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segunda-feira, maio 21, 2007

Sobre quem deve o que pra quem

Chávez e o papa, do Blog do Bourdoukan

O presidente Hugo Chávez da Venezuela quer que o papa peça desculpas pelo genocídio indígena nas Américas. Palavras de Chávez: "Aqui aconteceu algo muito mais grave que o Holocausto na Segunda Guerra Mundial e ninguém pode negar essa verdade. Sua Santidade não pode vir aqui, na nossa própria terra, e negar o Holocausto indígena". Chávez, mais uma vez tem razão. E teria maior razão ainda se solicitasse também pedido de desculpas aos milhões de africanos que foram caçados como animais para servirem de escravos. E por falar em escravidão, o que falta para que os seus descendentes sejam ressarcidos? Afinal serão eles menos humanos do que os que professam a religião judaica, que continuam recebendo indenização sob a alegação de terem trabalho durante dois anos como escravos? Que justiça é essa que privilegia os europeus e penaliza os africanos?
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Sobre o genocídio indígena nas Américas, interessante ver também, e nunca é demais rever, a cena do filme As Invasões Bárbaras, postada pelo César no Animot, Holocausto Ameríndio: 200 milhões de mortos e nenhum museu.

sexta-feira, maio 11, 2007

Orgulho de ser brasileiro

É o tipo de atitude humanista reveladora e que fez toda a diferença para tantas pessoas, brasileiros ou não, que estavam no Líbano durante a ofensiva das Forças Armadas de Israel no ano passado.

O texto abaixo é do Bourdoukan, publicado na Caros Amigos de março deste ano.



Orgulho de ser brasileiro

Cercados por todos os cantos, enquanto tentam se abrigar da chuva de bombas israelenses, libaneses nascidos no Brasil aguardam o momento final quando seus corpos irão se juntar aos corpos destroçados de idosos, mulheres e crianças.

Nada mais lhes resta, a não ser a fé em Deus e a esperança de um milagre. E quando tudo parecia abandoná-los, já desistindo de qualquer possibilidade de salvação, seus olhos não acreditam no que vêem: viaturas rompendo por vias, vielas e onde mais pudessem circular, aproximam-se.

Ostentam a bandeira verde-amarela. É o Brasil, que pela primeira vez em 500 anos, atravessa os sete mares para resgatar seus filhos.Buzinas e faróis dos salvadores misturam-se às lágrimas e gritos de alegria de brasileiros e filhos de brasileiros que jamais imaginariam amar tanto aquela bandeira que iria trazê-los de volta ao Brasil.

Afinal, esta não era a primeira, nem segunda ou centésima vez que brasileiros se viram nessa situação.E nunca puderam contar com seus governantes. Algo mudou, todos falam ao mesmo tempo.Algo mudou!

O Brasil resgatou mais de três mil libaneses. E dando exemplo de solidariedade ao mundo, entre os brasileiros resgatados havia chilenos, colombianos e cidadãos de outros países que não do continente sul americano.

A Força Aérea Brasileira com seus aviões, o Itamaraty com seu Chanceler e diplomatas, em nenhum momento titubearam. Foram incansáveis e somente quem passou pelo desespero que esses brasileiros passaram pode entender o significado da altivez que suas faces exibem hoje: o orgulho de ser brasileiro e de acreditar que o seu país estará presente, haja o que houver, estejam onde estiverem.

Passados seis meses, eis que Muhammad, me telefona do Líbano para dizer que jamais imaginaria que a atitude do governo brasileiro repercutiria tanto. É maravilhoso, me diz. Imagina você que por onde passo sou cumprimentado. Beijos e tapinhas nas costas fazem parte hoje do meu dia-a-dia e de todos aqueles que de uma maneira se identificam com o Brasil. Outro dia entrei numa doceira e quando viram a bandeira do Brasil estampada, não quiseram me cobrar. Todos me dizem Lula abadoi. Lula é valente!

quinta-feira, abril 12, 2007

Da globalização do Bourdoukan

















Ilustração do Laz



Toda vez que de alguma forma menciono minha resistência a conformar-me com a idéia de fronteiras e países, percebo aqueles olhares de estranhamento como que preventivos de um discurso anarquista.


Não por acaso, a idéia de país ou nação já está tão incorporada ao inconsciente das pessoas que lhes é quase impossível perceber o compomente ilusório e projetado destes conceitos. Lembro que certa vez mostrei a um aluno um mapa-múndi não-político e, portanto, sem fronteiras, a primeira coisa que ele questionou foi "ué, cadê o Brasil?" Ao que respondi, está aqui, só que as fronteiras não estão delimitadas, até porque na verdade elas não existem.

Não esqueço o olhar perplexo do mocinho, o cenho franzido perguntando "como assim não existe linha de fronteira??" Pois é, não existe, é uma abstração, uma ilusão, um recurso, apenas uma forma de organização política possível, mas poderia ser outra e quem sabe um dia ainda seja... E não é por acaso que este mapa aí é feito desta forma, com a Europa bem no meio...o forte conteúdo ideológico existente nos mapas escolares é algo impressionante! É por isso que faz tanto sentido essa dificuldade que as pessoas mais tarde acabam desenvolvendo para imaginar ou mesmo identificar! o mundo como ele realmente é, sem as fronteiras políticas..

Bom, isso foi só uma reflexão para na verdade introduzir a este fragmento do artido do Bourdoukan "Da globalização":

"A globalização é tão importante quanto o ar que respiramos. Falar em países é querer dividir o mundo em fronteiras, é apoiar as guerras onde as vítimas serão sempre os explorados. Ou alguém conhece algum rico que já morreu em combate?

Hoje a humanidade é administrada por um emaranhado que obedece a não mais do que quatro ou cinco corporações. E mesmo estas, têm ramificações entre si. Moldam os gostos de acordo com suas conveniências. Nos ensinam como amar, divertir, o que e como devemos ler, a que programas assistir, que esporte praticar, o que comer, impõem até o padrão de beleza.

É uma ditadura que nos faz crer que somos livres e independentes quando na verdade estamos subjugados. Transforma-nos em seres insensíveis, sem preocupação com o próximo, elimina do vocabulário a palavra solidariedade, nos torna impassíveis diante da fome, da miséria e das epidemias que matam seres humanos como se fossem insetos."

Para ler o artigo completo: Blog do Bourdoukan