quarta-feira, abril 18, 2007

Revelado o livro secreto do Exército
























A reportagem é de Lucas Figueiredo do jornal Estado de Minas, publicada na edição de domingo passado (15/04/2007) e me foi enviada pela amiga Eli.



O mistério que dura duas décadas chega ao fim.

Há 19 anos, uma dúzia de oficiais da reserva esconde uma espécie de Santo Graal da linha dura das Forças Armadas: um livro produzido pelo serviço secreto do Exército que conta o que seria “a verdade” sobre a luta
armada promovida por organizações de esquerda entre 1967 e 1974. A obra nunca foi publicada e até mesmo seu título foi mantido em sigilo. Alguns poucos exemplares artesanais passaram de mão em mão, num círculo fechado. Apenas 40 páginas da obra (menos de 4% do total) circulam livremente pela Internet, no site do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), que reúne militares e civis de extrema direita.



O Estado de Minas obteve uma cópia do megadocumento, que tem 966 páginas, divididas em dois tomos. A obra tem enorme importância histórica. Ela comprova, por exemplo, que o Exército dispõe de informações sobre mortos e desaparecidos políticos que oficialmente nega ter (veja reportagem às páginas 2 e 3). Contém ainda mentiras, manipulações, mas também verdades incômodas tanto para as Forçar Armadas quanto para organizações de esquerda.

A obra começou a ser feita em 1986 como forma de responder às acusações do livro Brasil: nunca mais, lançado no ano anterior, pela Arquidiocese de São Paulo, para denunciar a tortura e o assassinato de presos políticos na ditadura militar (1964-1985). Durante dois anos, por ordem direta do então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, cerca de 30 oficiais do Centro de Informações do Exército (CIE) –o serviço secreto da Força– trabalharam de forma sigilosa no chamado Projeto Orvil (orvil é a palavra livro ao contrário). Quando ficou pronto, em 1988, recebeu o título de As tentativas de tomada do poder. Na época, porém, Leônidas desistiu de publicar a obra, que, rebatizada como Livro negro do terrorismo no Brasil, acabou se tornando uma relíquia militar.

Ao descrever o dia-a-dia de dezenas de organizações de esquerda, o livro cita mais de 1,7 mil pessoas, muitas delas ainda em atividade, como o ministro Franklin Martins (Comunicação Social), o ex-ministro José Dirceu, o governador José Serra (São Paulo) e o cantor e compositor Chico Buarque. Os dados, como é dito na apresentação do livro, foram retirados de documentos dos arquivos secretos militares.

Quatro fontes distintas comprovam que é autêntica a cópia obtida pelo Estado de Minas:

1) Trechos do livro foram copiados de documentos secretos do próprio Exército. Um caso concreto: nas páginas 721 e 722, está escrito: “A localidade de Santa Cruz, por exemplo, dista 600 km da sede do município, em Conceição do Araguaia, e a única ligação existente entre elas é o rio, demorando a viagem entre uma localidade e outra uma média de 5 dias”. Texto praticamente idêntico aparece em documento do Exército de 30 de outubro de 1972, classificado como secreto: “(…) A localidade de Santa Cruz dista 600 km da sede do município em Conceição do Araguaia e a viagem pelo rio, único meio de ligação, demora da ordem (sic) de 5 dias”;

2) Outros trechos do livro –como o relato do seqüestro do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben, em 1970– são cópias ou adaptações de textos publicados no site do grupo do Ternuma, guardi
ão da obra;

3) Consultadas pelo Estado de Minas, pessoas citadas no livro –entre elas Cid Queiroz Benjamim e Maurício Paiva, que participaram da luta armada– apontam erros e manipulações na obra, mas confirmam a veracidade de inúmeros detalhes que ainda não são de conhecimento público;

4) Um oficial do Exército que tem um exemplar do livro confirmou que a cópia em poder do jornal é autêntica.

Durante dois meses, o Estado de Minas confrontou o conteúdo do livro secreto do Exército com outras 12 obras de referência histórica e com dezenas de documentos das Forças Armadas. Também entrevistou 32 pessoas envolvidas direta ou indiretamente nos fatos narrados. O resultado do trabalho começa a ser publicado a partir de hoje, numa série de reportagens especiais. O Livro negro do terrorismo no Brasil agora faz parte da história.

Com 51 páginas dedicadas a ele, o campeão de aparições do livro secreto é Carlos Lamarca, o capitão do Exército que desertou em 1969 para tentar fazer a revolução socialista no Brasil. Em segundo lugar, com 41 páginas, está Carlos Marighella, o veterano comunista que, no fim da década de 1960, tornou-se ícone da guerrilha urbana no país.


http://www.uai.com.br/em.html

domingo, abril 15, 2007

Brasil integra o Banco do Sul










Parece confirmar-se realmente a notícia de que o Brasil integrará como sócio pleno o Banco do Sul.

Segundo declaração de Guido Mantega ontem à noite, a decisão já foi tomada e detalhes já foram acordados entre os países sul-americanos presentes à reunião de sexta-feira na sede do Banco Mundial, faltando agora apenas uma "declaração política" - a qual, segundo a Agência Brasil, provavelmente será feita durante a cúpula presidencial de energia que começa amanhã na Venezuela.

Para mais informações: Telesur, Agência Brasil, BBCBrasil.


Abaixo está nota publicada no Blog do Dirceu.

Brasil adere ao Banco do Sul

Excelente - se confirmada - a notícia divulgada há pouco pela
BBC. Depois de se reunir no Banco Mundial, em Washingaton, com representantes sul-americanos, o ministro Guido Mantega comunicou a decisão brasileira de integrar, como sócio pleno, o projeto de criação do Banco do Sul.

No entender do ministro da Fazenda, a nova instituição deveria assumir um perfil híbrido, misto de Fundo Monetário Regional - portanto emprestador de última instância, na concepção original keynesiana, para asseguar o equilíbrio monetário e comercial do processo de integração - e banco de fomento.

A decisão auspiciosa do governo brasileiro acontece no exato momento em que se noticia que o país já é o nono maior investidor de reservas em título norte-americanos. Estes, como se sabe, rendem juros baixíssimos, muito inferiores ao custo de internalização desses recursos, que exige emissão de dívida do Tesouro indexada pela taxa de juros mais alta do planeta (no ano passado o custo dessa defasagem foi equivalente a um Bolsa Família inteiro: mais de R$ 8 bilhões de reais).


O Brasil tem cerca de US$ 59 bilhões, praticamente 50% de um total de reservas de US$ 111 bilhões, aplicados em treasures nos EUA. Ou seja, temos mais ou menos o equivalente ao que o PAC vai investir este ano alocado, a juros baixos, para financiar o déficit comercial e o consumo da população mais rica da face da terra.

A decisão de se tornar sócio pleno do Banco do Sul abre a possibilidade de remanejar parte das reservas brasileiras para um fundo comum de investimentos na região (a Argentina, por exemplo, já acumulou US$ 39 bilhões em reservas e a Venezuela deve ter outro tanto).


O Banco do Sul seria o gestor desse fundo e nasceria, desde já, com gás para mudar a velocidade e o patamar da integração regional, com desdobramentos encorajadores para o desenvolvimento de todas as economias integradas.

Bela notícia para abrir a semana.


Vamos torcer para que a informação da BBC esteja correta.

sexta-feira, abril 13, 2007

A Democratização da Comunicação em Video-debate

























Imperdível! Espero poder estar lá.
Logo abaixo está o texto de divulgação conforme recebi por e-mail do setor de Comunicação da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal do RS:


26.04.2007 - Seminário sobre Democratização da Comunicação


Ocorre no dia 26 de abril (quinta-feira) o Vídeo-Debate sobre Democratização da Comunicação.
O evento inicia às 18h30, na Casa dos Bancários (Rua General Câmara, 424), em Porto Alegre.


