segunda-feira, maio 14, 2007
O papa não é pop
da BBC Brasil
A visita do papa Bento 16 ao Brasil foi um fracasso, se seus números forem um parâmetro, na avaliação de reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário argentino "La Nación".
"Nestes cinco dias, Joseph Ratzinger não conseguiu reunir as multidões que se esperava", observa o jornal, citando como exemplo o público de 40 mil pessoas no encontro com jovens no Pacaembu, onde se esperavam 70 mil, e os 150 mil que estiveram no domingo em Aparecida, no lugar do estimado 1 milhão.
"Mas se sabe: Bento 16 não é João Paulo 2º --um monstro de vitalidade que atraía as massas e criava um clima de fervor impactante. Ele não veio a este continente para juntar multidões", diz a reportagem.
Em outro texto, em que compara a visita do atual papa à primeira de seu antecessor ao país, em 1980, o jornal comenta que ele "não conseguiu gerar tanto fervor entre os brasileiros como João Paulo 2º, há quase 27 anos, e sua linguagem foi mais dura do que a do pontífice polonês".
O diário argentino destaca ainda, num terceiro texto, as declarações "mais enérgicas de sua viagem de cinco dias para denunciar o autoritarismo de alguns governos da região e criticar tanto o marxismo quanto o capitalismo".
Críticas a Chávez
O jornal espanhol El País, por sua vez, relaciona as críticas do papa, durante a abertura da 5ª Celam (Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe), ao presidente venezuelano Hugo Chávez.
"O papa, falando em espanhol e evitando citar diretamente o líder venezuelano, pôs os bispos em atenção diante do ressurgimento do socialismo marxista que propõe Chávez e assim, após destacar a evolução à democracia verificada na América Latina nas últimas décadas, reafirmou que 'há motivos de preocupação diante de formas de governo autoritárias ou sujeitas a certas ideologias que se acreditavam superadas", diz a reportagem.
As declarações do papa em Aparecida também tiveram grande destaque nos principais jornais americanos nesta segunda-feira.
O "New York Times" relata que o papa "condenou o capitalismo e o marxismo como "sistemas que marginalizam Deus" e pediu ao clero latino-americano para alimentar a fome espiritual da população como forma de aliviar a pobreza e interromper o constante declínio da Igreja Católica na região".
Segundo o jornal, o discurso do papa era amplamente aguardado por sua indicação de "como Bento 16 lidaria com temas desde a pobreza e a injustiça social até os grupos evangélicos que corroem a Igreja Católica em alguns países latino-americanos".
Para o "Times", "suas visões eram profundamente consistentes com aquelas que ele mantinha durante sua vida como o cardeal conservador e contencioso Joseph Ratzinger".
Já o "Washington Post" relata que "o papa Bento 16 concluiu sua primeira visita à América Latina no domingo pedindo uma presença católica mais forte em uma região com problemas sociais os quais ele disse que tanto o marxismo quanto o capitalismo apenas exacerbaram e advertiu contra ainda mais danos provocados por governos 'autoritários'".
O jornal também comenta sobre o público abaixo do previsto nos eventos promovidos pelo papa durante sua visita e faz uma comparação entre os 600 mil a 800 mil presentes na missa de sexta-feira em São Paulo --abaixo do 1 milhão esperado-- e outros eventos populares recentemente organizados no Brasil.
"Em contraste, a polícia estimou que uma parada anual organizada por igrejas evangélicas no ano passado atraiu 1 milhão, uma parada do orgulho gay em São Paulo reuniu 3 milhões, e um show grátis dos Rolling Stones no Rio de Janeiro no ano passado foi visto por cerca de 1,5 milhões de espectadores", diz a reportagem.
Deu na Folha Online
sábado, maio 12, 2007
"Entre e algo de bom lhe acontecerá"

Foto do arquivo joice de tonterías.
Mais do El País
"Entre e algo de bom lhe acontecerá"
De J. M.
Em São Paulo
"Entre aqui e algo de bom lhe acontecerá", diz um cartaz situado junto a uma ponte percorrida a toda velocidade por milhares de veículos por dia. O letreiro ergue-se junto a uma imensa tenda de campanha de estrutura semi-rígida que constitui a Igreja Internacional da Graça de Deus, no bairro paulistano de Santana. No interior, denominado oficialmente "Tenda dos Milagres", alinham-se perfeitamente centenas de cadeiras brancas que quase todos os dias ficam quase totalmente ocupadas por homens e mulheres que, senão um milagre, buscam pelo menos "algo de bom".
Depois de duas horas de cânticos, palmas, exclamações e algumas moedas colocadas na caixa de donativos, os seguidores dessa confissão pentecostal deixam satisfeitos a tenda e voltam a se misturar ao tráfego, passando junto ao campanário do Santuário das Almas, uma paróquia católica vazia nessa hora.
Essa é a situação que Bento 16 pretende reverter com a chamada de atenção ao episcopado latino-americano que pronunciará no próximo domingo em Aparecida, a cerca de 200 quilômetros de São Paulo.
"Aqui encontrei solução para meus problemas", afirma uma idosa que caminhou mais de meia hora para chegar à tenda e que absorve cada palavra pronunciada do palco por um bispo vestindo terno e gravata. A mulher, assim como outras centenas de pessoas, segue atenta aos chamados do oficiante, conhece todas as canções e deposita moedas quando lhe indicam. Tem filhos desgarrados, "bons meninos que não encontraram Cristo", e um marido que prefere o bar ao culto.
Um jovem pastor, impecavelmente vestido, dos cerca de dez que se espalham pelos corredores, adverte que há conversa entre os fiéis e indaga amavelmente o que acontece. A cerimônia pode parecer espontânea, mas o controle é total.
"Temos quatro cultos por semana, realizados à noite, durante cerca de duas horas, e que reúnem em média 1.500 pessoas. Nos domingos nos reunimos de manhã e à tarde, e naturalmente vem mais gente", explica Lelis Washington Marinhos, pastor auxiliar da igreja Assembléia de Deus. Seu templo é um edifício moderno que se ergue no bairro de Belém, uma área de fábricas e operários da capital paulista.
Dali se controla a atividade de outros 2 mil templos menores espalhados por São Paulo. Em frente ao edifício há uma grande livraria que vende volumes publicados pela editora de propriedade da Assembléia. O ritual é parecido.
Repetem-se várias vezes frases como "O sofrimento terminou" ou "Abram as portas para a alegria". Os cânticos, exortações, testemunhos, também. É claro que há um grupo de pastores muito bem-vestidos que tratam a todos com firmeza, mas amabilidade. E a igreja está cheia.
"É óbvio que a Igreja Católica busca com a visita do papa afirmar-se em uma posição que está perdendo", opina o pastor Lelis, que concorda com a hierarquia católica em parte de sua análise. "Muitos são considerados católicos por tradição familiar, mas na verdade não praticam." Em um país onde 98% da população - segundo uma pesquisa publicada no último domingo - afirmam acreditar em Deus, são cada vez mais as pessoas que passam para as fileiras evangélicas.
