Guanabara, estão em péssimo estado de conservação, afirma Teixeira.

Apesar do historiador ter descoberto as ruínas em 1992, só no inicio deste ano, comparando com um mapa francês de 1578, pôde identificá-las. A construção está localizada na Fortaleza de São João que abriga, atualmente, o Centro de Capacitação Física do Exército.

Nunca é tarde para redescobrir as riquezas históricas do Rio. Ele observa que os cariocas – natos ou de coração – estão começando a ter consciência da importância da conservação deste acervo. Recentemente, escavações no Passeio Público, no Centro, e na Casa de Ruy Barbosa, em Botafogo, na Zona Sul, vêm revelando fatos curiosos dos costumes de seus habitantes em séculos passados.

O próprio historiador, em pesquisa recente, descobriu parte de um muro construído em 1713, no Morro da Conceição, no Centro, para proteger a cidade de corsários franceses.

O Rio é uma cidade muito rica, com muitos mistérios. O Morro da Conceição, por exemplo, é uma das colinas históricas da cidade e tem muita coisa para ser descoberta”, disse Teixeira, que atualmente se dedica a pesquisar o próprio morro, a Floresta da Tijuca, na Zona Norte, e a Fonte da Saudade, na Zona Sul.

Prefeitura promove show na Praça XV
Se depender da prefeitura do Rio, a comemoração será tímida por se tratar de um dia de semana. A Subsecretaria Especial de Eventos vai organizar um show na Praça XV, no Centro, às 19h, reunindo a cantora Leny Andrade e os grupos Os Cariocas e Quarteto em Cy. Juntos eles também farão uma homenagem ao maestro Tom Jobim.

Os cariocas que apresentarem comprovantes de residência na cidade e de que votaram no Cristo Redentor para ser uma das “Novas 7 Maravilhas do Mundo” terão direito a 50% de desconto no Trem do Corcovado, das 8h às 18h. Lá no alto, o aniversário do Rio será comemorado a partir das 10h30, com a apresentação do coral Botando as Asas de Fora e da Banda de Ipanema. Ao meio-dia a Sociedade de Amigos da Rua da Carioca (Sarca) promove o “Parabéns pra você”, servindo um bolo de dois metros de comprimento.

“Sempre festejamos o aniversário do Rio. Mas este ano temos um incentivo a mais que é eleger o Cristo Redentor uma das Maravilhas do Mundo”, destacou Sávio Neves, presidente do Trem do Corcovado. Para votar, basta entrar no site www.corcovado.com.br. A votação é gratuita.

Fonte: Globo Notícias

Rio de Janeiro - 107º lugar

Rio de Janeiro - 107º lugar - por: Ruy Castro

03 de março de 2007

107º lugar
RIO DE JANEIRO
por: Ruy Castro

Ora, vejam só. Depois de 20 ou mais anos em que o Rio foi malhado, temido e estigmatizado como a cidade mais violenta do Brasil, descobre-se que é a 107ª nesse ranking. Que pífio.
Os dados, divulgados nesta semana, são da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), com base nos óbitos por morte violenta levantados pelo Ministério da Saúde. Ou seja, se fosse a chegada de uma maratona, o Rio nem sairia na fotografia.
Mas o que aconteceu nesses últimos 20 anos foi justo o contrário: só deu o Rio na fotografia. Um combate de quadrilhas aqui, um tiroteio com a polícia ali e uma perseguição de cinema acolá, o país foi convencido de que, para andar no Rio, o cidadão precisaria se blindar de alto a baixo, embora o melhor fosse se trancar em casa e, mesmo assim, não estaria a salvo das balas que entrariam pela janela.
Era uma cidade sitiada. Já os gloriosos verões cariocas, com as praias cheias o dia todo e os botequins regurgitando até altas horas da noite, captados inadvertidamente por alguma câmera, deviam ser imagens de arquivo. Ou, quem sabe, videoclipe de bossa nova.
Aprisionados entre uma invencível idealização do passado (como se, nos "anos dourados", não existisse violência) e a cruel satanização do presente, até alguns nativos se convenceram de que viviam no pior dos mundos. E, de repente, essa notícia retumbante: há 106 cidades mais violentas no Brasil. Muitas têm guerras de traficantes, seqüestros reais ou simulados, chacinas ferozes, ataques a delegacias, assaltos a bancos, arrastões em ônibus, agressões a turistas e crianças vitimadas. Mas talvez não tenham críticos e analistas tão vigilantes quanto o Rio.
A satanização obsessiva do Rio mascarou o problema, que sempre foi nacional. Agora, a máscara começa a cair.


URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0303200705.htm

sábado, março 03, 2007

CUT promete "perseguir Bush onde ele estiver"

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), aliada à Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), está programando manifestações durante a visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. De acordo com o membro da executiva nacional da CUT Antonio Carlos Spis, o objetivo é "perseguir Bush onde ele estiver".

Os protestos devem se concentrar no dia 8 de março, em meio às manifestações pelo Dia Internacional da Mulher, e prometem reunir cerca de 10 mil pessoas em São Paulo. No mesmo dia, Bush chega ao Brasil. Porém, só deve ir a São Paulo, onde serão realizados os protestos, no dia seguinte.