Para fornecer elementos ao debate do tema, será exibido o documentário irlandês "A Revolução não Será Televisionada", dos diretores Kim Bartley e Donnacha O’Briain. O vídeo revela o envolvimento dos meios de comunicação no golpe que depôs o presidente da Venezuela Hugo Chávez, em 2002.



Os debatedores convidados são os jornalistas Marco Aurélio Weissheimer e Luiz Carlos Azenha. Weissheimer é editor-assistente da Agência Carta Maior. Azenha, jornalista há mais de 30 anos, trabalha na Rede Globo, onde já foi correspondente internacional, e é responsável pelo projeto Sivuca – Sistema de Muvuca na Internet –, uma rede de blogs comprometidos com a liberdade de expressão e a pluralidade.


O evento é uma realização da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal com apoio do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região.


Entrada franca.

Sem limites

















Ilustração do Latuff

Como se o mundo já não houvesse ultrapassado os limites do ódio, da segregação e da discriminação de seres humanos por toda sorte de motivos, ainda tem gente que acha pouco.

quinta-feira, abril 12, 2007

Da globalização do Bourdoukan

















Ilustração do Laz



Toda vez que de alguma forma menciono minha resistência a conformar-me com a idéia de fronteiras e países, percebo aqueles olhares de estranhamento como que preventivos de um discurso anarquista.


Não por acaso, a idéia de país ou nação já está tão incorporada ao inconsciente das pessoas que lhes é quase impossível perceber o compomente ilusório e projetado destes conceitos. Lembro que certa vez mostrei a um aluno um mapa-múndi não-político e, portanto, sem fronteiras, a primeira coisa que ele questionou foi "ué, cadê o Brasil?" Ao que respondi, está aqui, só que as fronteiras não estão delimitadas, até porque na verdade elas não existem.

Não esqueço o olhar perplexo do mocinho, o cenho franzido perguntando "como assim não existe linha de fronteira??" Pois é, não existe, é uma abstração, uma ilusão, um recurso, apenas uma forma de organização política possível, mas poderia ser outra e quem sabe um dia ainda seja... E não é por acaso que este mapa aí é feito desta forma, com a Europa bem no meio...o forte conteúdo ideológico existente nos mapas escolares é algo impressionante! É por isso que faz tanto sentido essa dificuldade que as pessoas mais tarde acabam desenvolvendo para imaginar ou mesmo identificar! o mundo como ele realmente é, sem as fronteiras políticas..

Bom, isso foi só uma reflexão para na verdade introduzir a este fragmento do artido do Bourdoukan "Da globalização":

"A globalização é tão importante quanto o ar que respiramos. Falar em países é querer dividir o mundo em fronteiras, é apoiar as guerras onde as vítimas serão sempre os explorados. Ou alguém conhece algum rico que já morreu em combate?

Hoje a humanidade é administrada por um emaranhado que obedece a não mais do que quatro ou cinco corporações. E mesmo estas, têm ramificações entre si. Moldam os gostos de acordo com suas conveniências. Nos ensinam como amar, divertir, o que e como devemos ler, a que programas assistir, que esporte praticar, o que comer, impõem até o padrão de beleza.

É uma ditadura que nos faz crer que somos livres e independentes quando na verdade estamos subjugados. Transforma-nos em seres insensíveis, sem preocupação com o próximo, elimina do vocabulário a palavra solidariedade, nos torna impassíveis diante da fome, da miséria e das epidemias que matam seres humanos como se fossem insetos."

Para ler o artigo completo: Blog do Bourdoukan

quarta-feira, abril 11, 2007

El calentamiento global está cambiando la vida del planeta























ilustração do Alex Falco


O Juventude Rebelde publica o conteúdo do programa Mesa Redonda "Cambio Climático, biocombustibles y guerra" apresentado pela Televión Cubana e relacionado às reflexões de Fidel Castro publicadas no dia 3 de abril passado sob o título "La Internacionalización del Genocidio". Publicamos logo abaixo apenas o texto de Fidel Castro, quem quiser acompanhar o debate sobre o texto bem como suas repercussões, encontra aqui a da transcrição do programa Mesa Redonda.


La Internacionalización del Genocidio

La reunión de Camp David acaba de concluir. Todos escuchamos con interés la conferencia de prensa de los Presidentes de los Estados Unidos y Brasil, así como las noticias en torno a la reunión y las opiniones vertidas.


Enfrentado Bush a las demandas de su visitante brasileño sobre tarifas arancelarias y subsidios, que protegen y apoyan la producción norteamericana de etanol, no hizo en Camp David la más mínima concesión.


El presidente Lula atribuyó a esto el encarecimiento del maíz, que de acuerdo con sus palabras se había elevado en más de un 85 por ciento.


Ya antes, el periódico The Washington Post publicó el artículo de la máxima autoridad de Brasil, donde expuso la idea de convertir los alimentos en combustible.


No es mi intención lastimar a Brasil, ni mezclarme en asuntos relacionados con la política interna de ese gran país. Fue precisamente en Río de Janeiro, sede de la Reunión Internacional sobre el Medio Ambiente, hace exactamente 15 años, donde denuncié con vehemencia, en un discurso de 7 minutos los peligros medioambientales que amenazaban la existencia de nuestra especie. En aquella reunión estaba presente Bush padre como presidente de Estados Unidos, que en gesto de cortesía aplaudió aquellas palabras, igual que todos los demás presidentes.


Nadie en Camp David ha respondido a la cuestión fundamental. ¿Dónde y quiénes van a suministrar los más de 500 millones de toneladas de maíz y otros cereales que Estados Unidos, Europa y los países ricos necesitan para producir la cantidad de galones de etanol que las grandes empresas norteamericanas y de otros países exigen como contrapartida de sus cuantiosas inversiones? ¿Dónde y quiénes van a producir la soya, las semillas de girasol y colza, cuyos aceites esenciales esos mismos países ricos van a convertir en combustible?


Un número de países producen y exportan sus excedentes de alimentos. El balance entre exportadores y consumidores era ya tenso, disparando los precios de los mismos. En aras de la brevedad, no me queda otra alternativa que limitarme a señalar lo siguiente:


Los cinco principales productores de maíz, cebada, sorgo, centeno, mijo y avena que Bush quiere convertir en materia prima para producir etanol, suministran al mercado mundial, según datos recientes, 679 millones de toneladas. A su vez, los cinco principales consumidores, algunos de los cuales son también productores de estos granos, necesitan actualmente 604 millones de toneladas anuales. El excedente disponible se reduce a menos de 80 millones de toneladas.


Este colosal derroche de cereales para producir combustible, sin incluir las semillas oleaginosas, solo serviría para ahorrarles a los países ricos menos del 15 por ciento del consumo anual de sus voraces automóviles.


Bush en Camp David ha declarado su intención de aplicar esta fórmula a nivel mundial, lo cual no significa otra cosa que la internacionalización del genocidio.


El Presidente de Brasil, en su mensaje publicado por The Washington Post, víspera del encuentro en Camp David, afirmó que menos del uno por ciento de la tierra cultivable brasileña se dedica a la caña para producir etanol. Esa superficie es casi el triple que la que se empleaba en Cuba cuando se producían casi 10 millones de toneladas de azúcar, antes de la crisis de la URSS y del cambio climático.