Nos últimos tempos surgiram figuras como Marcelo Rossi, um padre de batina e guitarra elétrica, transformado em personagem midiático, ou Antonio Kanter, considerado o chefe de marketing dos católicos, um militante do Movimento de Renovação Carismática que afirma que "a Igreja tem 2 mil anos porque tem o melhor logotipo - a cruz -, o melhor outdoor - a torre do campanário - e um grande produto - a salvação". Ratzinger pode não gostar da teologia da libertação, mas resta ver se aprovará essa nova estratégia.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Missão papal: conter a fuga de católicos

A foto veio do Nuestro Vino.
Do El País, publicado no Uol Mídia Global
Missão papal: conter a fuga de católicos
Bento 16 visita o Brasil para implementar uma estratégia mundial contra o avanço evangélico
J.Marirrodriga
Em Buenos Aires
No país que tem mais católicos no mundo - 155 milhões - ocorre diariamente, nas palavras do arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer, uma "fuga silenciosa" de fiéis, que começam a encher os templos de outras confissões cristãs que se mostram mais atraentes.
E, se uma das principais tarefas de João Paulo 2º foi desarmar a "teologia da libertação", o objetivo com que Bento 16 chega nesta quarta-feira (9) ao Brasil se apresenta quase igualmente complicado: deter o êxodo de fiéis que em 30 anos fez a porcentagem de católicos baixar de 91,4% para 73,9% da população.
Joseph Ratzinger fez da luta contra o relativismo um dos eixos de seu trabalho doutrinário, primeiro como cardeal e depois como papa, mas em sua decisão de viajar ao Brasil influiu um fato em princípio contrário a esse relativismo: milhões de brasileiros - e de latino-americanos, especialmente no Caribe - optaram por acreditar, com grande intensidade, em outros cultos, especialmente os pentecostais. Estes se caracterizam por apelar mais à emotividade e ao consolo imediato do que à razão e às promessas futuras, em um continente onde convivem diariamente as maiores fortunas do planeta com grandes aglomerações de miséria e desesperança.
No Brasil há cinco pessoas que professam o catolicismo para cada uma que se declara evangélica, mas há 17 pastores evangélicos para cada sacerdote católico, e enquanto os primeiros concentram seu trabalho nas cidades os segundos se disseminaram pelo país. Não é por acaso que Ratzinger - que ficará até domingo no Brasil - viaja escoltado por Cláudio Hummes, um cardeal progressista, amigo do presidente Lula da Silva e que, como arcebispo de São Paulo, foi seu rival durante o Conclave de abril de 2004.
Bento 16 o nomeou prefeito para a Congregação do Clero, o "ministro" encarregado dos sacerdotes diocesanos em todo o mundo, que são a grande maioria na Igreja Católica; ou seja, colocou no topo da administração da hierarquia quem a criticou durante anos.
Também não é conjuntural o fato de o principal ato do papa em terras brasileiras ser a inauguração no próximo domingo - no santuário de Aparecida, a cerca de 200 km de São Paulo - da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), onde se encontrarão os bispos que representam a metade dos católicos do mundo. Diante deles, Ratzinger, pouco amigo de discursos retóricos, definirá as linhas de ação da Igreja Católica na América Latina para os próximos anos.
Muitos bispos esperam referências a políticas sociais em um continente onde continuam sendo muito necessárias. O problema será abordado durante o encontro que Lula e o papa terão na quinta-feira, segundo anunciou o presidente brasileiro, que bem pode servir de amostra da igreja no Brasil: o presidente declara-se católico, mas de esquerda. Conhece tanto cardeais como importantes teólogos progressistas. Tem uma filha fora do casamento, mas se confessa devoto de São Francisco de Assis e da padroeira do Brasil.
Lula explicou que pretende "discutir com o papa as políticas sociais que estamos desenvolvendo no Brasil para que ele, como a pessoa mais importante da Igreja Católica, possa ajudar a disseminar essas boas políticas públicas pelo mundo".
No entanto, o papa chega à América Latina consciente de que desta vez o principal rival está no campo contrário e não no próprio. A "teologia da libertação" não conseguiu vencer sua disputa com o Vaticano, e Roma a considera uma etapa praticamente superada. Prova disso é a importância que os brasileiros voltaram a ter na hierarquia depois de 27 anos - que coincidiram com o pontificado de João Paulo 2º - em que estiveram excluídos tanto da presidência da Celam como de outros órgãos de decisão institucional.
Horas antes de voar para seu país a bordo do avião papal, o cardeal Hummes indicou outro tema, em princípio fora da agenda, que poderá marcar a nova viagem de Bento 16: a "preocupação" do papa com a aliança ideológica entre Fidel Castro e o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Em uma entrevista concedida no domingo a um grupo de mídia do Brasil, o cardeal advertiu contra "o populismo e a demagogia", que em sua opinião estão se ampliando, "quando se pensava que a América Latina conseguiria fortalecer suas democracias". Interpelado sobre se Chávez entra nessa categoria, Hummes respondeu sem rodeios: "Claro. Também é a forma como se relaciona com Cuba. Tudo isso preocupa".
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
sexta-feira, maio 11, 2007
Orgulho de ser brasileiro
O texto abaixo é do Bourdoukan, publicado na Caros Amigos de março deste ano.
Orgulho de ser brasileiro
Cercados por todos os cantos, enquanto tentam se abrigar da chuva de bombas israelenses, libaneses nascidos no Brasil aguardam o momento final quando seus corpos irão se juntar aos corpos destroçados de idosos, mulheres e crianças.
Nada mais lhes resta, a não ser a fé em Deus e a esperança de um milagre. E quando tudo parecia abandoná-los, já desistindo de qualquer possibilidade de salvação, seus olhos não acreditam no que vêem: viaturas rompendo por vias, vielas e onde mais pudessem circular, aproximam-se.
Ostentam a bandeira verde-amarela. É o Brasil, que pela primeira vez em 500 anos, atravessa os sete mares para resgatar seus filhos.Buzinas e faróis dos salvadores misturam-se às lágrimas e gritos de alegria de brasileiros e filhos de brasileiros que jamais imaginariam amar tanto aquela bandeira que iria trazê-los de volta ao Brasil.
Afinal, esta não era a primeira, nem segunda ou centésima vez que brasileiros se viram nessa situação.E nunca puderam contar com seus governantes. Algo mudou, todos falam ao mesmo tempo.Algo mudou!
O Brasil resgatou mais de três mil libaneses. E dando exemplo de solidariedade ao mundo, entre os brasileiros resgatados havia chilenos, colombianos e cidadãos de outros países que não do continente sul americano.