Os atos contra Bush terão o apoio de várias entidades feministas e 32 entidades nacionais, além da União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST). Os protestos tem como temas principais a guerra no Iraque, o relacionamento dos Estados Unidos com Cuba e os acordos de livre comércio. Os bancos e restaurantes de capital americano também serão "alvos simbólicos" dos protestos contra Bush.


"As mil mesas de trabalho do Fórum (Social Mundial) foram unânimes contra a guerra do Iraque e as criminosas intervenções norte-americanas em outros países. Por isso, vamos perseguir Bush onde ele estiver no Brasil, protestos que serão amplificados também no Uruguai, Colômbia, Guatemala e México", disse Spis.


Na capital paulista, informou Spis, a concentração do ato deve ser na praça Osvaldo Cruz, às 15h, de onde os manifestantes seguirão em passeata até o vão livre do Masp.


Obviamente, um forte esquema de segurança está sendo montado para a visita de Bush ao Brasil. Por questões de segurança, detalhes das operações que vão ser feitas na capital paulista não estão sendo divulgados. Não se sabe ainda a agenda de Bush e nem mesmo em qual hotel a comitiva estadunidense vai se hospedar.


O presidente Lula se encontra com Bush na próxima sexta-feira, dia 9 de março, mas também não há detalhes sobre o evento.


De acordo com a rádio Jovem Pan, as forças de segurança brasileiras prometem atuar de forma integrada e já estão em contato com os agentes do serviço secreto norte-americano.


Informações recebidas através do grupo Tribuna da Internet, do Yahoo.


Para saber mais e pegar as artes para cartazes e camisetas, é só entrar no Portal Mundo do Trabalho da CUT, ou ir direto aqui.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

implicante por natureza

















Antes que eu transforme o querido vozes do sul na casa-da-mãe-joana, resolvi começar a publicar a minha.

Nasce então o implicante por natureza - um espaço mais pessoal e próprio pras minhas tonterías e devaneios.

Assim, o vozes não se perde em seu propósito e nem eu perco o amigo - antes que o João me expulse daqui. hehehe.

Aos poucos vou linkando os amigos que chegarem por lá também. Hasta!

O César do interessante Animot fez um post bacana ontem sobre o implicante. Valeu César.

E os ventos somente mudam pela força das massas...



"Somente com lutas sociais o povo pode recuperar o sentido coletivo da política, ter forças suficientes para melhorar suas condições de vida, conquistar
avanços e alterar a correlação de forças."



Segue abaixo um texto que recebi pelo Letra Viva. Escrito pelo João Pedro Stédile, membro da Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina, é um artigo lúcido e claro em sua reflexão sobre o cenário político e social brasileiro neste início de ano, bem como as perspectivas, possibilidades, necessidades e desafios de lutas que se nos apresentam. Os grifos são meus e e por pouco não grifei o texto todo.


Segue a calmaria, preocupante...
por João Pedro Stédile


Estamos iniciando mais um ano político, assim que o Carnaval passar. Mas, olhando no horizonte, segue uma enfadonha calmaria na conjuntura política brasileira, que em nada parece alterar os rumos da nau e da hegemonia do comando político e econômico do país.

O segundo turno parecia nos trazer novos ventos, com o aumento da disputa política e com a participação mais ativa de diversos setores sociais que se envolveram na luta eleitoral, como uma forma de derrotar a volta da direita neoliberal representada pelo Alckmin.

Passados o período eleitoral e as expectativas de mudanças, muitos voltam a ser céticos diante da mesmice da política nacional. Mas, mais do que buscar culpados ou personalizar as razões dessa situação, precisamos refletir sobre o contexto histórico que estamos vivendo.

Há uma pasmaceira geral na política nacional porque estamos vivendo um longo período histórico demarcado por alguns fatores condicionantes da correlação de forças, que a disputa eleitoral e a reeleição do presidente Lula não conseguiram alterar. Que fatores são esses? Primeiro viemos de um processo de derrota política da classe trabalhadora brasileira, desde as eleições de 1989. Os governos Collor e FHC representaram a consolidação da hegemonia de um setor da classe dominante que abandonou qualquer projeto de desenvolvimento nacional e
se subordinou c ompletamente ao capital financeiro e internacional.

Disso resultou a "privatização" do Estado brasileiro a esses interesses. E uma política econômica neoliberal, que beneficia apenas tais setores do capital. Essa hegemonia total permitiu ao capital impor novas condições nas relações de trabalho, implementar mudanças tecnológicas que representaram a derrota política da classe operária industrial, que foi a base do reascenso da década de 80 e força principal das lutas que se
seguiram.

Houve uma crise ideológica das esquerdas brasileiras, que não conseguiram enfrentar os novos tempos de refluxo e de ofensiva do império estadunidense, após a derrota dos chamados países socialistas. Ou seja, a correlação de forças internacionais também nos foi muito
adversa nestes últimos anos. Em conseqüência de tudo isso, se produziu um refluxo do movimento de massas e das lutas sociais que marcou os últimos quinze anos.