Nuestro país lleva más tiempo produciendo y exportando azúcar, primero a base del trabajo de los esclavos, que llegaron a sumar más de 300 mil en los primeros años del siglo XIX y convirtieron la colonia española en el primer exportador del mundo. Casi cien años después, a principios del siglo XX, en la república mediatizada, cuya independencia plena frustró la intervención norteamericana, solo inmigrantes antillanos y cubanos analfabetos cargaban el peso del cultivo y el corte de la caña. La tragedia de nuestro pueblo era el llamado tiempo muerto, por el carácter cíclico de este cultivo. Las tierras cañeras eran propiedad de empresas norteamericanas o de grandes terratenientes de origen cubano. Hemos acumulado, por tanto, más experiencia que nadie sobre el efecto social de ese cultivo.


El pasado domingo primero de abril, la CNN informaba la opinión de especialistas brasileños, quienes afirman que muchas de las tierras dedicadas al cultivo de la caña han sido adquiridas por norteamericanos y europeos ricos.


En mis reflexiones publicadas el 29 de marzo expliqué los efectos del cambio climático en Cuba, a lo que se añaden otras características tradicionales de nuestro clima.


En nuestra isla, pobre y lejos del consumismo, no habría siquiera personal suficiente para soportar los duros rigores del cultivo y la atención a los cañaverales en medio del calor, las lluvias, o las sequías crecientes. Cuando azotan los ciclones, ni siquiera las máquinas más perfectas pueden cosechar las cañas acostadas y retorcidas. Durante siglos no se acostumbraba a quemarlas, ni el suelo se compactaba bajo el peso de complejas máquinas y enormes camiones; los fertilizantes nitrogenados, potásicos y fosfóricos, hoy costosísimos, ni siquiera existían, y los meses secos y húmedos se alternaban regularmente. En la agricultura moderna no hay rendimientos elevados posibles sin rotación de cultivos.


La Agencia Francesa de Prensa transmitió el domingo primero de abril informaciones preocupantes sobre el cambio climático, que expertos reunidos por Naciones Unidas consideran algo ya inevitable y de graves consecuencias en las próximas décadas.


«El cambio climático afectará al continente americano de forma importante, al generar más tormentas violentas y olas de calor, que en Latinoamérica provocarán sequías, con extinción de especies e incluso hambre, según el informe de la ONU que debe aprobarse la próxima semana en Bruselas.


«Al final del actual siglo, cada hemisferio sufrirá problemas de agua y, si los gobiernos no toman medidas, el aumento de temperaturas podría incrementar los riesgos de ‘mortalidad, contaminación, catástrofes naturales y enfermedades infecciosas’, advierte el Grupo Intergubernamental del Cambio Climático (IPCC).


«En Latinoamérica, el calentamiento ya está derritiendo los glaciares de los Andes y amenaza al bosque del Amazonas, cuyo perímetro se puede ir convirtiendo en una «sabana», continúa afirmando el cable.


«A causa de la gran cantidad de población que vive cerca de las costas, Estados Unidos también se expone a fenómenos naturales extremos, como demostró el huracán Katrina el año 2005». «Este es el segundo informe del IPCC de una serie de tres, que se abrió el pasado febrero con una primera diagnosis científica donde se establecía la certeza del cambio climático.»


«En esta segunda entrega de 1 400 páginas, en la que se analiza el cambio por sectores y regiones y del que la AFP ha obtenido una copia, se considera que, aunque se tomen medidas radicales para reducir las emisiones de dióxido de carbono a la atmósfera, el aumento de temperaturas en todo el planeta en las próximas décadas ya es seguro», concluye la información de la agencia francesa de noticias.


Como era de esperar, Dan Fisk, asesor de Seguridad Nacional para la región, declaró el propio día de la reunión de Camp David que «en la discusión de asuntos regionales, el tema de Cuba sería uno de ellos y no precisamente para abordar el tema del etanol sobre el cual el Presidente convaleciente Fidel Castro escribió un artículo el jueves sino sobre el hambre que ha creado en el pueblo cubano».


Por la necesidad de dar respuesta a este caballero, me veo en el deber de recordarle que el índice de mortalidad infantil en Cuba es menor que el de Estados Unidos. Puede asegurarse que no existe ciudadano alguno sin asistencia médica gratuita. Todo el mundo estudia y nadie carece de oferta de trabajo útil, a pesar de casi medio siglo de bloqueo económico y el intento de los gobiernos de los Estados Unidos de rendir por hambre y asfixia económica al pueblo cubano.


China jamás emplearía una sola tonelada de cereales o de leguminosas para producir etanol. Se trata de una nación de economía próspera que bate récords de crecimiento, donde ningún ciudadano deja de recibir los ingresos necesarios para bienes esenciales de consumo, a pesar de que un 48 por ciento de su población, que supera los 1 300 millones de habitantes, trabaja en la agricultura. Por el contrario, se ha propuesto hacer considerables ahorros de energía eliminando miles de fábricas que consumen cifras inaceptables de electricidad e hidrocarburos. Muchos de los alimentos mencionados los importa desde cualquier rincón del mundo después de transportarlos miles de kilómetros.


Decenas y decenas de países no producen hidrocarburos y no pueden producir maíz y otros granos, ni semillas oleaginosas, porque el agua no les alcanza ni para cubrir sus necesidades más elementales.


En una reunión convocada en Buenos Aires por la Cámara de la Industria Aceitera y el Centro de Exportadores sobre la producción de etanol, el holandés Loek Boonekamp, director de Mercados y Comercio Agrícola de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo (OCDE), declaró a la prensa que:


«Los gobiernos se entusiasmaron mucho; deberían tener una mirada fría acerca de si debe haber apoyo tan robusto al etanol.


«La producción de etanol solo es viable en Estados Unidos; en ningún otro país, salvo que se apliquen subsidios.


«Esto no es maná del cielo y no nos tenemos que comprometer ciegamente», prosigue el cable.


«Hoy los países desarrollados impulsan que los combustibles fósiles sean mezclados con biocombustibles en cerca del 5 por ciento y eso ya presiona los precios agrícolas. Si ese corte se elevara a 10 por ciento, se necesitaría 30 por ciento de la superficie sembrada en Estados Unidos y 50 por ciento de la de Europa. Por eso pregunto si esto es sustentable. El aumento de la demanda de cultivos para etanol producirá precios más altos e inestables».


Las medidas proteccionistas se elevan hoy a 54 centavos por galón y los subsidios reales alcanzan cifras mucho más altas.


Aplicando la sencilla aritmética que aprendimos en el preuniversitario, se comprobaría que el simple cambio de los bombillos incandescentes por fluorescentes, como expresé en mi reflexión anterior, aportaría un ahorro de inversión y de recursos energéticos equivalente a millones de millones de dólares, sin utilizar una sola hectárea de tierra agrícola.


Mientras tanto, noticias públicas procedentes de Washington afirman textualmente a través de la AP:


«La misteriosa desaparición de millones de abejas en todo Estados Unidos tiene a los apicultores al borde del ataque de nervios y preocupa incluso al Congreso, que debatirá este jueves la crítica situación de un insecto clave para el sector agrícola.


«Las primeras señales serias de este enigma surgieron poco después de las Navidades en el estado de la Florida, cuando los apicultores se encontraron con que las abejas se habían esfumado.


«Desde entonces, el síndrome que los expertos han bautizado como Problema del Colapso de las Colonias (CCD, por sus siglas en inglés), ha mermado en un 25 por ciento los enjambres del país.


«Hemos perdido más de medio millón de colonias, con una población de alrededor de 50 mil abejas cada una, dijo Daniel Weaver, presidente de la Federación Estadounidense de Apicultores, quien apuntó que el mal afecta a unos 30 de los 50 estados del país. Lo curioso del fenómeno es que en muchos casos no se encuentran restos mortales.