A Força Aérea Brasileira com seus aviões, o Itamaraty com seu Chanceler e diplomatas, em nenhum momento titubearam. Foram incansáveis e somente quem passou pelo desespero que esses brasileiros passaram pode entender o significado da altivez que suas faces exibem hoje: o orgulho de ser brasileiro e de acreditar que o seu país estará presente, haja o que houver, estejam onde estiverem.
Passados seis meses, eis que Muhammad, me telefona do Líbano para dizer que jamais imaginaria que a atitude do governo brasileiro repercutiria tanto. É maravilhoso, me diz. Imagina você que por onde passo sou cumprimentado. Beijos e tapinhas nas costas fazem parte hoje do meu dia-a-dia e de todos aqueles que de uma maneira se identificam com o Brasil. Outro dia entrei numa doceira e quando viram a bandeira do Brasil estampada, não quiseram me cobrar. Todos me dizem Lula abadoi. Lula é valente!
quarta-feira, maio 09, 2007
Das ameaças

Legenda:
"Seja bonzinho com a América, ou levaremos democracia para o seu país."
- só pra variar não lembro de onde peguei essa imagem. mas foi numa destas andanças internéticas. quando e se eu lembrar, dou o crédito. ou se alguém por aí souber, é só falar.
- where did i get this from? i honestly don't know. so if you do, let me know.
Postado também no Implicante.
Mentiras “cinematográficas” dos EUA

Ilustração via civillibertarian.blogspot.com
Artigo da edição nº 55 do jornal Oriente Médio Vivo:
Mentiras "cinematográficas" dos EUA
Foi desmascarada recentemente uma nova mentira do governo de George W. Bush, direcionada ao seu próprio povo e testando a ingenuidade dos eleitores estadunidenses: os dois mais celebrados “heróis da guerra contra o terrorismo” se tornaram, subitamente, simples vítimas das desastrosas invasões pelos interesses de seus governantes.
As duas propagandas mentirosas estadunidenses retornaram para assombrar o Pentágono, responsável pelas invenções sobre os soldados Pat Tillman e Jessica Lynch. O primeiro, um jogador profissional de futebol americano que abandonou o esporte para lutar no Afeganistão, supostamente morto por uma emboscada do Talibã em 2004. O segundo, o soldado feminino Lynch, que tinha apenas 19 anos na época em que foi supostamente capturada pelos “rebeldes” no Iraque e libertada pelas forças estadunidenses após uma “heróica operação”. Os dois “contos”, recentemente desmascarados, marcam o uso da propaganda militar estadunidense como ferramenta para manipular a opinião pública do país, em constante queda após os fracassos no Afeganistão e no Iraque.
Ambas as histórias se encontraram na recente reunião do Comitê de Reforma do Governo dos Estados Unidos, liderada pelo parlamentar estadunidense Henry Waxman. Detalhes foram esclarecidos sobre os casos, e o exército estadunidense foi oficialmente acusado de “falsear incidentes”. As histórias são tão fictícias quanto algumas narrativas hollywoodianas, planejadas para transformar situações de derrotas estadunidenses em atos de heroísmo para justificar a permanência das tropas no Afeganistão e no Iraque. Ironicamente, a estratégia do Pentágono funcionou no início, mas não por muito tempo.
Pat Tillman era zagueiro do time Arizona Cardinals. Em 2001, aos 25 anos, logo após o 11 de Setembro, abdicou do salário de meio milhão de dólares para lutar no Afeganistão. Em abril de 2004, Pat foi morto com três tiros na cabeça. O Pentágono aproveitou a situação para dar um lustre patriótico ao acontecimento, criando o primeiro “mártir” estadunidense na “guerra contra o terrorismo”. Na versão do Pentágono, sob ordens do demitido Donald Rumsfeld, Tillman havia sido vítima de uma emboscada de milicianos afegãos.
Anunciado como herói, o soldado foi condecorado com uma estrela de prata, a terceira maior honra do exército estadunidense. Tillman logo virou nome de uma praça, uma ponte e uma estrada nos Estados Unidos. Apesar disso, meses depois, investigações concluíram que ele, na verdade, havia sido morto por 'fogo amigo', numa briga entre soldados estadunidenses. O primeiro herói se foi.
As primeiras notícias sobre Jessica Lynch a apresentaram como uma heroína salva pelas forças estadunidenses no Iraque. Supostamente, ela havia sido baleada e esfaqueada por “rebeldes iraquianos”, mas continuou atirando até toda a sua munição chegar ao fim. Ela então teria sido capturada pelos “rebeldes” perto da cidade de Nassíria, no sul do país e, uma semana depois, após uma “heróica operação”, teria sido resgatada em um hospital local. De volta aos Estados Unidos, foi condecorada pelo exército. Virou heroína por “ter sido gravemente ferida em combate e ter resistido como prisioneira deguerra”. Não demorou muito até que a mentira fosse desmascarada. Os médicos que cuidaram de Jessica logo após o resgate relataram que seus ferimentos não eram de armas de fogo, e muito menos de uma arma branca. Com isso, em pouco tempo ficou provado que ela não havia participado de nenhum combate, se ferindo apenas levemente em uma emboscada.
Os soldados inimigos, ou “rebeldes iraquianos”, como descritos pelo Pentágono, a levaram para um hospital local, em que Jessica recebeu cuidados de médicos iraquianos, que a devolveram para as forças estadunidenses. Assim, outro herói estadunidense também se foi.
“Recebi ordens para não contar nada, senão seria punido”, disse o soldado Bryan O'Neal, que participou da briga que matou Pat Tillman. “Até hoje eu não entendo por que eles mentiram”, afirmou Jessica Lynch na recente reunião organizada por Henry Waxman. As planejadas mentiras do Pentágono inspiraram milhares de cidadãos estadunidenses, mas existia apenas um pequeno problema: tudo não passou de mais uma ficção.
Choque de Indigestão

Ilustração do Ricardo Machado, via Dialógico.
Fazer política com o fígado provoca choque de indigestão.
Do Cristóvão Feil, hoje no Diário Gauche:
Segue o balcão tucano
Fazendo política com o fígado
Dona Yedinha Que culpa tenho de ser alta, bonita e inteligente? e modesta Rorato Crusius tem um ranário no fundo do quintal e se recusa a engolir uma só pererequinha magra.
Me explico. A governadora das papeleiras ainda não aceitou que o PDT tenha abandonado a nau dos insensatos tucanos. Agora, por birra, despeito e pequenez política, está fazendo trabalho de cerca-Lourenço pra cima de uma liderança municipal de Canoas, o suplente de deputado estadual, Coffy Rodrigues (PDT), inclusive assediando-o para assinar ficha no PSDB. A configuração mais flagrante de que o Piratini virou um balcão de bolicho, um terreiro de rinha de galo, onde se negocia, aposta, negaceia, compra e vende nervos e músculos de Bankivas eleitorais.