Num contexto histórico de derrota política da classe trabalhadora e de refluxo dos movimentos de massas, só se explica a vitória eleitoral do presidente Lula e do PT, como partido depositário das esperanças de mudanças estruturais da sociedade brasileira, porque a classe dominante brasileira se dividiu. Uma parte mais reacionária e talvez burra tentou a todo custo derrubá-lo, usando como arma principal os meios de comunicação. Outra parte, mais hábil e talvez pensando no futuro, preferiu aliar-se e manter seus privilégios.

Dessa aliança e correlação de forças resultou um governo de composição de classes e de ideologia. No primeiro mandato havia uma expectativa maior, pela trajetória histórica do PT e do próprio presidente de que teríamos um governo de esquerda. Nos equivocamos. Agora, o próprio governo assume com transparência e honestidade que quer ser apenas um
governo de composição, onde convivam forças de direita, de centro e de esquerda. Onde convivam representações da classe dominante e da classe trabalhadora. E o presidente se apressou a se assumir como centro, como fez questão de explicar, que passara dos 60 anos e era necessário mudar de posição política. Tudo a ver!

Então, caros amigos e amigas, estamos ainda convivendo com um longo período adverso para os interesses do povo brasileiro. E, mais do que lamentarmos, como alguns que preferem ir para casa para ver a banda passar ou, pior ainda, cair no comodismo de que nada é possível mudar, o momento exige muita reflexão, clareza e debate, para que as forças
populares, nas suas mais diferentes formas de organização, sejam pastorais, estudantis, setoriais, de moradia, do campo e da cidade, busquem desenvolver ações políticas para enfrentar os verdadeiros desafios que a conjuntura histórica impõe à nossa geração. Sem a pretensão de elencar receitas, mas contribuindo para o debate, nós da Via Campesina e da Assembléia Popular temos refletido muito sobre essa correlação de forças e temos colocado a necessidade de enfrentar como prioridade os principais desafios que temos pela frente.

Os desafios da classe trabalhadora brasileira O primeiro deles é recuperar o trabalho de base, de conscientização, de organização dos trabalhadores nos seus espaços de vivência, seja no trabalho, escola, moradia, para estimular as lutas sociais. Somente com lutas sociais o povo pode recuperar o sentido coletivo da política, ter forças suficientes para melhorar suas condições de vida, conquistar avanços e alterar a correlação de forças.

Segundo, precisamos dedicar energias para a formação e capacitação de nossa militância social. Em tempos de pasmaceira é necessário dedicar-se ao estudo, à formação, para compreender melhor a complexidade da realidade e encontrar as verdadeiras saídas para os problemas.

Terceiro, precisamos colocar energias na construção e no desenvolvimento de meios de comunicação de massa próprios, como rádios e televisões comunitárias, jornais, revistas, programas de comunicação de todo tipo, sob auspicio dos movimentos e organizações populares, para enfrentar o verdadeiro oligopólio das comunicações sob controle da classe dominante
brasileira.

Quarto, precisamos estimular um amplo debate na sociedade sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento para o país. Não basta falar em crescimento da economia. Para quem? Não basta resolver as questões conjunturais. O Brasil precisa de um projeto que dê rumo para seu futuro e que, sobretudo, enfrente seus problemas estruturais e construa uma sociedade mais justa e igualitária.

Quinto, é necessário que todas as organizações populares e pastorais se dediquem com prioridade à conscientização e organização da juventude trabalhadora que vive nas grandes cidades. Será essa geração de jovens, desvinculada dos desvios e vícios do passado, e sonhadora com um futuro mais justo, que poderá se mobilizar, construir um projeto diferente e alterar a correlação de forças na sociedade.

E, finalmente, com as energias voltadas para enfrentar esses desafios, é preciso torcer para que se produza então um novo ciclo de reascenso do movimento de massas. Os tempos são difíceis. Mas mudarão. E os ventos somente mudam pela força das massas.

Os sem-mídia contra-atacam









Este é o mote do Sivuca - Sistema de Muvuca na Internet, cuja idéia básica é o combate ao pensamento único da mídia. Pois o Sivuca saiu de casa e já tem endereço próprio.

Pra saber mais, entra lá e vai browseando os blogs integrantes. Ali na coluna da outra-esquerda estão alguns dos companheiros sivuqueiros.

Taí a auto-decrição do moço:

"Meu nome é Sistema de Muvuca na Internet. Mas podem me chamar de SIVUCA. Minto a minha idade.

Sou gato. Nasci em 24 de dezembro de 2006, mas fui registrado no dia 25 para dar "charme".

Sou gato e sou um cão viralata.

Fui adotado por um repórter global que, como é praxe, subestimava a minha inteligência animal. Ele anda espalhando por aí que me chutou pra fora de casa. Lorota. O cara me botava para assistir o Big Brother. Nem um pulguento como eu merece!

Fugi, ganhei a liberdade das ruas. Sou viralata mas sou limpinho.

Conto com vocês para conjugar os dois verbos que meu ex-proprietário me ensinou.