«Los laboriosos insectos polinizan cultivos valorados entre 12 mil y 14 mil millones de dólares, según un estudio de la Universidad de Cornell.


«Los científicos barajan todo tipo de hipótesis, entre ellas la de que algún pesticida haya provocado daños neurológicos a las abejas y alterado su sentido de la orientación. Otros culpan a la sequía, e incluso a las ondas de los teléfonos móviles, pero lo cierto es que nadie sabe a ciencia cierta cuál es el verdadero desencadenante.»


Lo peor puede estar por venir: una nueva guerra para asegurar los suministros de gas y petróleo, que coloque la especie humana al borde del holocausto total.


Hay órganos de prensa rusos que, invocando fuentes de inteligencia, han informado que la guerra contra Irán viene siendo preparada en todos sus detalles desde hace más de tres años, el día en que el gobierno de Estados Unidos decidió ocupar totalmente Iraq, desatando una interminable y odiosa guerra civil.


Mientras tanto, el gobierno de Estados Unidos destina cientos de miles de millones al desarrollo de armas de tecnología altamente sofisticada, como las que utilizan sistemas microelectrónicos, o nuevas armas nucleares que podrían estar sobre los objetivos una hora después de recibir la orden.


Estados Unidos ignora olímpicamente que la opinión mundial está contra todo tipo de armas nucleares.


Demoler hasta la última fábrica iraní es una tarea técnica relativamente fácil para un poder como el de Estados Unidos. Lo difícil puede venir después, si una nueva guerra se desata contra otra creencia musulmana que merece todo nuestro respeto, al igual que las demás religiones de los pueblos del Cercano, Mediano o Lejano Oriente, anteriores o posteriores al cristianismo.


El arresto de los soldados ingleses en aguas jurisdiccionales de Irán parece una provocación exactamente igual a la de los llamados «Hermanos al Rescate», cuando violando las órdenes del presidente Clinton avanzaban sobre las aguas de nuestra jurisdicción y la acción defensiva de Cuba, absolutamente legítima, sirvió de pretexto al gobierno de Estados Unidos para promulgar la famosa Ley Helms-Burton, que viola la soberanía de otros países. Poderosos medios masivos de publicidad han sepultado en el olvido aquel episodio. No son pocos los que atribuyen el precio del petróleo de casi 70 dólares, alcanzado el lunes, a los temores de un ataque a Irán.


¿De dónde sacarán los países pobres del Tercer Mundo los recursos mínimos para sobrevivir?


No exagero ni uso palabras desmesuradas, me atengo a los hechos.


Como puede observarse, son muchas las caras oscuras del poliedro.


3 de abril de 2007


Fidel Castro Ruz

terça-feira, abril 10, 2007

100 dias de Yeda no Piratini - revisto e ampliado

As razões da oposição

"Em 100 dias, Yeda Crusius já explicitou seu projeto. Suas opções políticas e administrativas revelam um governo autoritário, insensível às necessidades do povo gaúcho e descompromissado com o fortalecimento dos serviços públicos. Estrategicamente, tenta ampliar a realidade da crise financeira do Estado com vistas a enfraquecê-lo e retomar a agenda do ajuste fiscal às custas dos pobres e do funcionalismo. A idéia de que a crise é insuportável se revela uma falácia se analisarmos com isenção as contas públicas. Desde 2001, a média do superávit primário do primeiro bimestre chega a R$ 298,9 milhões. Em 2007, esse valor chegou a R$ 297,5 milhões, o que demonstra que a situação financeira não é tão grave como o governo tenta fazer supor."

Acima está o parágrafo inicial do documento apresentado ontem, dia 9, pela bancada do PT na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. O documento traz uma avaliação dos cem primeiros dias da atual administração do Piratini, definindo-o antes de mais nada por sua distância do povo...

Para ler o documento na íntegra, em PDF, clica aqui.

Atualizando...

Só pra acrescentar aqui o link para a análise do Marco Aurélio Weissheimer sobre o mesmo tema, publicada pela Agência Carta Maior.


via RS Urgente e PTSul.

segunda-feira, abril 09, 2007

Fidel Castro, o eterno culpado

















Além de te distrair do silêncio que reina temporariamente neste blog, este post está aqui pra ilustrar mais uma excelente postagem da Cláudia no Dialógico e te levar até lá.

Ela aborda a fofocalhada estratégica que a mídia canalha, sempre fiel à própria subserviência aos Impérios, tenta fazer e formar uma imagem distorcida sobre as declarações de Fidel Castro a respeito dos biocombustíveis e das negociações... Tá fazendo o que aqui ainda? Anda,
vai lá!

Em breve voltaremos com a programação normal . . .

terça-feira, abril 03, 2007

Quer informação diversificada e atualizada sobre a Venezuela?













notiven.com

O site é uma espécie de central da mídia venezuelana (mas não apenas venezuelana) - agências de notícias, jornais, rádios, revistas, redes de televisão estão relacionados na coluna no lado esquerdo, e ao clicar ali boa parte dos conteúdos é disponibilizada na própria página.

Na outra-esquerda tem uma coluna que, pelo que pude perceber, é atualizada a todo momento sobre todo conteúdo que é publicado na internet sobre a Venezuela em todos os idiomas.

Foi assim que eles me lincaram e acabei conhecendo o site.
Sei lá, provavelmente não se trata de nenhuma novidade a não ser para mim. De qualquer forma, considerei válido compartilhar a descoberta.

segunda-feira, abril 02, 2007

Nota sobre a "sensação de segurança" fabricada pela RBS

Só para relatar mais um exemplo do quanto é ridículo, para não dizer mentiroso, o in-famoso "crescimento da sensação de segurança" no Rio Grande do Sul sob o novo jeito de governar, tão alardeado pelos veículos do Partido RBS.

Em Pelotas, existe um caixa eletrônico do Banrisul aberto ao público funcionando dentro do quartel da Brigada Militar. Antigamente ele funcionava 24 horas, mas de uns tempos para cá funciona só até as 22 horas. Um dia conversei com o soldado que fazia a guarda no portão, ele me disse que era por questões de segurança. Isso me deu uma sensação de segurança tão intensa que mal pude disfarçar o riso.

Mais sobre a sensação de INsegurança - RS Urgente.

domingo, abril 01, 2007

O guardião da fé




















Humor por Langer - Argenpress.info

Não ficou a cara do FFHH? :-)

El gobierno venezolano anuncia el cierre definitivo de Radio Caracas Televisión
















Jesse Chacón, Ministro das Telecomunicações da Venezuela.

Artigo do serviço de notícias ARGENPRESS.info
, publicado no Rebelión.

El govierno venezolano anuncia el cierre definitivo de Radio Caracas Televisión


El Gobierno venezolano anunció hoy el cierre definitivo de Radio Caracas Televisión (RCTV) y su reemplazo con la creación de un nuevo canal de servicio público a partir del próximo 28 de mayo, fecha en la que se vence la concesión de la señal abierta.

El ministro de Telecomunicaciones, Jesse Chacón, ratificó en el Palacio de Miraflores, sede del poder ejecutivo, la decisión del presidente Hugo Chávez Frías de no renovar la concesión de la señal abierta del canal 2 que se vence el próximo 27 de mayo, fecha en la que se cumplen 20 años de licencia.


Chacón defendió en conferencia de prensa que la medida es legal y está amparada en la Constitución del país y en los tratados internacionales los cuales señalan que el espectro radioeléctrico es un bien del Estado y no de la humanidad.