Quer levar o mega-ultra-líder pop canoense para ocupar a secretaria de Obras que foi designada aos trabalhistas, até a saída intempestiva (e até hoje inexplicada) do deputado Ênio Bacci (PDT-RS), da Segurança.
Dona Yedinha Que culpa tenho de ser alta, bonita e inteligente? e modesta Rorato Crusius prova a cada santo dia que faz política com o fígado, e não com a razão.
domingo, maio 06, 2007
Direita vence na França
Para mais informações:
- Direita vence eleição presidencial na França
- Conservador Nicolas Sarkozy é eleito presidente da França
- Nicolás Sarkozy ganó elecciones presidenciales en Francia
- Indico também uma interessante análise publicada hoje no Diário Gauche.
O Baile

Baile en Tehauntepec, por Diego Rivera
Breve cântico para o Baile no Palhácio Piratini
Se no nosso baile tocasse tango
e não música de elevador, nosso povo já não
seria tão refém dos canalhas do P-RBS,
estaria é fazendo panelaço nas ruas,
seria consciente de sua cidadania, e do
significado do Estado e seu papel
neste processo que é
a democracia representativa.
Teríamos pressão popular de verdade, e sem dúvida,
dona Yeda, a patética,
já não estaria mais aí ou, no mínimo, estaria
com um belo e ruidoso processo de impeachment
nas costas.
Já nem penso em estelionato eleitoral,
seria sim por descaso com o povo gaúcho, por desrespeito
à história deste Estado,
por excesso de vaidade
e de palhaçada.
Ou ainda, por completa desqualificação ao cargo mesmo.
Enfim, motivos para tanto, ou melhor, piadas, já nos sobram.
Aos desavisados, vou avisando que o textinho aí é um desabafo e refere-se à maior piada do des-governo Yeda do momento (sim, porque são muitas) - a proposta de política cultural da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, e que visa (pasmem!) o resgate dos valores da família(!) e, para tanto, consiste basicamente na realização de uma série de bailes de debutantes e ainda um grande baile nacional de debutantes do qual o RS seria sede.
O projeto foi apresentado por um tal de Azul Marinho, com o apoio de Mônica Leal (secretária de Cultura do RS), em pleno Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes da Cultura, realizado em Bento Gonçalves, entre 26 e 28 de abril.
A notícia veio via Diário Gauche e RS Urgente.
Abaixo, algmas das excelentes repercussões da notícia, digo, piada, na blogosfera:
Secretária de Cultura quer baile nacional para seu debut cultural - do blog do Jean Scharlau
Humor a.Y., humor d.Y. - do Animot
Eu calipto e tu, debutas! - do blog Alívio Refrescante
Perguntinha que não quer calar:
- dadas as reverberações do infame baile, será que Mônica Leal será a próxima fritura da bela e temperamental Yeda? veremos.
Uma logomarca para o Governo Yeda

Autor: Kayser
Mais uma obra para o concurso promovido pelo blog Dialógico, uma logomarca para o des-governo Yeda no RS.
sábado, maio 05, 2007
Concurso para Logomarca do Governo Yeda

Juska

Hals
Uma fria o Seu Frias
Sobre o mesmo assunto, recomendo as postagens abaixo:
"Era uma fria o Seu Frias" - do blog do Jean Scharlau
OFdeO, morreu um publisher - do Diário Gauche.
A morte do "democrata" Octavio Frias
por Altamiro Borges
O falecimento, neste domingo (29), do empresário Octavio Frias de Oliveira, dono do poderoso grupo de mídia Folha, revela um pouco da hipocrisia da política brasileira. Nas páginas da Folha de S.Paulo e até de veículos concorrentes, surgem dezenas de declarações destacando as suas virtudes de “democrata” e de “patriota”. É humano que haja respeito diante da morte e do sofrimento dos mais próximos; é natural, também, que os jornais pincem apenas as frases favoráveis, sem entrar no mérito das críticas. O que não ajuda é falsear a realidade. Não é educativo ficar tecendo loas a um figurão tão controvertido da história nacional. Um rápido levantamento confirma que o país não perdeu um democrata, muito pelo contrário.
Veículo da oligarquia rural
A Folha nasceu em 1921, sob o formato de um jornal vespertino, a Folha da Noite. Os seus fundadores, Pedro Cunha e Olival Costa, eram jornalistas de O Estado de S.Paulo e, durante algum tempo, o jornal foi impresso e distribuído por esta empresa. O próprio Júlio de Mesquita Filho, dono do oligárquico Estadão, redigiu o seu primeiro editorial. No início, o jornal manifestou simpatia pelo tenentismo e até encampou bandeiras progressistas, como a do voto secreto e do direito de férias. Mas, como registra Maurício Puls, numa cronologia bajuladora, essa linha durou pouco tempo e o jornal logo virou um instrumento da direita.
Em 1929, com a saída de Pedro Cunha, a Folha passou a apoiar ostensivamente a reacionária oligarquia do café. “O resultado desta tomada de posição contra Getúlio Vargas foi a destruição do jornal. Na noite de 24 de outubro de 1930, a multidão que comemorava a deposição do presidente em São Paulo destruiu as instalações da Folha. As máquinas de escrever e os móveis foram jogados na rua e incendiados. Olival Costa assistiu ao empastelamento da esquina. Quando a multidão deixou o prédio, ele pediu licença aos soldados para entrar no prédio. Lá viu um homem vestindo seu sobretudo. Ao observar que aquela roupa era sua, recebeu a seguinte resposta: ‘Foi sua, amigo. Hoje, tudo isto é nosso’”.
A Folha deixou de circular até janeiro de 1931, quando foi comprada por outro barão do café, Octaviano Alves. Em 1932, apoiou abertamente a oligárquica Revolução Constitucionalista “para libertar o Brasil de um grupo que se instalou no poder empenhado em desfrutá-lo” – o mesmo discurso usado atualmente pela Folha. Em 1945, contrário às mudanças progressistas efetuadas por Getúlio, Octaviano vende o jornal por considerar “inútil o trabalho e insana a espera”. José Nabantino assume a empresa sob o compromisso de manter “a imparcialidade em relação aos partidos”. Mas, ainda segundo Maurício Puls, “sua orientação fiscalista guardava certa afinidade com a UDN” – a principal organização golpista deste período histórico.
Carregando presos para a tortura
Durante este longo período, a Folha de S.Paulo foi um jornal provinciano, sem maior projeção no cenário nacional. Em 13 de agosto de 1962, endividado e desolado com uma greve dos jornalistas, José Nabantino vendeu o jornal para os empresários Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. De imediato, ele se tornou um dos principais instrumentos da conspiração golpista que resultou na deposição de João Goulart. Suas manchetes espalhafatosas contra o “perigo comunista” e seus editorais raivosos contra “a corrupção e a subversão” envenenaram a classe média. O veterano jornalista, Mino Carta, lembra que “a mídia vinha invocando o golpe há tempos... Neste período, a Folha de S.Paulo não tinha o peso que adquiriu depois. Mas os jornais soltavam editoriais candentes implorando a intervenção militar para impedir o caos”.