Sivucar é trocar informações, links, debater, recomendar ou criticar textos - dentro e fora de nossa comunidade.

Muvucar é se juntar em matilha para defender a liberdade na internet, o pluralismo de opinião e combater o pensamento único. É atacar com mordidas digitais quem ofende a inteligência do leitor e do eleitor.

A minha parte já fiz, em silêncio, sob a opressão do mal fadado repórter: usei como poste o cesto em que ele guardava os jornais e revistas.

Cuidem deste espaço como se fosse um hotel cinco estrelas para bichos de estimação..."

sábado, fevereiro 24, 2007

eles não gostam de conflitos






















Ilustração do
Ben Heine



Alguém aí viu o relatório de uma ONG publicado ontem sobre os riscos do estilo Chávez provocar graves conflitos internos na Venezuela? Sim, claro, o analfabetismo, a miséria e o descaso do poder público que existiam antes de Chávez é que eram bons e não representavam risco algum ao povo venezuelano.

Ah, mas é que a tal ONG International Crisis Group está se lixando para coisas como miséria, fome e pobreza. Ela só não gosta mesmo é de ver c o n f l i t o s... ahh bom. então tá.

Eu não sei de nada, nem nunca havia ouvido falar desta ONG. Mas, partindo da auto-descrição explicativa que consta no site deles, dá pra ter uma idéia. Quando logo de cara fazem questão de afirmar sua independência (sem dizer exatamente independentes do que) como suposta fonte de credibilidade, sempre fico meio desconfiada.

Fui ver a ficha técnica.. só "gente fina" - tem desde ex-congressista americano a ex-ministro de Israel. Pra mim, tem (ex?) político demais na listinha pra configurar uma não-governamental.

Mas continuando, a International Crisis Group é supostamente "especializada em análises de conflitos", conforme a notícia da BBCBrasil.

Voltando ao site deles.. pra começar, o mote da página inicial já é bem sugestivo: Conflict Prevention and Resolution..

Aí dei uma sondada pra saber os apoiadores financeiros... adivinhem quem consta como uma das principais contribuições no último relatório financeiro (2005)??

Para quem pensou em USAID.. bingo! United States Agency for International Development. Não encontrei o relatório do ano passado no site. É claro que a Fundação Ford também consta na lista, bem como os governos do Reino Unido, Holanda e Canadá - como alguns dos principais financiadores.

Taí mais uma ONG pra ficarmos de olho... O escritório sul-americano deles fica em Bogotá, e não deve ser por obra do acaso. No entanto, eles fazem um relatório mensal sobre o que acontece na Venezuela desde setembro de 2003!

Pra quem quiser conferir o relatório financeiro, está aqui. É meio complicadinho de achar pelo site, mas está lá.

carnaval com música boa.. som da Helô













Hoje, no João Gilberto Bar, tem festa de carnaval com som da Helô, a partir das 23h.
A arte do cartaz é mais um belo trabalho do Emerson, da Nativu Design.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

lado b


































































voltando pra casa..

voltando...




algumas imagens da comemoração de ano novo, ontem, no templo budista de Três Coroas...









Portinari e menino João Hélio juntos contra a violência


Família de pintor abre mão de direitos para que imagens sejam utilizadas pela causa

Adriana Chiarini

Estadão
RIO - A família do pintor Cândido Portinari abriu mão dos direitos autorais sobre cinco mil obras do artista desde que elas sejam utilizadas em mensagens contra a violência. A idéia é lembrar a morte do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, que foi arrastado por quatro bairros do Rio por um carro que assaltantes roubaram da mãe dele, Rosa Fernandes Vieites. O garoto ficou preso ao cinto de segurança.

"Mesmo na festa máxima (o carnaval), não se pode ficar calado sobre uma coisa como esta. Não podemos deixar que isso caia no esquecimento", disse João Cândido Portinari, filho do pintor e diretor do Projeto Portinari da PUC-Rio.

Na terça-feira de carnaval, o filho do pintor mandou um e-mail para mais de 2.100 pessoas da lista de endereços eletrônicos do projeto Portinari com três desenhos que o pai fez para os painéis Guerra e Paz, obra do pintor que está na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Dois painéis retratam mães com filhos mortos no colo. Sobre a cópia de uma dessas gravuras, João Cândido colou uma foto de João Hélio no local do rosto da criança.

"As imagens que meu pai fez sobre a guerra são de um impacto tão dramático que acho que dizem mais que palavras. E as pietás, as mães com os filhos no colo, são mães universais. Poderia ser qualquer mãe", disse João Cândido ao Estado.

Ele contou que ouviu no rádio a mensagem do publicitário Nizan Guanaes sobre o assassinato de João Hélio, que, depois de descrever o brutal assassinato, pergunta: "E aí... nós não vamos fazer nada?". Ficou imaginando então o que ele poderia fazer.

"Pensei que o que está ao meu alcance é ceder os direitos autorais dessas cinco mil imagens do nosso site < http://www.portinari.org.br> contanto que sejam usadas nesse protesto", disse. "Era minha obrigação. É pouquíssimo. Mas se cada um fizer sua parte, quem sabe a gente consegue mudar isso", disse.