'En conclusión, la frecuencia que actualmente opera RCTV quedará disponible y será manejada por el Estado venezolano a través del nuevo canal de servicios públicos a partir del 28 de mayo', sentenció el responsable.

En cuanto a los equipos de transmisión dijo que estos no le servirán a nadie y es una decisión de los dueños de RCTV la opción de venderlos.

El anuncio gubernamental sobre el nacimiento del canal de servicio público que reemplazará a RCTV coincidió con el repudio que expresaron trabajadores y periodistas de esa planta de televisión y grupos afectos a la oposición en contra de seguidores chavistas quienes durante la noche del martes hicieron una vigilia y luego dañaron con pinturas y graffiti la fachada y paredes adyacentes donde funciona el canal.

Desde el pasado mes de diciembre, el presidente Hugo Chávez Frías ha reiterado que su gobierno no renovará la concesión a RCTV, uno de los canales de televisión más antiguos del país, fundado el 15 de noviembre de 1953.


El caso ha sido expuesto en distintos foros internacionales y motivo de protestas públicas, unos organizados por el gobierno del presidente Chávez y otros por la oposición venezolana.

'En conclusión, la frecuencia que actualmente opera RCTV quedará disponible y será manejada por el Estado venezolano a través del nuevo canal de servicios públicos a partir del 28 de mayo', sentenció el alto funcionario gubernamental.


En cuanto a los equipos de transmisión dijo que estos no le servirán a nadie y es una decisión de los dueños de RCTV la opción de venderlos.

sábado, março 31, 2007

Manifestoon - Legendado em Português

Via RS Urgente e portal Vermelho

O video acima é o curta de animação Manifestoon. Lançado em 1996 pelo cineasta independente Jesse Drew, o filme é uma espécie de colagem de desenhos animados e sintetiza, mais do que didaticamente, as principais idéias do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, escrito entre dezembro 1847 e janeiro 1848, primeiramente publicado em Londres, entre fevereiro e março deste último ano.

Apesar da resolução não ser das melhores, o filme está aí, disponível no YouTube e com legenda em português!

Vale a pena ler também a matéria do Vermelho sobre o filme.

quinta-feira, março 29, 2007

Biblioteca Virtual Oriente Médio Vivo

Compartilhando a informação enviada pelo Humam al-Hamzah, sobre mais um projeto do Oriente Médio Vivo:

Trata-se da Biblioteca Virtual Oriente Médio Vivo.

São centenas de livros de todos os temas relacionados ao Oriente Médio. Tem desde literatura islâmica, textos de cultura e religião até documentos oficiais dos conflitos atuais.

Todos os livros estão em formato PDF, são gratuitos, e nenhum tipo de cadastro é necessário para realizar os downloads. Vale a pena conferir!

Segundo Humam al-Hamzah, novos livros e temas serão adicionados diariamente.

terça-feira, março 27, 2007

Dos estranhos caminhos que trazem a este blog

Ontem chegou aqui alguém que digitou esta pérola no google:

"procuro uma pessoa que queira pagar minhas dividas financeiras"

...dá pra imaginar a frustração desta pessoa ao chegar neste blog??

Há alguns dias percebi certa aceleração na contagem das visitas, coisa que me fez observar mais interessadamente este mecanismo do saitiômetro, no sentido de tentar saber melhor afinal quem são as pessoas que aqui chegam. Tive surpresas boas, outras nem tanto.

Uma boa foi descobrir que o Vozes do Sul tem servido como fonte de pesquisa para muitas pessoas que buscam os mais diferentes temas e perspectivas para trabalhar com alunos em sala de aula. Este foi um retorno definitivamente gratificante.

Por outro lado, redescubro que aquilo que costumam chamar de curiosidade mórbida da alma humana realmente não tem limites. Uma das pesquisas no google que seguidamente traz pessoas até aqui, devido a esta postagem do João, é a busca por imagens da morte do menino João Hélio. Deve haver alguma explicação psicológica, filosófica, antropológica, sociológica bem boa que defina este tipo de interesse, mas que por mais que eu tente, segue fugindo à minha compreensão. E talvez até seja melhor nem entender.

sexta-feira, março 23, 2007

O direito de Israel de ser racista








Texto do site do jornal Oriente Médio Vivo, por Humam al-Hamzah.


O direito de Israel de ser racista

"Sempre que fazemos algo você me diz 'os Estados Unidos vão fazer isso, os Estados Unidos vão fazer aquilo'. Eu quero lhe dizer uma coisa bem clara: não se preocupe quanto à pressão dos Estados Unidos sobre Israel. Nós, o povo judeu, controlamos os Estados Unidos, e os estadunidenses sabem". Foi assim que o ex-primeiro ministro israelense, Ariel Sharon, se dirigiu a Shimon Peres, atual vice-premiê do Estado de Israel, em 3 de outubro de 2001, na rádio israelense Kol Yisrael.

O destino do povo estadunidense, ao contrário do que muitos pensam, é dirigido pela influência judaica nos Estados Unidos. Contra os próprios votos oficiais de cidadania que os 300 milhões de estadunidenses emocionadamente recitam pelo menos uma vez na vida, em voz alta, que lhes garante a "liberdade de influências inimigas internas e externas" em seu país, Israel comanda a política internacional dos Estados Unidos hoje como nunca antes.

Em novembro de 2006, o povo estadunidense colocou os Democratas no Congresso com a esperança de dar fim à ocupação ilegal do Iraque, trazendo as sofridas tropas de volta para casa. Ao contrário disso, porém, a democrata Nancy Pelosi, atual Porta-voz da Casa Branca, sob pedido do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e diretamente influenciada pelo Aipac (Comitê EUA-Israel de Assuntos Públicos), decidiu "revisar" a permanência das tropas estadunidenses no Iraque, em um ato que poderá anular o efeito causado pelos votos da "democracia" estadunidense.


O Aipac, fundado originalmente com o nome de "Comitê EUA-Sionista de Assuntos Públicos", é amplamente considerado como o lobby de política estrangeira mais poderoso em Washington. Seus 60 mil membros distribuem milhões de dólares a inúmeros membros do Congresso situados em ambos os lados do corredor. Também investem em uma rede de cidadãos influentes em todo o país, os quais pode mobilizar regularmente para apoiar seu objetivo principal - assegurar que não haja separação entre as políticas de Israel e dos Estados Unidos. Não é por acaso que o Congresso vota de maneira tão determinada em apoio a Israel. O National Journal, revista semanal estadunidense sobre política e o governo, posicionou o Aipac na segunda colocação no seu ranking de "organizações que mais influenciam a política dos Estados Unidos".

O mais recente assombro dos aliados Israel e Estados Unidos é o desenvolvimento nuclear do Irã. Apesar do enriquecimento de urânio do país estar de acordo com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e ser anunciado pelo governo iraniano como um "desenvolvimento energético pacífico", a pressão israelense sobre os Estados Unidos culminou em sanções econômicas ao país, além das contínuas ameaças de intervenção militar. Ironicamente, Ehud Olmert, um dos principais acusadores do Irã, revelou recentemente que Israel oficialmente possui armamentos nucleares e, após protestos dos países do Golfo de que "o mundo deve considerar o depoimento de Olmert uma ameaça global à paz e à segurança", nada aconteceu. Pelo contrário, Israel negociou outros 100 milhões de dólares (do próprio bolso do povo estadunidense) em armamentos com os Estados Unidos dias depois.

Antes tarde do que nunca, o povo estadunidense deverá acordar para o fato de que a sua liberdade é um mito, dependente da "liberdade" e das vontades de Israel. Bom será se isso acontecer antes de uma suposta invasão ao Irã, em que milhões de vidas inocentes poderão ser poupadas de um novo massacre baseado em uma outra mentira. Se Israel quer uma guerra com o Irã, que prepare o seu "exército mais moral do mundo" para resolver seus problemas.