Numa entrevista à jornalista Adriana Souza, o atual editor da revista Carta Capital, que já dirigiu os principais órgãos de imprensa do país e avalia que “o Brasil tem a pior mídia do mundo”, dá outros elementos indispensáveis para se entender a história da Folha de S.Paulo. Ao contrário da propaganda deste jornal, que engana muita gente com o seu falso ecletismo e a sua aparente pluralidade, Mino Carta mostra que ele sempre serviu à ditadura e construiu sua pujança graças às benesses do poder autoritário:
“A Folha de S.Paulo nunca foi censurada. Ela até emprestou as suas C-14 [veículo tipo perua, usado na distribuição do jornal] para recolher os torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban (Operação Bandeirantes). Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha... E hoje você vê esses anúncios da Folha – o jornal desse menino idiota chamada Otavinho – que parece que ela, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas ela não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o Sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi ‘mínima pressão’ porque o Sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis na sucessão do general Geisel. A Folha apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército, da chamada linha dura, fascista]. O Cláudio Abramo foi afastado por isso”.
Prosperidade durante a ditadura
Até hoje a Folha de S.Paulo, que gosta de posar de democrata e transparente, tenta esconder esse período macabro que revela todo o seu caráter de classe e a sua postura direitista. Alguns jornalistas, talvez para conseguirem as benções dos Frias, fazem de tudo para relativizar o papel deste jornal durante a ditadura. Mario Sérgio Conti, no livro Notícias do Planalto, até registra o episódio, mas de maneira deturpada e num linguajar tipicamente reacionário. Afirma que “até o final de 1968, as organizações terroristas de esquerda destacaram alguns de seus militantes jornalistas para trabalhar na Folha... No início dos anos 70 foi a vez de policiais dos órgãos de informação da ditadura se assenhorearem do jornal”.
Outro livro, o recém-lançado “A trajetória de Octavio Frias de Oliveira”, do jornalista Engel Paschoal, é quase uma peça publicitária de adulação do dono da empresa. O próprio autor confessa que o biografado é “meu tipo inesquecível entre todos”. Mas apesar destas tentativas de ocultar a história, o envolvimento da Famiglia Frias com os órgãos de repressão é inquestionável. Até já serviu para uma cômica disputa entre duas empresas reconhecidas pelo servilismo nos duros tempos da ditadura. Como resposta a uma coluna da jornalista Barbara Gancia, uma famosa lambe-botas da Folha que acusou a TV Globo de ter apoiado o regime militar, o diretor de jornalismo da poderosa emissora, Evandro Carlos de Andrade, deu o troco:
“Aproveito para recomendar que procure saber um pouco da história da Folha, empresa apenas comercial que prosperou extraordinariamente na ditadura, não graças à receptividade do público e à qualidade do que produziu, mas apenas em retribuição ao incondicional apoio dado por este jornal ao regime militar. A senhora por acaso já se interessou por saber a causa de, naquele tempo, serem queimadas as Kombis da Folha?”, retrucou o diretor da TV Globo (20/01/2000). Na fase mais cruel da ditadura, a Folha divulgava a “morte” de “terroristas” em “emboscadas com a polícia”, quando estes ainda estavam na prisão. A falsa notícia servia para acobertar as torturas, como no caso do assassinado de Joaquim Seixas. Como resposta, grupos armados incendiaram três peruas da empresa e o durão Frias passou a dormir no prédio da Folha.
Baluarte do receituário neoliberal
A briga entre a TV Globo e a Folha serve para elucidar que foi exatamente na fase mais dura da ditadura que a Famiglia Frias ergueu o seu império com base nos subsídios e nas benesses do poder. A cronologia apologética já citada registra que, em 1967, “a Folha dá inicio à revolução tecnológica e à modernização do seu parque gráfico. O jornal é pioneiro na impressão offset em cores, utilizada em larga tiragem pela primeira vez no Brasil... Em 1971, o jornal adota o sistema eletrônico de fotocomposição, pioneiro no Brasil”. No mesmo ano, lembra o texto, “o ex-capitão Carlos Lamarca, líder do grupo guerrilheiro MR-8, é morto pelo Exército na Bahia. O deputado Rubens Paiva é seqüestrado por militares e desaparece”.
Protegida pela ditadura, a Folha cresceu e passou a ter projeção nacional. Ainda em 1977, ela atendeu as ordens de Hugo de Abreu, outro general linha dura, que pediu a demissão do escritor Lourenço Diaféria, que escrevera uma crônica sobre um bombeiro que “urinara” na estátua de Duque de Caxias, no centro de São Paulo. No seu livro autobiográfico, “O outro lado do poder”, Hugo de Abreu descreve: “Telefonei para o doutor Otávio Frias e ele disse: ‘Meu general, estou aqui de mão na pala, fazendo continência’”. Apenas quando nota que o regime estava nos estertores é que o jornal passou a pregar a redemocratização, ao mesmo tempo em que se colocava como “pioneiro” do receituário neoliberal de desmonte do Estado.
Na sua badalada pluralidade, a Folha deu espaço para FHC e para o sociólogo tucano Bolívar Lamounier e abriu suas páginas para Plínio Correa de Oliveira, líder da seita católica Tradição, Família e Propriedade (TFP) e para o pefelista Marco Maciel. Num primeiro momento, apoiou o “caçador de marajás” Fernando Collor como única forma de derrotar Lula, mas logo depois engrossou o coro do impeachment. Durante os oito anos de FHC, ela nada falou contra as suspeitas privatizações e pregou a ortodoxia macroeconômica. Com a eleição de Lula, porém, tornou-se um dos principais instrumentos da oposição de direita. Mesmo colunistas com um passado mais crítico, como Clóvis Rossi, passaram a verter ódio contra o presidente.
A pregação do golpe midiático
Com a eclosão da crise política em maio de 2005, a Folha de S.Paulo virou um palanque da mais raivosa oposição. Ela chegou a fazer coro com os hidrófobos do PFL na proposta do impeachment de Lula, numa autêntica pregação do golpe midiático. Um atento comerciante paulista, Eduardo Guimarães, teve a paciência de acompanhar as manchetes deste jornal em setembro de 2006. Elas foram arroladas no seu blog na internet (www.cidadania.com) e impressionam pelo alto grau de manipulação. “As mensagens desfavoráveis para o candidato Lula são a maioria esmagadora... Já os adversários de Lula, sobretudo o principal, Geraldo Alckmin, foram totalmente poupados. Esse é um fato incontestável”.