João Cândido considera o problema da violência "de extrema complexidade". Acha que ele exige a união de todos e o trabalho de especialistas. "Evidente que a decisão depende das autoridades. Elas estão sempre às voltas com milhares de problemas e é preciso haver pressão da sociedade, para que dêem prioridade a isso", afirmou.

Portinari

Candido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903 em uma fazenda de café, em Brodósqui, no interior de São Paulo.Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária e desde criança manifestou sua vocação artística.

Em 1935 obtém a segunda Menção Honrosa na exposição internacional do Instituto Carnegie de Pittsburgh, Estados Unidos, com a tela Café, que retrata uma cena de colheita típica de sua região de origem.

Em 1939 executou três grandes painéis para o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York e o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela Morro. Em 1940, participou de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público.

Portinari expôs suas obras por todo o mundo e foi o único artista brasileiro a participar da exposição 50 Anos de Arte Moderna , no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Morreu em 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

domingo, fevereiro 18, 2007

Dasaftasarden ou... 2raumwohnung!

Já tem um tempo, acho que foi lá por novembro do ano passado que, meio por acaso, descobri o 2raumwohnung - o que pode ser literalmente traduzido do alemão como apartamento de dois quartos. Formado pela dupla Inga Humpe e Tommi Eckart, o 2raumwohnung é uma banda pop alemã e que lançou em 2005 o álbum acústico melancholisch schön, o qual me encantou e surpreendeu por sua eletro-bossa-pop alemã poder soar tão suave e bela...




















Como disse alguém lá no mercado das pulgas, o melancholisch schön não é música brasileira, mas é como se fosse. então tá.
Se alguém aí ficar curioso para ouvir, disponibilizei aqui a faixa Wir trafen uns in einem Gart, por ser uma de minhas preferidas. Mas se quiser baixar direto o álbum todo, é só procurar no mercadodaspulgas.blogspot.com.

das liberdades democráticas
















"livre é o estado daquele que tem liberdade.
liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta.
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."

fragmento dos instantes finais do documentário ilha das flores, do jorge furtado.
a ilustração é do Nik, o Gaturro do La Nacion.

sábado, fevereiro 17, 2007

o seqüestro das leis



















A ilustração é do cartunista-jornalista Ben Heine
.

O texto abaixo é do jornalista Luiz Eça e foi publicado no Correio da Cidadania. Recebi por e-mail através do grupo Reflexão Política e reproduzo aqui:


O seqüestro das leis

Luiz Eça

"Os Estados Unidos são um país de leis. Meus colegas e eu juramos apoiar e defender a Constituição. Nós acreditamos no império da lei”
Condoleeza Rice

Ninguém mais zeloso do que o governo americano em denunciar os países que transgridem as leis internacionais e exigir sanções contra eles.

Curioso, pois ele tem sido o principal transgressor.

Só para citar alguns exemplos recentes, temos a invasão ilegal do Iraque - o bombardeio da cidade de Faluja com armas químicas (fósforo); o bombardeio, sem estado de guerra, de aldeia da Somália, matando cerca de 30 civis inocentes.

Nos países do Ocidente, onde o Direito é cultuado como em nenhuma outra parte, fatos assim costumam gerar apenas protestos de jornais e ONGs ou, eventualmente, reprovações tímidas e fraternais de autoridades.

Agora, as coisas parecem estar mudando.

A Justiça alemã acaba de expedir mandado de prisão contra 13 agentes da CIA pelo seqüestro e prisão de um cidadão alemão, numa operação da “Extraordinary Rendition” (rendição extraordinária).

Este é o nome de um programa da CIA no qual seus agentes seqüestram suspeitos de terrorismo no exterior e os transportam para países onde se pode torturar à vontade sem “embaraços” legais. Os seqüestrados não têm direito a advogado, a recursos, sequer a comunicar-se com a família. Simplesmente somem.

Para a secretária de Estado, Condoleeza Rice, isso é perfeitamente justo: “Há casos onde o governo local não pode prender ou processar um suspeito e a extradição tradicional não é uma boa opção. (Nesses casos)...as ‘rendições’ são permitidas pela lei internacional”.

Não é bem assim. Segundo Comissão Especial do Parlamento Europeu, as “extraordinary renditions” violam o Tratado da União Européia, a Convenção Européia para Proteção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais, a Convenção das Nações Unidas Contra Torturas e os acordos de extradição Estados Unidos-Europa. E, é claro, desrespeitam a soberania dos países onde elas acontecem. Além disso, pelas leis americanas, é crime torturar fora do território do país. E, se a vítima morre, o crime é punível com a morte.

Foi baseado nestas leis que os promotores da cidade de Munique emitiram, em 31 de janeiro, um mandado de prisão contra 13 agentes da CIA. Eles haviam seqüestrado Khaled al-Nasri, cidadão alemão filho de libaneses, e levaram-no à força para o Afeganistão. Lá foi acorrentado, torturado e investigado durante 5 meses por supostas ligações com a al-Qaeda. Sendo inocente, acabaram jogando-o numa floresta da Albânia, sem maiores formalidades.