Ao considerar a humilhante derrota contra o Hizbollah no último verão, porém, um ataque desse seria uma loucura que os israelenses não deveriam arriscar. Enquanto isso, o embaixador francês em Londres questionou: "porque o mundo aceita um paisinho que causa tanto problema?". De fato, o problema começa nos escritórios de Washington.

quinta-feira, março 22, 2007

Uma crônica anunciada

Beatriz Fagundes

Há menos de uma semana, a senhora governadora Yeda Crusius festejou um superávit nas contas públicas e, ontem, anunciou falta de verbas para pagar em dia parte dos funcionários.

O salário de quase 10% dos funcionários públicos estaduais vai atrasar. Sem ineditismo, trata-se de uma crônica anunciada. O interessante é que o corte vai atingir em cheio as categorias que votaram no projeto de Yeda Crusius e Paulo Afonso Feijó. Durante a campanha, parecia que conheciam tão bem os problemas do Estado que, ao assumirem, cobrariam as dívidas dos sonegadores, acabariam com as megaisenções fiscais, fortaleceriam os fiscais da Fazenda e administrariam o Estado com total apoio do funcionalismo. Mas, para quem não votou no projeto, e foram 46% dos eleitores gaúchos que votaram no projeto de Olívio Dutra e Jussara Cony, não causa qualquer surpresa a situação de hoje.

Existem modelos para o governo
Nos dias 7 e 8 de dezembro de 2006, foi realizado um seminário em Porto Alegre, organizado pelo PT, que teve como destaques as presenças do sociólogo paulista Ricardo Guterman e do advogado mineiro Carlos Morato. Durante dois dias, eles discorreram sobre o modo tucano de governar. Afinal, São Paulo está sob administração do PSDB desde o saudoso Mario Covas, e Minas Gerais passou antes por Aécio Neves, hoje no segundo mandato. O projeto é o mesmo para o Rio Grande, com pequenas diferenças, atendendo a singularidades regionais.

Em São Paulo o Estado diminuiu
No Estado de São Paulo, o dinheiro das privatizações levadas a cabo na década de 90 não amortizou a dívida pública, não promoveu o ajuste fiscal e sequer foi aplicado nas sempre carentes áreas sociais. Na teoria, a venda das estatais teria exatamente esse destino, qual seja, amortizar a dívida fundamentalmente, mas na prática a dívida pública triplicou. Os neoliberais paulistas, que servem de espelho para a atual administração estadual, superestimaram as receitas para apresentar superávit e promoveram congelamento salarial, aumento de taxas e passaram áreas essenciais dos serviços públicos para as chamadas OSCIPs (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Hoje, milhares de processos tramitam na Justiça, questionando o Estado e, na Assembléia, restam dezenas de pedidos jamais atendidos pela base parlamentar de CPIs. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Em Minas Gerais, o modelito ideal
Assim como em São Paulo, no território mineiro, o incensado Aécio Neves aplicou o tal “choque de gestão”, cujo eixo é o congelamento de salários e a redução do crescimento vegetativo da folha de pagamento. O modelo inclui avaliação do desempenho individual, carreiras, adicional de desempenho, prêmio de produtividade, perda de cargo público e instituição de emprego público, sendo que os novos empregados perderam, entre outras vantagens, o adicional por tempo de serviço. Além disso, instituíram o AVI (afastamento voluntário incentivado). Em Minas, foram criadas novas taxas, entre elas, a taxa para a segurança pública. Quem tem dinheiro e pode pagar conta com segurança, quem não tem... Além disso, majorou tarifas de energia elétrica, combustível e telefone, transferindo papéis fundamentais do Estado – saúde e educação – para a OSCIP, precarizando investimentos sociais e fortalecendo fundos de financiamento, enquanto fortalece a guerra fiscal. Qualquer semelhança passada, presente ou futura não é mera coincidência.

No que acreditar
Como diria aquele personagem do velho programa humorístico “Planeta dos Homens”, “não precisa explicar, eu só queria entender”. Ora, há menos de uma semana, a senhora governadora Yeda Crusius convocou uma coletiva para festejar que, nos dois primeiros meses do ano, houve um superávit nas contas públicas. E ontem, anunciou falta de verbas para pagar em dia parte dos funcionários. Como estamos entrando em fase de negociações salariais, e como se sabe que parcela considerável dos serviços públicos essenciais – é intenção do governo – devem ser entregues às tais OSCIPs, onde está a verdade? Teve superávit ou foi apenas um equívoco da superequipe de quatro pessoas que comanda o Rio Grande do Sul? Sim, pois os secretários de Estado fazem apenas figuração, ou não?

Notícias do Jornal O Sul do Dia 22/03/2007

quarta-feira, março 21, 2007

O RS URGENTE (NÂO!) PODE PARAR

O blog RS URGENTE, do Marco Weissheimer está perigando fechar as portas, ou melhor, os links! E isto é devido às dificuldades financeiras que ameaçam a Agência Carta Maior - dificuldades estas compartilhadas por publicações como a Caros Amigos e a Carta Capital.

Conheci o RS URGENTE apenas durante a campanha, no final do ano passado. Mas, desde então, tornou-se minha principal leitura diária e fonte de informação sobre os assuntos aqui do Estado, uma vez que não tenho estômago pra ler os jornais e praticamente não assisto TV.

Ou seja, já me é estranho demais, e certamente o é para muitos mais que eu, imaginar o dia-a-dia sem os textos do Marco Weissheimer - informativos, arejados, concisos, bem-escritos e coerentemente comprometidos com uma visão de mundo.


Uma das alternativas é conseguir patrocínio para o blog. Mas toda ajuda e outras sugestões são bem-vindas. Vai lá no RS URGENTE, deixa nos comentários ou envia por e-mail.

Esta é, definitivamente, uma boa causa pela qual lutar.

um milhão de blogs pela paz













A idéia é unir, entre 20 de março de 2007 e 20 de março de 2008,
Um Milhão de Blogs pela Paz. Aderir ao movimento significa que o blog ou blogueiro em questão concorda e luta pela retirada imediata de toda e qualquer tropa militar estrangeira do Iraque.

O movimento tem também um blog (em inglês) -
One Million Blogs for Peace Blog.

A página do movimento inaugurou ontem com 217 blogs integrantes, de 28 países diferentes - portanto, estou postando isto com algum atraso, desculpem! mas ainda está em tempo.

Neste momento já são 229 blogs. Pelo que vi, por enquanto só tem mais um blog brasileiro. Aqui está a
relação dos blogs.

Pelo que entendi, eles evitam incluir blogs coletivos. Increvi o implicante, mas estou pleiteando incrição pro Vozes do Sul também.

ah.. eu descobri o One Million Blogs... através do
Sabbah's Blog.


P.S: Postei quase o mesmo texto originalmente no implicante. estou re-postando aqui no sentido de atingir um número maior de pessoas possivelmente interessadas em participar.