As conclusões do comerciante foram confirmadas por dois institutos que monitoram sistematicamente a imprensa: o Datamídia, da PUC-RS, e o Observatório Brasileiro da Mídia, filial do Media Watch Global. O primeiro identificou que, entre 13 e 19 de julho, a Folha dedicou 778 centímetros/coluna de texto com tom positivo para Alckmin, enquanto Lula teve, no mesmo período, 562 centímetros/coluna de mensagem positiva. Já o Observatório pesquisou os principais jornais e revistas de julho a agosto, incluindo a Folha, e constatou que o Lula foi retratado de forma negativa em 47,41% das matérias, contra 31,2% em que foi tratado positivamente. No caso de Alckmin, a situação se inverte: 44,56% favoráveis e 31,42% negativas.
Apesar desta descarada manipulação, todas as sondagens eleitorais ainda apontavam a vitória de Lula no primeiro turno para o desespero dos “deformadores de opinião” da mídia. A “operação burrice” de alguns petistas afoitos, que tentaram comprar o dossiê da “máfia das sanguessugas”, apenas realimentou o sonho da direita de forçar o segundo turno. Aproveitando a ocasião, o filho de Frias, o yuppie Otavinho, afirmou em editorial que o dossiêgate comprovaria que “a cúpula petista instalou uma máfia sindical-partidária no aparelho do Estado. A função dessa máfia é garantir condições para que Lula e seu grupo se eternizem no poder... O que caracteriza os integrantes dessa máfia é a lealdade antiga e canina a Lula, o chefão”.
O tiroteio deste jornal na semana que antecedeu as eleições foi devastador. Manchetes sensacionalistas e centenas de matérias, até na seção de esporte, visaram satanizar o presidente e apelaram para o imperativo do segundo turno “pelo bem da democracia”. Pesquisa do Datafolha até foi antecipada, contrariando a Lei 9.504 que disciplina as eleições, para dar a impressão da inevitabilidade do segundo turno.
A distorção da Folha de S.Paulo foi tão brutal que até o seu próprio ombudsman, Marcelo Beraba, teve de registrá-la envergonhado. “O fato de considerar a conspiração para a obtenção do dossiê mais importante do que o dossiê não significa que eu esteja de acordo com o pouco empenho dos jornais na apuração das denúncias contra Serra e Barjas Negri [dois ex-ministros de FHC envolvidos na compra superfaturada de ambulâncias]. Uma cobertura não anula a outra” (FSP, 24/09/06). Na prática, a empresa do falecido Octavio Frias de Oliveira, que no passado cedeu suas caminhonetes para o transporte de presos políticos, hoje prega abertamente um golpe midiático. Esta conduta golpista, seguida pelo grosso da mídia, deveria servir ao menos para acabar com as ilusões sobre o papel imparcial dos meios de comunicação no Brasil.
* Texto publicado no portal Vermelho.
sábado, abril 28, 2007
Vida de Aquário - fragmento
(...) Mas enfim, o imprensalão há tempos demonstra estar numa outra dimensão, falando com seus umbigos. E ainda assim, nunca estivemos tão bem informados - afinal de contas, as fontes de informação se multiplicaram de tal maneira que quem lê só jornal é o último a saber das coisas.
Quer saber quem escreveu isso e seus porquês? Vai lá no Escriba v3.0.
quarta-feira, abril 25, 2007
Prazo de validade vencido

Ilustração: Eugênio Neves
Tu também sonhas com um mundo assim?
Então dá uma passada no Dialógico e olha só quem a duplinha Cláudia Cardoso e Eugênio Neves descobriu na relação de concessões públicas de rádio e tv vencidas na página da Anatel.
A propósito, as concessões da RBS TV e da Rede Globo expiram em outubro de 2007.
Enquanto isso, a grande mídia segue com sua longa campanha de perseguição às rádios comunitárias e contra a democratização e o acesso à informação.
Declaración del Movimiento de Países No Alineados

Ilustração: Tomy - juventudrebelde.cu
DECLARACIÓN DE LOS 118 PAÍSES MIEMBROS DEL MOVIMIENTO DE PAÍSES NO ALINEADOS SOBRE LA LIBERACIÓN DEL TERRORISTA INTERNACIONAL LUIS POSADA CARRILES
El Movimiento de Países No Alineados ha recibido con gran preocupación la noticia divulgada por los medios internacionales de prensa sobre la liberación bajo fianza, por decisión de un Tribunal de los Estados Unidos, del notorio terrorista internacional Luis Posada Carriles.
Como es bien sabido, el Sr. Posada Carriles es responsable de numerosos actos terroristas contra Cuba y otros países, incluido el ataque terrorista contra una aeronave de Cubana de Aviación en octubre de 1976, que provocó la muerte de 73 civiles inocentes de diversos países y por el cual el gobierno de la República Bolivariana de Venezuela ha solicitado su extradición al gobierno de los Estados Unidos. A pesar de ello, ha estado en prisión en el territorio de los Estados Unidos por un simple delito migratorio, mientras que se ha hecho caso omiso de la solicitud venezolana.
El Movimiento reafirma su condena enérgica e inequívoca al terrorismo en todas sus formas y manifestaciones, así como a todos los actos, métodos y prácticas de terrorismo dondequiera que se cometan, quienquiera que los perpetre, contra quienquiera que se cometan, incluidos aquellos en que los Estados están directa o indirectamente involucrados, los cuales son injustificables, sean cuales fueren las consideraciones o factores que puedan invocarse para justificarlos.
El Movimiento insta una vez más a todos los Estados, de conformidad con la Carta de las Naciones Unidas, a que cumplan las obligaciones contraídas en la lucha contra el terrorismo, en virtud del derecho internacional y el derecho humanitario internacional, enjuiciando o, cuando proceda, extraditando a los autores de actos terroristas; impidiendo que se organicen, se instiguen o se financien esos actos contra otros Estados desde dentro o fuera de sus territorios o mediante organizaciones asentadas en sus territorios; absteniéndose de organizar e instigar actos de terrorismo en el territorio de otros Estados, de contribuir a tales actos, de financiarlos o de participar en ellos; absteniéndose de alentar actividades dentro de sus territorios encaminadas a la comisión de dichos actos; absteniéndose de permitir el uso de sus territorios para actividades de planificación, entrenamiento o financiación con vistas a esos actos; o absteniéndose de suministrar armamento u otro tipo de armas que pudieran ser utilizadas en actos terroristas en otros Estados.
El Movimiento demanda que todos los Estados se abstengan de brindar apoyo político, diplomático, moral o material al terrorismo y, en este contexto, insta a todos los Estados, de conformidad con la Carta de las Naciones Unidas y en cumplimiento de sus obligaciones con arreglo al derecho internacional, a garantizar que los autores, organizadores o patrocinadores de actos terroristas no utilicen de modo ilegítimo su condición de refugiado o de cualquier otra condición jurídica, y que no se reconozcan sus reivindicaciones de motivaciones políticas como causa para denegar su extradición.