Para chegar a uma conclusão sobre o assunto, os promotores alemães realizaram longas investigações, sem contar com qualquer colaboração do Departamento de Justiça dos EUA. Por sua vez, o governo americano manteve-se em silêncio, mesmo diante das acusações de tortura. Afinal, Condy já declarou que “erros” são inevitáveis, apesar do rigor com que a CIA seleciona os agentes. Em recente entrevista ao periódico alemão SPIEGEL, Tyler Drumheller, ex-diretor da CIA na Europa, informa como são os agentes da “extraordinary rendition”: “Se eles não fizessem ações paramilitares para viver, estariam provavelmente assaltando bancos”.

Masri acionou a CIA na Justiça dos Estados Unidos pedindo reparações. Mas a agência alegou que, havendo processo, teria de revelar segredos de Estado. E o juiz federal anulou o feito.
A CIA está também sofrendo o ataque de promotores italianos. Em junho de 2005, o promotor Guido Salvini emitiu um mandado de prisão contra 26 agentes da CIA pelo seqüestro do clérigo Hassan Osama Nsr na cidade de Milão. Ele foi levado ao Egito, onde foi mantido incomunicável e repetidamente torturado. Embora a polícia política desse país seja famosa pela brutalidade, nada se apurou contra Nsr, que foi solto. Por telefone, ele revelou tudo à sua família, antes de ser novamente preso.

Entre os implicados na abdução estava Robert Seldon Lady, chefe da CIA na região. Como não se conseguiu a extradição dos envolvidos, o processo seguiu “in absentia” dos réus. Espera-se para este mês a decisão do juiz quanto ao seu indiciamento.

Nos dois casos, a CIA violou a soberania da Alemanha e Itália, com quem os Estados Unidos mantêm boas relações. Nem por isso, os governos dos dois países ultrajados protestaram. Angela Merkel, chefe do governo alemão, limitou-se a dizer que “a CIA reconheceu seu erro”.

Mas o Parlamento Europeu não ficou nesta postura passiva. Foi constituída em fins de 2005 uma comissão para investigar as “extraordinary renditions” e o eventual envolvimento de países membros. Depois de um ano de trabalho, a comissão concluiu que, em muitas ocasiões, a CIA raptou ilegalmente indivíduos em regiões da Europa e transportou-os secretamente para países como o Egito e o Afeganistão,onde foram torturados.

A Comissão do Parlamento Europeu acusou várias autoridades de participação nos seqüestros, entre as quais Nicolo Pollari, chefe dos serviços de inteligência italianos no governo Berlusconi. De acordo com o testemunho de Craig Murray, ex-embaixador inglês no Usbequistão, informações extraídas nesse país de indivíduos seqüestrados com o uso de tortura eram fornecidas aos serviços de inteligência ingleses.

Na apresentação do relatório final sobre as “renditions”, disse Sarah Lutford, deputada do Partido Liberal Democrata: “Se as aspirações da Europa de ser uma comunidade de direitos humanos têm algum sentido, é necessário haver uma vigorosa resposta à forte evidência de que a CIA seqüestrou, aprisionou ilegalmente e transportou suspeitos de terrorismo na Europa. E governos europeus, inclusive a Inglaterra, fecharam os olhos ou colaboraram ativamente com os Estados Unidos”.

Com as “Extraordinaries Renditions”, o governo Bush exagerou. Fica difícil condenar a Coréia do Norte, o Irã e o governo do Hammas por desrespeito à ordem internacional quando se está seqüestrando, violando soberanias e torturando habitantes de outros países de onde são arrancados à força. Os governos europeus costumam temer o poderio yankee, mas seus judiciários e parlamentos começam a erguer a cabeça. Para alguns observadores, a Casa Branca acabará tendo de ceder e buscar bodes expiatórios das suas malfeitorias. Aqui vale lembrar a frase de Coffer Black, ex-chefe de contra-terrorismo da CIA: “Um dia todos nós seremos julgados pelo que estamos fazendo hoje”.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

piadinha de polonês
















Um imigrante polonês foi fazer teste de visão.
O oculista mostrou a ele um cartão com as letras:

'C Z W I X N O S T A C Z'

"Você consegue ler isto?" perguntou o oculista.
"Se eu consito ler isto?" O polonês respondeu, "Eu conheço esse cara!"

boa né? peguei lá do blog do site Tecla Sap - ferramenta bacana pra quem, como eu, trabalha com tradução, ou para aqueles que querem aprimorar o inglês.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

mudando para.. permanecer



















não resisti e peguei essa do Angeli que vi lá no Esquerda Festiva, do Ulysses Dutra, de Floripa.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

MAIORIDADE PENAL

Lei penal vira ‘bode expiatório’ da crise da segurança pública

Com PFL na linha de frente, Congresso começa a votar mudanças na legislação. Especialistas alertam para exageros: segundo o Instituto São Paulo Contra a Violência, só 1% de jovens com menos de 18 anos se envolveu em homicídios.