Entrevista - Oscar Niemeyer

por: Ricardo Miranda

O arquiteto critica a humanidade, fala sobre Chávez, Lula e Bush e diz que as homenagens ao aniversário de 100 anos são um “equívoco”

Rio de Janeiro – Um mito vivo — embora ele ache o título uma grande besteira — que se mostra humano, frágil, perplexo com o mundo em que vivemos e conformado com a finitude, inclusive de sua obra. Esse é um paradoxo só aparente. Na manhã da última terça-feira, o arquiteto Oscar Niemeyer, 99 anos, abriu sua casa-escritório na cobertura do velho Edifício Ypiranga, na Avenida Atlântica, em Copacabana, para fazer um inventário da estupidez humana. Do alto de seu quase século, que completa em dezembro, narrou um pouco da vida de um comunista convicto em um mundo egoísta e predador. “O ser humano não tem sentido”, vocifera. Pode parecer amargo, mas na voz rouca de Niemeyer soa dramaticamente lógico. Para o grande arquiteto, nem sua obra tem de fato importância. Uma de suas angústias é a violência brasileira, fruto, segundo ele, das enormes desigualdades sociais do país. Por isso, quando fala em futuro, não pensa em novas obras. “Gostaria de olhar para a cidade e não ver favelas, não ver pobre na rua, olhar o povo satisfeito correndo na praia”, revela o crítico do modelo de self made man, importado da cultura americana. “O sujeito quer ser o vencedor. Isso é uma merda!”, desanca.

Niemeyer conversou com o Correio no lugar onde passa mais tempo, com incursões até o cavalete no corredor onde, sempre de pé, rabisca seus traços tão simples quanto geniais. Um dos projetos mais recentes é o monumento a Simon Bolívar com 100m de altura, que foi entregue ao presidente venezuelano Hugo Chávez. “Ele é um sujeito simpático, competente, patriota...”, aponta Niemeyer, que vê novos ventos soprando sobre a América Latina em oposição ao poder do presidente americano George W. Bush, que ele chama de “terrorista número um” do mundo. “Os países estão se transformando em repúblicas populares, de mãos dadas contra os americanos. Essa onda do Bush acabou”, decreta. Niemeyer acha que Lula poderia, inclusive, aproveitar o novo encontro com o presidente americano, no final do mês, para marcar posição. “Ele devia dizer que é brasileiro e que vai continuar defendendo o Brasil da pressão norte-americana”, sugere.

O apartamento na Atlântica é grande, mas não tem nada que possa ser caracterizado como luxuoso. É branco do piso às paredes, com espaços vazios, preenchidos por mesas, cadeiras e estantes empilhadas de projetos, maquetes e muitos livros, de autores como Jorge Amado, Dias Gomes, Hélio Silva e Fernando Morais. Na entrada, uma foto antiga da igrejinha da Pampulha, projeto seu em Belo Horizonte, e, numa parede próxima, um retrato de Luiz Carlos Prestes, ainda jovem. Niemeyer, que não quer ouvir falar em homenagem no ano de seu centenário, diz que sua vida passou voando. “É um minuto...A gente nasce e morre. Cada um dá sua historinha e vai embora. Eu deixo a minha historinha também”, diz. E que história!

“Deixo a minha historinha”

O senhor diz que a arquitetura não é importante, o importante é o homem. Que é preciso um homem mais humilde e solidário. O senhor acha que a arquitetura de hoje é o reflexo do homem moderno, egoísta e vaidoso?
Existem projetos que tenho prazer em elaborar. Outros, eu recuso. O lado humano da arquitetura sofre a influência do mundo capitalista e do poder imobiliário, que a corrompem e desmerecem. Tem certos princípios de que a gente não abre mão. Eu tive sorte, tive oportunidade de começar fazendo a Pampulha, depois veio Brasília...E aproveitei. Às vezes, temos uma chance boa e não sabemos dela tirar partido, aí não adianta nada.

Incomoda ao senhor a reverência exagerada, a veneração, ou, no bom português, o puxa-saquismo?
Me ocupa tempo demais, o que infelizmente não posso evitar. Mas compreendo, é natural, se eu ficar me escondendo fica meio esquisito, meio misterioso, tenho que me abrir.

O senhor já escreveu que tudo na vida é precário e ilusório e que, diante do tempo, tudo vai ser esquecido. Até as suas obras?
É tudo tão precário, como as nossas pobres vidas. É uma vaidade tola, isso não existe. O sujeito tem que ser simples, trabalhar, ser cordial, ter prazer em ajudar os outros. Um dos problemas hoje do arquiteto, aliás, de qualquer profissional, é que ele não quer ler. Não se interessa pela leitura. O mundo dele é só a vida dele. O horizonte dele é muito pequeno. Ele entra para a vida sem saber como se portar neste mundo tão difícil de lidar, cheio de preconceitos e privilégios. Uma vez eu estava aqui no escritório com alguns estudantes, uma delas perguntou para outra: “Você já leu Eça de Queiroz?’. A outra respondeu: “É filho da Raquel de Queiroz?”. É uma merda, né. Estamos criando agora um Instituto de Arquitetura e Humanidades em Niterói e a finalidade é melhorar o nível das pessoas. Além de arquitetura, o curso abrange conferências sobre filosofia, história... Depois de dois meses, o aluno sairá diferente.

O senhor acha importante que o arquiteto conheça os problemas sociais da cidade onde atua?
Arquitetos e todo mundo. Para que se saiba o que está passando, que o planeta não é nosso, que está envelhecendo como a gente. Aqui no escritório tenho palestras sobre filosofia toda terça-feira, há cinco anos, e nenhum de nós quer ser intelectual, a gente quer ter uma idéia mais clara dos problemas da vida. Falamos do planeta Terra, dos problemas de água, de frio, de calor, desse planeta no fim da galáxia, longe de tudo... E saber que o mundo é mal dividido, que todos devem ter as mesmas oportunidades. Aqui, como nos Estados Unidos, o sujeito quer ser o vencedor, quer dinheiro. É pensar pequeno demais. Temos que crescer, viver com simplicidade, com os filhos, ter amizade pelas pessoas. O importante não é o sujeito ver as pessoas procurando adivinhar os defeitos, mas admitindo que todo mundo tem um lado bom. O Lênin dizia que 10% de qualidades já eram o suficiente.

Citando Lênin, ele certa vez disse que “nossa estética é nossa ética”. O senhor acha que as desigualdades sociais provocam a violência?
É lógico. A pobreza, a revolta, o sujeito que nasce na favela e enfrenta preconceito pelas ruas, a polícia atrás. Ele age como um revoltado. A grã-finagem já olha a garotada nas favelas como futuros inimigos. E a questão de cor vai tomando um sentido assim de racismo. É horrível!

O Brasil é um país racista?
Sempre foi. O pai do Chico Buarque (Sérgio Buarque de Holanda) escreveu um livro muito bom (Raízes do Brasi) em que contava que os portugueses davam mais atenção aos índios. E que os pretos foram sempre olhados como escravos. De tal forma que, quando um índio casava com uma negra, perdia o emprego. E isso existe. A gente tem que saber que o ser humano não representa nada, é desprezível, não tem tarefa nenhuma aqui, não tem perspectiva, mas tem que viver. E a maneira de viver é de mãos dadas, num clima de boa vontade, ter prazer em ser útil.

(O arquiteto João Batista Vilanova) Artigas dizia que a felicidade de um povo se mede pela beleza de suas cidades. Como o senhor vê a arquitetura no Brasil hoje?
Acho que a felicidade do povo é ter uma casa para morar, e ter o suficiente para comer e levar a vida decentemente. Não tem nada a ver com arquitetura. A arquitetura não muda a vida, mas a vida pode mudar a arquitetura.