Como fuera acordado por los Jefes de Estado o de Gobierno del Movimiento de Países No Alineados en la Décimo Cuarta Cumbre, realizada en La Habana en septiembre de 2006, el Movimiento reitera su apoyo a la solicitud de extradición interpuesta por la República Bolivariana de Venezuela ante el Gobierno de los Estados Unidos para presentar ante la justicia al Sr. Luis Posada Carriles
Nueva York, 20 de abril de 2007.
Carne Viva
Para quem também não pôde assistir (ou mesmo quem assistiu), pode encontrar um bom resumo aqui.
Abaixo, nota do último segundo publicada ontem no site do Partido dos Trabalhadores:
Franklin Martins: TV pública brasileira será generalista
sexta-feira, abril 20, 2007
Franklin Martins no Roda Viva
O jornalista Franklin Martins, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, será o entrevistado do programa Roda Viva da TV Cultura (TVE RS) nesta segunda-feira, dia 23 de abril, às 22:30.
Os entrevistadores serão: Augusto Nunes, colunista do Jornal do Brasil; Alexandre Machado, comentarista de política da TV Cultura; Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do grupo O Estado de S. Paulo, Helio Gurovitz, diretor de redação da revista Época, Eleonora de Lucena, editora executiva do jornal Folha de S. Paulo; Marcio Aith, editor executivo de economia da revista Veja; Josemar Gimenez, diretor de redação dos jornais Correio Braziliense e do jornal Estado de Minas.
Imperdível!!! Pior que eu acho que não poderei assistir, vou estar em Porto Alegre por uns dias a partir de domingo.. alguém aí grave pra mim, por favor!
Abaixo está o texto apresentado na página do Roda Viva:
O presidente Lula deu também para Franklin Martins a tarefa de organizar e colocar no ar a Rede Nacional Pública de TV. O ministro esclareceu que o projeto da TV não está acabado, mas não será partidária e não terá comerciais.
Franklin Martins é filho do ex-senador Mário Martins e cresceu debatendo política. Como militante político liderou, no final da década de sessenta, a "Passeata dos 100 mil" e passou dois meses presos após participar do Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna, em São Paulo.
Em 1969, já na clandestinidade, participou do seqüestro do embaixador americano Charles B. Elbrick e forçou o governo militar a liberar 15 presos políticos.
Franklin Martins tem mais de quarenta anos de vivencia política, período dividido entre a militância esquerdista e o jornalismo, tendo passado por veículos importantes da imprensa nos últimos vinte anos.
O Terrorismo do Ocidente
Acho interessante mencionar o relatório anterior, de 2006, entitulado "Respostas Globais para Ameaças Globais, Segurança Sustentável para o Século 21" em que seus autores, Chris Abbot, Paul Rogers e John Sloboda, já afirmavam a inutilidade da suposta "guerra ao terrorismo" de Bush e Blair no sentido de garantir-se um mundo mais seguro às próximas gerações.
Ao contrário disso, no relatório de 13 de junho de 2006, eles afirmaram que a "guerra ao terror", além de ter originado um recrutamento muito maior de terroristas do que o número supostamente neutralizado pelas ações repressivas, ainda desviou a atenção mundial de questões que, estas sim, podem ser, num futuro próximo, geradoras de conflitos de maior gravidade, sendo o aquecimento global um deles.
Mas vamos ao texto do Humam al-Hamzah sobre o relatório mais recente:
O Terrorismo do Ocidente
Há aproximadamente um ano, o Grupo de Pesquisa de Oxford (ORG) elaborou um documento relatando os quatro principais fatores que contribuem para a instabilidade mundial: mudanças climáticas, competição por recursos naturais escassos, marginalização da maioria da população mundial e a crescente opção pelo uso de forças militares ao invés da diplomacia foram as causas listadas. No estudo de 2007, intitulado "Além do Terror: A verdade sobre as verdadeiras ameaças do mundo" (originalmente Beyond Terror: The Truth About the Real Threats to Our World), o ORG manteve as mesmas causas de 2006, mas adicionou um importante item: a "guerra contra o terrorismo" está aumentando o risco de novos ataques terroristas como os de 11 de setembro. Os Estados Unidos lideraram uma campanha falsa em que foram derrotados.
Segundo o relatório, "tratar a invasão do Iraque como parte da guerra contra o terrorismo deu vida a mais terrorismo na região", acrescentando que as forças de invasão deveriam deixar o Iraque o mais breve possível. Mais adiante, o documento sugere que as forças de ocupação deveriam ser substituídas por uma força internacional da ONU, como o caso atual do Afeganistão. Supostamente, apenas as forças internacionais poderiam melhorar as condições de vida dos civis iraquianos, algo que confere a preocupação do recente relatório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que afirma que "todos os aspectos da vida iraquiana pioraram" durante a ocupação estadunidense.
Ao contrário dos objetivos estadunidenses, a sua política internacional não enfraqueceu o Irã, a Síria ou a Coréia do Norte, que se tornaram "destaques", de acordo com o relatório do ORG, que também alerta para o fortalecimento do Talibã no Afeganistão, mesmo 6 anos após a invasão do país. Até o momento, cada estratégia dos Estados Unidos e de seus aliados se provou uma amargurada derrota, refletida nas votações do próprio Congresso estadunidense, na condenação mundial dos crimes de guerra cometidos pelos mesmos e na fragilidade dos atuais governos pró-invasão do Iraque e do Afeganistão.
O relatório também analisa as ameaças estadunidenses contra o livre desenvolvimento energético do Irã, acusado de maneira infundamentada pelos Estados Unidos e alguns de seus aliados de desenvolver energia nuclear para uso militar. Segundo o documento, "qualquer intervenção militar no Irã será um desastre", afirmando a necessidade de uma solução diplomática. Mais detalhadamente, o ORG afirma que "o uso de força militar iria encorajar o desenvolvimento de armas nucleares". Obviamente, se a diplomacia é sempre colocada como segunda opção, é importante que os países considerados "inimigos" pelos Estados Unidos se armem o mais rápido possível. Apesar disso, a recente lição do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Reino Unido e seus aliados, com a libertação dos 15 prisioneiros britânicos, mostrou que o caminho da diplomacia é viável, se a intenção for realmente a paz. O próprio Reino Unido, porém, parece não pensar dessa forma - segundo o ORG, "o plano britânico de desenvolver seus submarinos nucleares irá também encorajar outros estados a fazer o mesmo". Ironicamente, parece que o problema dos países ocidentais com o Irã é o próprio país, e não sua política energética.