Bia Barbosa – Carta Maior

SÃO PAULO – Menos de um ano após os ataques do PCC em São Paulo, que fizeram o país parar para debater a questão da segurança pública, e em meio a mais uma crise no Rio de Janeiro, cujas vítimas agora são mortas em confrontos entre milícias paraestatais e o crime organizado, o Brasil se vê imerso em um novo debate sobre o combate à violência, desencadeado pelo brutal assassinato do menino João Hélio Fernandes há uma semana, durante um assalto na capital fluminense. A sociedade, indignada – com razão – cobrou uma resposta do Estado. E ela veio, mais uma vez, na forma de alterações na legislação que regulamenta o setor.

Nesta quarta-feira (14), a Câmara dos Deputados votará um pacote de medidas para a área. A principal delas é um projeto para a regulamentação da Lei de Crimes Hediondos. Ele prevê um aumento do tempo de internação para os condenados por crimes como estupro, homicídio qualificado e seqüestro. Em vez de ter direito ao regime semi-aberto após cumprirem um sexto da pena, como acontece hoje, o benefício só viria após um terço do tempo de internação determinado. Outro projeto, na mesma linha, fixa em 2/5 da pena o cumprimento mínimo exigido para os condenados por outros tipos de crime. São propostas que estão na Câmara há cerca de seis anos, e que agora foram aceleradas pela comoção pública.

Em meio a tal debate, houve quem quisesse colocar no pacote da Câmara projetos que tratam da redução da maioridade penal – determinada pela Constituição de 88 – que sequer passaram pelas comissões da Casa. Dos cinco acusados de ligação com o assassinato do menino João Hélio, um tem 16 anos. O presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) rejeitou. A tentativa da ala mais conservadora do Congresso não deu certo na Câmara, mas passou no Senado.

Também nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça debaterá, por iniciativa de seu presidente – o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) –, seis Propostas de Emenda Constitucional que tratam do tema. Dessas seis, quatro reduzem a maioridade penal de 18 para 16 anos, e uma reduz para 13 quando caso se trate de crimes hediondos. Uma das PECs propõe ainda que a imputabilidade penal seja determinada quando o autor do crime apresentar idade psicológica igual ou superior a 18 anos.

O senador Demóstenes Torres (PFL-GO), nomeado relator conjunto das seis emendas, já anunciou que apresentará um parecer favorável à redução da maioridade penal no caso da prática de tráfico de drogas, tortura e crimes hediondos. A votação, no entanto, não deve acontecer, já que senadores como Aloísio Mercadante (PT-SP) e Patrícia Saboya (PSB-CE) pretender pedir vistas aos projetos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, reafirmaram nesta terça que são contrários à redução da maioridade penal. Por acordo de líderes, a Casa deve criar uma comissão mista – que receberá o nome de João Hélio – para ouvir especialistas do setor e debater o assunto antes de qualquer votação.

Nesta terça, o Senado aprovou projeto de lei que proíbe o contingenciamento de recursos orçamentários destinados para a segurança pública. O projeto segue agora para a Câmara.

Rio de Janeiro e São Paulo
Contrariando a tentativa histórica de integração do sistema de Justiça Criminal no país, o governador do Rio, Sérgio Cabral, propôs a criação de um código penal para cada Estado da federação, que “respondesse às peculiaridades de cada região”. Para ele, um novo pacto federativo é necessário para diminuir a concentração de poder da União. Entre as idéias do governador está a possibilidade de emancipação judicial penal do adolescente infrator.

“Por esse sistema, diante da prática de um ato infracional grave por parte de um adolescente, poderia o juiz, a pedido do Ministério Público, ouvindo psicólogos e assistentes sociais, promover a emancipação penal do infrator, sempre que demonstrada a sua periculosidade e a sua capacidade de entender a gravidade dos atos por ele praticados, aplicando a ele a pena correspondente ao crime cometido”, escreveu Cabral em um artigo publicado no jornal O Globo nesta terça. As Organizações Globo, por sinal, têm usado seu poder de fogo na formação da opinião pública numa clara campanha pela redução da maioridade penal.

Em São Paulo, o governador José Serra se declarou contrário à redução, mas, ao lado dos governadores do Sudeste, deve apresentar ao Congresso, logo após o Carnaval, uma série de propostas de endurecimento no tratamento de criminosos. Nesta terça (13), em reunião do Fórum Metropolitano de Segurança Pública – que reúne prefeitos de mais de 40 municípios da Grande São Paulo –, Gilberto Kassab lançou a proposta do Fórum debater mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“O Brasil tem que dar um exemplo. Essa é uma questão fundamental para o enfrentamento da criminalidade no Brasil”, disse o prefeito de São Paulo. “Minha sensibilidade diz que o país evoluiu, que a criminalidade que envolve alguns adolescentes acontece por falha do Estatuto. Mas não tenho opinião formada. Vou tê-la depois do debate com os outros prefeitos”, explicou Kassab.