Com o desenvolvimento das cidades, a arquitetura perdeu poder para as construtoras, para a especulação imobiliária?
Ah, é lógico. Se você for examinar Brasília, o Plano (Piloto) tinha muitos espaços vazios. Arquitetura e urbanismo são o jogo de volumes e espaços livres. E muitos dos vazios foram ocupados, não levaram em conta que o vazio é importante. Quando se faz um prédio, o terreno que o cerca faz parte da arquitetura. As cidades se degradam porque crescem demais. Uma cidade feita para 500 mil (habitantes), que tem um milhão, dois milhões, não pode funcionar bem. O urbanismo moderno já adota algumas diretrizes: a cidade não deve crescer descontroladamente, deve se multiplicar. Quando chega numa densidade tal, faz-se outra afastada. E em volta das cidades, ficam os terrenos livres, arborizados. Isso é urbanismo. Nós não seguimos isso, naturalmente. O Rio daqui a pouco estará ligado a São Paulo.

Em Brasília, as pessoas com mais poder aquisitivo, ficam no Plano Piloto. As demais, mesmo trabalhando em Brasília, acabam morando mais longe...
É claro que as cidades-satélites não deveriam existir. E, como a pobreza é maior, sua densidade demográfica é hoje superior à do Plano Piloto. Uma cidade dividida entre pobres e ricos.

Brasília ainda é uma obra inacabada?
Toda cidade exige de repente que se examine se ela está em ordem. Depois da construção da cidade, as qualidades e os defeitos se tornam mais evidentes. Mas o desenho do Lucio (Costa, urbanista) para Brasília tem muita qualidade.

Qual foi sua última viagem a Brasília?
Não vou há muito tempo. Quando cheguei lá a primeira vez, parecia que estava no fim do mundo. Não tinha automóvel, não tinha telefone, não tinha nada...

Hoje quando o senhor vai a Brasília, como se sente? Em casa?
Eu gosto é do Rio. Eu gosto de olhar o mar. De poder ir à praia. Não vou mais, mas gostava de ir...

O carioca tem muitas restrições em relação a Brasília...
Brasília foi um momento de otimismo, de coragem...uma aventura. O objetivo era bom, levar o progresso para
o interior. Foi um momento de otimismo do povo brasileiro.

O senhor diria que as curvas da mulher são sua principal fonte de inspiração?
Quando me perguntam sobre formas, na arquitetura, eu lembro de André Malraux (primeiro ministro de Cultura na França, nomeado por De Gaulle), que disse que tinha internamente um museu dentro dele, de tudo o que gostou e amou na vida. Eu também sou assim quando faço um projeto, tenho reminiscências do passado. Às vezes faço um projeto sem pegar no lápis e, quando sento na prancheta, já tenho uma idéia. Outras vezes não, é desenhando que a solução aparece. Minha preocupação na arquitetura é reduzir os apoios, as colunas, e quando isso ocorre a arquitetura parece mais audaciosa. Eu procuro que ela crie espantos, crie surpresas, que
a pessoa, ao ver um prédio meu, tenha a sensação de que não viu nada parecido.

Sua convicção comunista nunca foi abalada, levando em conta os rumos do mundo contemporâneo?
Eu era de família católica, com retrato do Papa na parede. Mas a vida é injusta demais. Eu sou um comunista que acha que é preciso mudar o mundo, que nada vai se resolver com paliativos, o capitalismo é ruim, divide os homens, cria poder, cria a violência. Para melhorar, tem que mudar. E vai mudar, porque a miséria é a maioria. É o proletariado no poder.

O comunismo não é uma utopia?
Utopia é querer consertar o capitalismo, achar que ele poder ser melhorado. Está tudo errado, é uma doutrina de miséria, de egoísmo. O Brasil é feito os Estados Unidos: o sujeito começa a vida e quer ter poder, ser rico, ganhar dinheiro, dominar. Uma merda! As pessoas não entendem que não valem nada, não tem importância, ninguém tem importância.

Queria falar sobre o presidente cubano Fidel Castro...
Ele aproveitou a oportunidade e tirou Cuba do poder dos americanos, que faziam do país o seu quintal.

Cuba deve continuar sob o domínio da família Castro?
Se você diz família Castro se referindo ao povo cubano, está bom. O povo cubano é que levou Fidel Castro ao poder e está lutando para que ele resista. Como o (Hugo) Chávez (presidente da Venezuela), que quer mudar
o destino do povo venezuelano. Quando fica difícil a revolução, aparece não raro um militar, porque eles foram criados com a pátria dentro do peito – com exceções, é lógico. Chávez é um sujeito simpático, competente, patriota...

Ele pode ser o sucessor de Fidel como líder de esquerda na América Latina?
Não sei. Se você olhar para trás, a coisa está mudando, os países estão se transformando em repúblicas populares, a maioria dos países da América Latina está de mãos dadas contra os americanos. Essa onda do Bush, o terrorista número um, acabou, ele está sem saber o que vai fazer. Mas como ele tem a força, ele pode fazer muita coisa. O que muda tudo é o inesperado, ele pode jogar com isso ainda.

O que o senhor acha da posição do presidente Lula?
Ele é esperto e não está combatendo o Chávez. Para o meu gosto, eu queria que ele fosse mais freqüente no contato com o pessoal que está defendendo a América Latina. Nosso país está ameaçado. Os americanos foram inimigos até hoje dos mais pobres, porque agora eles vão mudar?

O presidente americano esteve agora em São Paulo...
Eu protestei (em cerimônia na Academia Brasileira de Letras).

...e volta a se encontrar com o Lula no final do mês. O que o senhor gostaria que ele dissesse a Bush?
Dizer que ele é brasileiro e que vai continuar defendendo o Brasil da pressão norte-americana, que ele está com toda a América Latina, que é uma briga comum e que não abre mão disso.

O senhor gosta do governo do Lula?
É um operário no poder. Imagine se não fosse o Lula, se tivesse vindo um outro... A vitória do Lula foi muito importante para o Brasil. E para a América Latina também.

O senhor acha que o Lula é de esquerda?
Não é comunista, é operário. Mas a formação dele não é de quem nasceu rico e quer ficar mais rico.

O senhor viverá esse ano um certo dilema. Assumidamente não gosta de homenagens, comendas, mas muita gente no país quer lembrar o seu centenário. Como vai conviver com isso?
Vou procurar ficar quieto no meu canto. Não posso impedir que venham falar comigo, seria pior. Mas nada disso tem importância, eu sou um sujeito como outro qualquer. É um equívoco, não há razão para homenagens...

Não é todo mundo que faz 100 anos. Falta de assunto... O senhor disse recentemente: “A vida é muito curta. Não dá tempo de fazer tudo”. É tão rápido assim?
É um minuto... A história dos homens é a mesma, as mesmas esperanças, os mesmos devaneios, as mesmas desilusões, as mesmas angústias, sem saber nem por que, nem para que passam por aqui e desaparecem. E ver a morte dos parentes e amigos, uma coisa permanente e inevitável, é muito duro. Nós éramos seis irmãos, agora estou sozinho. O desaparecimento de cada um deles foi uma tristeza... O ser humano não tem sentido. Por isso eu digo: o sujeito tem que se informar. Não é para ficar mais iluminado não, mas poder sentir os mistérios do universo e de sua própria vida, discutir de onde tudo isso apareceu, procurar discutir as hipóteses.

O senhor tem algum grande projeto que queira realizar?
Eu gostaria de olhar para a cidade e não ver favelas, não ver pobre na rua, olhar o povo satisfeito correndo na praia, ninguém querendo ser importante. Essa idéia de importância é tão ridícula, esse negócio de achar que venceu na vida... Isso é uma merda!

Se daqui a 100 anos, alguém falar em Oscar Niemeyer, como o senhor gostaria de ser lembrado?
Uma pessoa normal, como qualquer outra. Cada um na vida vem, conta sua historinha e vai embora. Eu deixo
a minha historinha também.

Publicada em: Correio Braziliense - 18 março 2007
URL: Ministério das Relações Exteriores