A verdade é que os Estados Unidos e seus aliados foram derrotados em todas as frentes de batalha - diplomática e militarmente. No Iraque e no Afeganistão, mais soldados da invasão morrem a cada dia, enquanto os chamados "insurgentes" ganham força e se aproximam de completar seus objetivos. Na recente lição diplomática do Irã, as duas faces dos líderes ocidentais foram expostas para todo o mundo, sem deixar margem para dúvidas. Não é novidade o fato de que violência gera violência, assim como paz gera paz - cabe agora ver qual será o caminho escolhido pelos líderes ocidentais.
América Latina e Amazônia, quem banca os grandes projetos?
Texto de Guilherme Carvalho, publicado pela Adital - Agência de Notícias e Revista Eletrônica da América Latina e Caribe. Guilherme Carvalho é técnico da FASE Amazônia e ex-coordenador da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras.
América Latina e Amazônia, quem banca os grandes projetos?
O Brasil é membro associado do Grupo Banco Mundial (BIRD), do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, do Fundo Monetário Internacional - FMI e da Corporação Andina de Fomento - CAF, entre outras. Os bancos multilaterais são instituições financeiras. E ganham vida com os países membros, que são os sócios majoritários. Cada instituição tem uma representação dos governos associados.
O Grupo Banco Mundial - GBM é composto por diferentes organismos, como o Banco Mundial que é voltado ao financiamento das ações governamentais e a Corporação Financeira Internacional - CFI. O braço do GBM que financia somente a iniciativa privada. Esta, por exemplo, foi quem efetivou um empréstimo ao Grupo Bertin que adquiriu por R$ 30 milhões a unidade do Frigorífico Marabá, localizada em Marabá, no sudeste paraense, que tem capacidade de abater mil animais/dia.
O Grupo Bertin pretende consolidar a sua verticalização através da instalação um curtume próximo a unidade de Marabá para a produção de couros semi-acabados. Então, podemos imaginar as prováveis conseqüências desse financiamento para esta região por conta do incentivo que o mesmo gera à expansão da atividade pecuária.
O problema é que os financiamentos da CFI não passam pela aprovação do parlamento brasileiro, diferentemente do que ocorre com os empréstimos aos governos. Ou seja, os termos dos contratos de empréstimos firmados entre as partes são completamente desconhecidos da sociedade. A questão é grave, a se considerar a capacidade dos impactos negativos sobre a população e o ambiente dos empreendimentos privados beneficiados.
O BID, por sua vez, financia a execução de diversos projetos na Amazônia, como o PROSAMIN. O programa é um empreendimento de urbanização de áreas alagadas de Manaus, capital do Amazonas. O interessante nesse caso é que o saneamento manauara foi privatizado, tendo sido repassado a um grande grupo francês que atua nesse setor em diferentes países. Ou seja, o governo estadual contraiu um empréstimo em dólar para executar obras de infra-estrutura urbana em Manaus. Mas quem vai ganhar com isso tudo é a concessionária privada que não terá que desembolsar recursos para realizar tal empreendimento. Enquanto que o poder público, ou melhor dizendo, a sociedade amazonense, terá que arcar com os custos do empréstimo. Isso é que é parceria público-privado! Em outras palavras, o estado socializa as despesas com a sociedade, e a empresa pública capitaliza os lucros.
Vale registrar que o Brasil tem enorme poder tanto dentro do BID, pois está entre os maiores acionistas da instituição. Tem peso decisivo na definição das políticas implementadas por esse banco na América Latina. Com o Grupo Banco Mundial a regra se repete. O país é um acionista relevante, e um grande tomador de empréstimos além de excelente cliente.
Também é preciso dizer que somente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES tem mais recursos para investimentos do que o BIRD e o BID juntos. Somente a carteira de projetos do BNDES possui mais de R$ 60 bilhões para 2007. O que o BIRD e o BID dispõem para o Brasil no mesmo período pode ser considerada uma ninharia diante dessa soma. Então, por que continuamos a pegar empréstimos dessas instituições?
Em relação ao Brasil, o BID, o BIRD e mesmo o FMI na atualidade não são importantes por causa dos empréstimos. E sim pelo fato que são grandes produtores de conhecimentos e formuladores de políticas que são implementadas no país. Além de formarem boa parte da elite tecnoburocrática brasileira. O poder dessas instituições é tão forte que alguns dos conceitos elaborados no seu interior acabam sendo incorporados até mesmo por movimentos sociais e ongs, como a idéia de boa governança.
No caso do BNDES, este banco há muito deixou de atuar somente no Brasil, posto que financia empreendimentos em diferentes países ao redor do planeta. É o principal instrumento do Brasil para garantir a efetivação da Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana - IIRSA. Um conjunto de ações e arranjos institucionais para viabilizar a integração econômica dessa parte da América. É o BNDES o principal financiador dos empreendimentos previstos pelo Programa de Aceleração da Economia - PAC.
Na Amazônia, o Complexo Rio Madeira, em Rondônia, a expansão das monoculturas de exportação e para a produção de biocombustíveis, abertura de estradas, a expansão e a modernização das redes de portos e aeroportos contarão efetivamente com recursos desse banco. Não obstante, não existe atualmente qualquer mecanismo de controle social sobre as ações do BNDES. Que, nesse caso, chega ser mais conservador do que o BIRD e o BID.
É o BNDES também quem financia diversos empreendimentos nos países sul-americanos que interessam diretamente ao Brasil, como o asfaltamento de estradas no Peru, a fim de viabilizar o escoamento da soja nacional para os países asiáticos pelos portos daquele país no Pacífico. Bem como muitos outros projetos nos demais países da região que interessam fundamentalmente ao setor privado brasileiro e/ou articulados a grandes grupos econômicos internacionais - Cargil, por exemplo.
Para atingir esse objetivo o BNDES tem efetivado parcerias com a Corporação Andina de Fomento, cujos sócios majoritários são a Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Venezuela, para garantir os financiamentos necessários à implementação da IIRSA. Portanto, não foi mera coincidência o fato de o Brasil ter se tornado sócio da CAF, através da aquisição de cerca de 10% das ações daquela instituição, e de alguns setores do governo federal levantarem a proposta de que o Banco do Sul, proposto por Chaves, se constitua a partir da maior integração entre o BNDES e a CAF.
Como se vê o Brasil tem tido um papel ativo na estratégia de integração econômica sul-americana, definido de modo claro no atual Plano Plurianual do governo federal, e age com desenvoltura no interior dos bancos multilaterais para atingir esse objetivo. Nesse sentido, precisamos romper com a idéia de que o nosso país é vítima dessas instituições.
Posto que nosso país participa da formulação das políticas apoiadas pelas mesmas no nosso continente. E não sermos um sócio qualquer no interior delas. Cabe aos movimentos sociais e ongs colocarem em sua pauta o debate sobre os bancos multilaterais, desenvolver ações de pressão sobre elas e tirar o parlamento brasileiro da letargia quando se trata dos acordos internacionais.