Dentro do Fórum, não há unanimidade em relação ao tema da redução da maioridade penal. Na avaliação de Elói Pietá, prefeito de Guarulhos, há um debate amadurecido acerca de outras possíveis alterações do ECA, mas não em relação à mudança na maioridade penal.

“Procuramos não trabalhar em cima do fato mais imediato. No Fórum, acreditamos que as ações devem ser constantes e permanentes. As mudanças boas não se fazem sob o impacto de tragédias. Sob a comoção do 11 de setembro, o governo dos Estados Unidos pisou na Constituição e restringiu liberdades. O impacto emocional não é um bom mestre”, acredita. “O debate sobre a redução da maioridade penal está aceso agora, mas o que há amadurecido em termos de mudanças no ECA diz respeito a um aumento no tempo máximo de internação de um menor de 18 anos que tenha cometido crimes mais graves”, explicou Pietá à Carta Maior.

Segundo o presidente do Instituto São Paulo Contra a Violência, Eduardo Capobianco, dados da Secretaria de Segurança Pública apontam para um percentual de somente 1% de jovens com menos de 18 anos que se envolveu em homicídios.

“Podemos aprimorar a legislação, mas colocar a redução da maioridade penal como solução dos problemas é um desvio de atenção. É preciso ver como esses jovens têm participado dos crimes, seu real papel. Temos que qualificar o debate”, criticou Capobiando. “Precisamos de uma maturidade diferente da que vem sendo mostrada no debate público acerca do que aconteceu no Rio de Janeiro. A redução da maioridade penal está sendo discutida sem nenhuma base. Estamos tangiversando sobre o tema, criando um bode expiatório”, completou.

Na opinião do presidente do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, não há problemas em se debater o ECA; o equívoco seria iniciar o debate com posições preconcebidas.

“Podemos discutir, por exemplo, a relação entre o ato infracional e o tempo de internação. Mas tem que haver um equilíbrio entre tratar o tema como um tabu e considerar que somente 1% dos menores de 18 anos cometem homicídios. Quando se distanciam completamente informações como esta da discussão, quando o debate é pautado só pela emoção e não pela racionalidade, não avançamos. Após a barbaridade, não adianta fazer um debate pontual e discutir um pacote de medidas que não trará respostas no longo prazo. A resposta episódica nos faz atrasar e perder tempo. A sociedade relaxa, mas espera o próximo crime. É nisso que temos que nos ater para construir um país menos violento”, afirmou Mizne.

Carta Capital

Partido Comunista de Cuba/Comité Central

Saludo al 27 Aniversario del Partido de los Trabajadores (PT)

Con profunda satisfacción revolucionaria, el Partido Comunista de Cuba
saluda el 27 Aniversario de la creación del Partido de los Trabajadores
(PT), fuerza política nacida en los combativos reductos de trabajadores
y organizaciones sociales, que se forjó en la lucha a favor de la
justicia social y las reivindicaciones populares.

Sería imposible escribir la historia mas reciente de Brasil, sin que
ocupen en la misma un lugar destacado el PT y sus aguerridos militantes,
quienes desde las puertas de las fábricas pasaron a ocupar los barrios y
ciudades, los campos y lugares apartados, para convertirse en torbellino
de masas que pasó a ser representada en las diferentes instancias
políticas del país, hasta que a finales del año 2002, hizo posible el
triunfo electoral de Luiz Inácio Lula da Silva, el primer obrero que
ascendió al gobierno en América Latina.

El 27 Aniversario del PT tiene lugar en un contexto de auge del
movimiento social y popular en Latinoamérica, coincidiendo con los
triunfos electorales de Evo Morales en Bolivia, Hugo Chávez en
Venezuela, Rafael Correa en Ecuador y Daniel Ortega en Nicaragua, así
como la reelección del presidente Lula a un segundo mandato, escenario
que configura un importante cambio en la correlación de fuerzas del
continente, como confirmación de que el futuro pertenece a la
integración, a la unidad y la solidaridad entre nuestros pueblos.

Estamos en un momento importante de Latinoamérica para hacer posible el
legado y los sueños de nuestros próceres, quienes nos enseñaron que
?Patria es Humanidad?, que ?América Latina es una sola desde el sur del
Río Bravo hasta la Patagonia? y que, algún día, ?se abrirán las Grandes
Alamedas por donde transite el hombre libre?.

Al presidente Lula, al núcleo de fundadores de tan importante fuerza
política, a quienes a lo largo de estos años como dirigentes y
parlamentarios contribuyeron a la formación y los triunfos obtenidos por
el PT, a todos sus combativos militantes, hacemos llegar las
felicitaciones y los deseos de nuevas victorias, en nombre del Partido
Comunista de Cuba y de todo el pueblo cubano.

Solo a través de la participación popular, la lucha contra las
desigualdades, la miseria, el hambre, las guerras, las posiciones
hegemónicas, entre otros flagelos, podemos hacer realidad nuestra
irrevocable decisión de que UN MUNDO MEJOR ES POSIBLE.

Como dijera el Guerrillero Heroico, Comandante Ernesto Che Guevara:

?Hasta la Victoria Siempre?

Comité Central del Partido Comunista de Cuba